sábado, 13 de maio de 2023

Crônica Desinteressante.

 N. Do E.: Crônica dedicado ao mecenas que contribuiu com o café do escriba. Benedictvs si!

Se vale o comentário, vale uma história. E se vale o interesse, não há motivo de rotular como desinteressante, não é mesmo?
É só um comentário - ou ao menos era pra ser, e de fato não deveria ser tratado menos que isso. Pra quê tanto escarcéu? N'um dado momento aonde as palavras se tornam mais ajuízadoras do que conciliatórias, para quê eu iria compôr uma tribuna da qual rejeito? Então, te tomas pela certeza que é só um argumento; e mais além: A sintonia ajuda, tal qual a música, as luzes inebriantes como um velho cabaré afrâncezado, e as estrelas, perdidas no Céu escuro, aparado por copas de árvores, dão a sorte de um querer bem.
Pra quê a noite, se existe companhia? 
E falemos de música, e falemos de sons, e falemos da Anima, mais ainda; falemos de nós, das piadas de fundo verdade, de humor tão cínico, besta, inerente, juvenil, sexualmente apelativo, mas de forma tão nascente, nosso. Falemos dos velhos senhores, do show, da vida em si, das apreensões e dos fumos e das cervejas, pois isso é o que basta ao momento.
E olha, há quanto tempo as coisas não acontecem de forma natural, por um acaso ou planejamento divino, e põem-se em marcha para dar certo e assim contribuir para uma alegria que reina perfeitamente no nosso peito? E falando em coisas do peito, Meu Deus, como se odeiam os prédios espelhados e como se odeiam os pulmões masoquistas de fumantes!
Procura no campo a paz que reside em teu peito, prepara um jantar, acende um cigarro, e passa a mão entre os cabelos: Que doida coincidência é a vida. Abre uma cerveja, e suspende-se num ato: estando inerte ao ar, sente novamente aquele coração pulsar, a barriga florear farfalar de velhas borboletas imortais, e como jovem sonham com um beijo - o velho rolê juvenil que a gente esconde em sete chaves num baú dentro de nossa alma para não se quebrar de novo: O eleio. Conversas bacanas e produtivas. O abraço. A música do pé-a-ouvido. O amasso. Amor travestido de sexo com suas ancas habilidosas maestramente levantadas enquanto se pesa o corpo do amado. O carinho travestido de qualquer coisa que você queira. A música tocando alta e a fumaça oriunda do cinzeiro incensando o lugar. Acaba o cigarro que se fuma sozinho - dois corpos estão ocupados. Os beijos de fim de noite enrolados em braços tão unidos que nos fazem perder a letra em dizer. E o acordar? Um café, forte e sem açúcar, junto com um misto, ou até mesmo apenas um pão com manteiga, mas feito com a energia e o sentimento que não se cabe em letras, mas é explicativo de quem o sente.
Conversa mais um pouco, fala mais um pouco, stalkeia mais que tá pouco. Abre a foto. Vê, olha e pensa: projeta um cenário e todas as roupas possíveis para usar e impressionar, além de poder dizer coisas que sejam alheias e verdadeiras, mas que não a afastem, olha para ela e pensa como o universo tem sido legal. Diz uma asneira gratuita para desbaratinar, e pensa além de tudo, no futuro, mesmo não tentando fazer planos. No dia do encontro, como será? Seria ela maior ou menor que eu? Ela gostaria de caras mais novos ou mais velhos? Será que rola um beijo no fim do encontro?
Perguntas, sem resposta, que ainda precisam de um desenrolar do tempo para se crismar.
Dado o dia, levanto, e ao ler tua mensagem, o coração traqueja um palpitar. "Ontem foi real", e isso alucina a vida, faz a vida ficar mais interessante, e dá mais gosto ao café. E ao ver novamente a foto, retorno ao turbilhão de sentimentos dados ao flerte da mulher que vi. E ela, me atordoando, permanece atenta como a sibila que profetiza entre os lábios voluptuosos a denúncia: Quero.

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