sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

MMXXII

 Mas gente do Céu, que aninho treta...

Este ano de fato foi o ano onde mais a porca franciscana torceu o rabo. Ao meu parecer, vi que esse ano não foi revelador, mas sim temerário, de grã vileza e de fôrça rude. Esse ano mostrou tanta coisa que, vemos face a face. 

(DISCLAIMER: Não venha até aqui com seus olhos positivistas tentar ler o que escrevo com alguma "aura" linkediniana. Aqui é mato - raw franciscan way of life, and such a well respected workin' class mate - e pretendo continuar assim por mais um tanto. Me vale a alegria de ser o que vivo e professo do quê viver uma ilusão ou flertar com estilo de vida incompatível, ou também como dizemos no populesco: "arrotamos caviar comendo mortadela.")

A vida nos ensina a ser francos, ter noção de justiça, re-considerarmos, e termos o entendimento que nem toda teoria é certa, e todo livro também possui seu inutilismo. Tenho receio daqueles que se escondem atrás de livros, alpendres, pórticos e arietes, e no alto de sua douta vida e grã sabedoria não descem para a arena para viver com gosto e agarrando sua própria alma com fôrça e altivez. Ah, que pena. Pena que seus livros te ensinem tanto sobre amor, e não ame; te doutrinam sobre misericórdia, e não faça; te fale sobre ter sensatez, e você tem falácias descontinuadas.

É mais fácil ser superior, né? Mas mais difícil é 'guentar o tranco da vida com todas as suas porradas e imperfeições e ter a cabeça tranquila no travesseiro que fez tudo o que podia, sem hesitar, sem pensar, sem murmurar e sem se conter por quaisquer barreiras que te façam humano e vivo/atento a todos os sinais de vida que o Criador te imputa ao redor de tua carne - fez com desespero e alegria aquilo que se prega em um evangelho vivo e imutável.

Seus diplomas serão papéis amarelados, sua ciência pode e será refutada, e seus momentos de "bom-vivant" serão mal-ditos pela suas costas. Te restará apenas o (parco) bem que você faz de coração aberto; você tão em pressa de viver esqueceu principalmente de viver. Que bandeira... 

Esse ano foi o ano que escrevi meu livro e o publiquei. Se der certo, a primeira meta do ano que vem é fazer uma tarde de autógrafos num lugar que gosto muito. Oro a Padre Deus que dê certo. Espero os rostos e as auras que tanto me fizeram bem esse ano para celebrar no ano que vem este momento tão belo em minha vida.

Ah! E me mudei. Agora o garôto da zona leste tá no Centro da Cidade!

Tenho medo da riqueza material e o que ela faz com a cabeça das pessôas; e dos que vi, meu coração até hoje dói por eles terem tão fascínoramente "virado a cabeça", tenho ojeriza das famílias de "comercial de margarina", tenho surtos coléricos ao ver pessôas tão felizes que batem palma pro Sol - a alegria de viver reina e se estabelece em meu pêito, e se a engrandeço de maneira exacerbada, me torno inimigo daquilo que carrego em meu ser; Deus que se manifesta no silêncio e vem em meu auxílio nas horas mais tristes aonde ninguém segurou minha lágrima ou me fez ombro amigo.

Houveram dias que houve silêncio. E quando apertava, rezava. E quando a reza não dava, chorava. E quando a lágrima secava, recorria como um desesperado aos pés da Cruz. E inexplicavelmente tudo dava um pouquinho certo - certo o suficiente para que eu ainda sentisse vida em mim, e no meu coração. 

Este ano perdi amigos, referências musicais, perdi família, perdi o amor, quase me perdi, trabalhei em lugares e profissões que nunca achei que faria, e mesmo longe eu estive perto - fui agraciado e reconhecido pelos trampos que fiz e pela força que exerci. E aonde fui, levei meu velho crucifixo de bolso com um Santo Antônio, e repetindo a fórmula que minha avó rezava, dizia ao me sentar na mesa: "Alto! O Sagrado Coração está comigo!". E quiçá por Deus, ou pelo meu merecimento, hoje estou num cargo bom, numa empresa boa, num lugar bom, com uma vida que ainda bagunçada, mas bem.

Esse ano foi um porre. E a garantia é não saber o que vem no ano que vem. A garantia é mais trabalho, mais cervejas, mais exames, mais leituras, mais sons, e mais silêncio; se retirar e aprender a morrer é uma questão de ordem.

Feliz ano nôvo, tilápios. Paz e Bem!

Do;
Queiroz, Marcus.

domingo, 11 de dezembro de 2022

Tabacaria.

Uma tabacaria, sobrado, casa.

No bairro do grito, aninhado a árvore daninha,
ao lado do boteco de decanos senhores,
um bandeira, plantas, santos franciscanos e pretos velhos.
Tem uma família lá me esperando.
A mãe escreve no portão o preço, as filhas desenham retratos de infância.

Esse não é qualquer lugar. Eu juro por Padre Deus.
Ali tem gente que gosta de graça.
Ali tem verdade.
Ali mora Deus.

Tem grama no chão. Chão que a gente pisa com respeito e carinho, sabe?
Tem bandeiras, fumos, cangalhas, tererés, músicas,
conversas e dissertações da vida e uma chegança:
A chegança mais bela dos amigos,
que após sentir o peso da vida, apenas se reúnem,
e falam do riso para guardar a lágrima para depois.
"Robson, mais uma cerveja por favor?"

Tem tabaco. Tem conversa,
riso, confidência, verdade e esperança.
Flôres, incenso e azuis, a harmonia mais bela da vida comum.
O lugar mais franciscano na vida anti-franciscana.
Concorda-se entre os anjos que:
o n° 126 é a casa aonde se une a família de sangue com a família que escolhemos.]

Frades, presbíteros, diaconatos, militares, ferreiros,
aposentados, engenheiros, advogados, vendedores, alfaiates
reis, rainhas, pessoas comuns, pessoas extraordinárias,
pais, filhos, nóias, e cabeças de meia-lua.
Somos uma gama de pessoas que se auxiliam, se gostam, e se velam.

É sábado, tabaco, cerveja e lanches da Loanna com um Benício que descansa no ventre.
Valentine e Aurora trazendo a felicidade de crianças aos velhos corações cansados que lembram de sua infância e do evangelho do Senhor.
Robson, velho novo timoneiro, Anhangværa moderno, de conversa e sábios conselhos. De riso e de verdade cortante.

O dia nasce, o dia corre, o dia desce.
E morre mais uma semana.
E no sábado, comprar mais um fumo pro tabaco,
é que esse aqui do meu bornal já acabou.

Deus Vos Salve Essa Casa Santa.

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Time To Hide.

 "E aí, Pedro, seu glad bird?"
Quando olhei assustado com essa saudação, vi a épica Irmã Eunice descer das escadas do Carmo Velho com algumas freirinhas. Eunice é uma das pessoas que mais senti falta quando saí da minha vida no convento. Ela tinha olhos tímidos, cálidos e cantava como um rouxinol; mas hoje parece ter mais vida e seus olhos pratejavam como se pegasse fogo. Ao subir a Martiniano de Carvalho, passando pela Casa do Carmo Velho indo ao festejo dos amigos, a encontrei saindo dos beiras da Casa Santa - a qual me interpelou com a frase e nome antigo. Ainda com o mesmo hábito de sempre, o véu puído tampando seus cabelos, e pelo visto trocou o violão por uma flauta que dava pra ver guardado em seu bornal. Conversamos brevemente, e subi para o folguedo, prometendo nos ver tão muito e tão logo. E ao sair da Igreja, lembrei de uma mulher que me falou do lado Carmelitano da força.
Chegado eu pois no edifício, senti de fato um frio em minha espinha e dores nos músculos e nos brônquios, como que de fato me houvesse saído de mim. Respirei. Vi rostos conhecidos, estimados, mas no dado ponto a dor me valeu tanto que não pude ver nada ou sentir nada além da lata de cerveja na minha mão. Respira, inspira. Deixe entrar, deixe sair. Respira. Essas dores me seguem desde quarta passada.
(Penso pois muito nas obras feitas das mãos, e num valor que se dá quando dedicamos o tempo, espaço e energia a cada uma dessas coisas - e se a intenção da qual ofertamos a quem damos é realmente intencionada. Apesar de hesitante, ainda sou o labrador humano que tem o coração ardente por um evangelho à moda franciscana, com pitadas de patrística; tiro de mim para os outros, dou o que é meu para quem amo, e reparto do pouco que tenho porque sei que na hora devida Deus me dará o que é por direito de meu aceitar e viver. Se, pois, to escrevo cartas, te dou a melhor parte de mim, pois é a dita letra. Se, então, to entalho ou trabalho por vós na madeira, é para ter algo que demonstre meu afeto e apego por você, e se, logo, dou-te algo meu, é porque te dou minha vida e te significo na minha vida.)
Após tonturas e leves enjôos, respirei e segui, como sempre. E após um leve bem-estar, vi teu rosto aparecer pela porta. Me emudeceu a voz depois de tanto tempo olhar para você, e além do emudecer, me turvou a vista e disparou o coração, me deixou sem graça. Ainda mexe. Vi o sorriso sem-jeito, os brincos, e as unhas claras, e a joaninha na perna. Leve disparo no coração; ansiosidade, paixão, passando mal ou princípio de infarto? Talvez tudo.
Fuma um cachimbo, ri, faz besteira, fala da vida, faz piada e vê as coisas acontecendo e sendo como são - vida se transformando, família, risos, festas, incenso e azul. Olha o Céu, vê que Céu lindo Deus pintou pros meus amigos, foi esse o dia que o Senhor preparou, e apesar das dores, alegrei e me exultei n'Ele.
Quão desprevenido, na hora de tomar uma água, veio quem me dispara o peito até mim. Uma conversa rápida. Um diálogo civilizado. Seu perfume me faz lembrar tanta coisa, fecho os olhos e evito contato visual. A água no copo acaba. Sua voz ainda me soa como um Angelvs.
Dói um pouco mais, respira. Dói um pouco mais, respira um pouco mais. Só tomo dois remédios se estiver em casa. A noite desponta, sinto as carnes vibrarem, melhor ir pra casa.
Deito, descanso. A janela aberta mostra uma noite épica, e consigo notar as estrelas fazendo cena no mesmo Céu ainda. Um vento gostoso entra ventilando na casa, e carinhando minhas costas, na vitrola tocando Asinhas Over America, e lembrei de tudo até aqui. E a dor me consumiu de tal forma, que de cansaço ou exaurido, dormi.

E algo em mim continua igual. Imutável como Deus.

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

Sem Título #66

Não quero, na verdade, falar nada ou ter a ver com nada.
Quero o silêncio de toda uma vida, para que na desordem da eternidade possa eu descansar - e no amontoado de palavras, desorientado dando uma pausa na leitura - possa eu ver e entender o que está rolando no movimento dos barcos. E quero ver aquilo que abrilhanta meus olhos - vinde ó ditosa, alegra tu o que em mim não cabe.
Reina em mim, como os raios que interceptam a janela apesar de toda a escuridão que acerta o circundar de minha cama. 
Quando, pois, entristecido ou reflexivo, deve-se pois tomar do café e andar, até sua mente cansar da vista colorida e distorcida, e assim voltar para casa para dormir mais um pouco. 
Desci as ruas, enquanto a fumaça do meu cachimbo incelensava cada pedaço da calçada, e eu, deixando a cidade fazer sua sinfonia sobre mim, permiti viver um segundo. E antes que fosse tarde, ou antes que fosse cedo, encerrei os braços nos bolsos e sorri para a leve brisa que bagunçava o cabelo e desajeitava a barba  me senti útil ou vivo de forma, como se fosse isso o que buscasse ou amasse a vida toda. E ao eiar os olhos para o andar alto do prédio, pude jurar por instantes ter visto você; não que fosse coisa alguma importante, mas um leve disparo em meu peito se deu. 
Fechei os olhos. 
Suspirei e me reneguei.
E triste, segui.
"Vivemos dias de rebelião".

terça-feira, 1 de novembro de 2022

(Find The) Cost Of Freedom

Eu duvido muito de mim e das coisas que penso. E por isso as transcrevo. 
Não tente entender. E se realmente quiser entender, me pergunte. A tua conclusão preciptada só pode piorar o quadro no qual extenso as minhas palavras e que você pode julgar; o dever do escriba é sempre (a seu modo, linguagem e têmpo) dizer das coisas de seu coração, de sua fé e de seu tempo. 
Boi voador não pode.
Conheço o oculto de meu peito e adentro dele sei das coisas de meu coração - das quais admiro e exulto em ais. E por isso escrevo. E danço tango com a morte e como um pastel nas horas vagas.
E a escrita transcorre entre sua íris entre o lírico, épico, e belo; mas sabe lá tu de quê escrevo. Falo de minha vida, minha luta, minha saudade, dos pássaros, da geral que pia, e do peixinho-da-lagoa. Minha temática é híbrida e florida, mas você só pode entender se seguir meus passos de forma que ao eu te explicar porque faço uma coisa; o significado e valor que ela tem - pode não parecer, mas todos nós temos valor e significado, peso, história e legado; só precisamos saber se estamos fazendo jus a nossa bagagem ou sendo extremamente cuzões.
Como já dito anteriormente nos anais desse blog, a função do escriba é denunciar e por na história o que acontece contra os fascínios e os facínoras que nos cercam - e eu, como aclamado e dito escriba (e por vezes proclamado profeta da estepe), escrevo e transcrevo o que me circundeia.
Tal qual Jeremias (Jr XX;VII-XVIII), instalo em mim a lamentação ad infinitvm de um "profeta" que incute a verdade de Deus em comunhão com a situação dos homens, e escrevendo pois sobre as linhas apuradas de quem antes ouviu e sentiu Deus, nos pássaros eu vejo/sinto/ouço todas as coisas que acontecem de maneira ferrenha e apressada contra meus olhos, carne e alma: Falo da vista da janela, da amada, do vento, do amor, da morte, da lamúria e da Excelsa Glória de Deus, que se encobre e se vela nos altos Céus, que agora derramando gotas de chuva, abençoa a cada um de nós, que apressados nem sentimos o milagre da vida - seja pelo guarda-chuva, medo de desfazer a escova do cabelo, ou de ficar gripado.
Assim como o profeta, escrevo das carnes que sangram não (tanto) por desabafo, mas por um motivo bélico de denúncia: Pelo povo que padece, sofre e perece; eis, Padre Deus, minha missiva. E assim como o profeta, tangeste minhas mãos e minha boca com a tenaz para que eu dissesse e falasse com o peito e o coração; e das noites da taverna: bebi, berrei, briguei, embriaguei, e fui herói. Disse a eles o que escarnece sua alma e denunciei a atitude que corroe a alma, mas que eles não são capazes de aceitar. 
Subi ao altar. Sentei-me a destra do altar, na escada. Naquele instante, naquele nosso pequeno tractvs, ficou decidido entre nós dois o que havia de ser; e assim como o profeta, fui tentado, posto ao sopé da morte, mas ainda sim vivo fiquei para exercer minha parte do tractvs e da nossa aliança, e ainda sim quando eles fôssem reis, eu os pisaria para mostrar a sujeira, e quando eles fôssem pôstos em humilhação, eu os mostraria o verdadeiro reinado e espólio que Me ensinastes.
Não os julgo. Mas os condeno, e peço ao Juíz que mude os corações endurecidos, e deixe as lindas garôtas ouvirem, e os Céus turvarem. Peço a paz, a calmaria, e o abraço que os braços procuram - de causa urgente e passível de morte. Ah, assim como o profeta digo a iniquidade do meu povo, e faço minha parte além da denúncia, pelas obras e pela ação-em-fé. E isso me basta; ainda que eu o ache tão pouco, mas Me ensinaste Tua matemática, e nos dias mais soturnos, mandaste teus mais diferentes e diversos amigos para ter comigo, e por Tua imensa Glória o pouco que tive dividi - e se multiplicou, e quando nada tive, obtive tudo de Tuas mãos, e quando meus olhos choravam, foi lá Tu e desceste até mim e me segurou em Teus braços, e quando estava Tu deveras ocupado salvando os meus a quem onerosamente orei, mandaste novamente os Teus. E vi você.
E assim como o profeta; sabendo de meus imensos erros e incapacidades, escolhi Você e o Seu partido assim como me escolheste, me capacitaste e me enviaste para a messe barulhenta e briguenta do cativeiro, e com isso escrevi minha história na Tua e me prometi que meu nome seria sublinhado para que fôsse o Teu mais brilhoso, e até hoje os Teus amigos me ensinam diariamente esta lição; e não me arrependo de estar e viver neste lado da história, de forma alguma. Pois, assim como o profeta, és a minha Força, Certeza, e Alegria. E nunca seja eu objeto ou fiança, pois não sou e nunca fui merecedor de nada de bom que me ocorreu até aqui, Bom Pai.
É tudo pela sua imensa Misericórida.

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Una Vuelta Más.

Queria falar do Céu, e da têz da noite que envolve. E, dizendo assim do Céu, da noite, do vento e dos uivos, queria era falar de mim, de você, de nós. Queria falar de mais uma volta, um compasso que desce e sobe no contratempo desse segundo chamado vida - e mais do que falar de mais uma volta, queria ter a sapiência de realmente saber de mim, e das coisas que se passam em meu coração.
Crônica de ordem social - essa é a minha forma de letra; mas atualmente elas todas parecem recortes de jornal que contam coisas que vi, vivi e senti. Um caderno de viagem que evoca pessoas, dias, glórias, saudades, e decisões que pesam na alma. De todos os cânceres, a saudade é a maior e mais desleal metástase.
Queria viajar uma última vez, descer até a praia e molhar os pés cansados na água salgada. Comer um camarão na praia tomando cerveja ouvindo Evinha, e com uma (tua) companhia do lado - um sorriso para casar com o sorriso, um corpo para dividir a cama, uma mão que alcança a mão. Queria talvez passar as serranias e ir para as interiorâneas, cidadelas pequenas, distintas, de café moído na hora e aonde pudéssemos entrar naquelas igrejas clássicas e centenárias, com uma praça na frente, e o Sol ornaria em teu vestido, e teu riso seria uma verdade a ser prenunciada a quem lhe visse. Gostaria das noites de vinhos e rosas com minha jaqueta em seus ombros após o jantar, teu braço dado ao meu enquanto a noite faz força para danar as luzes elétricas que incandeiam teu sorriso - e para me ajudar a andar, dos corações que derramados depois de um rango e caminhar, se incubem de se cuidar e se amar, e que talvez fosse essa a minha viagem favorita - a amiga, a moça, a mulher, a amante, a rainha, a irmã, a musa, a juíza, a conselheira, a amada; a você.
Fecho os olhos, e a minha mente traiçoeira desenha tua silhueta na minha escuridão. Abro os olhos e perco o sonho que estava tão perto de mim do qual senti até o perfume; como disse o escriba naquela música tão bem-elaborada para a musa: "Foi tão triste o dia em que eu vi você ir embora". E de fato, ainda o é. E ainda q'o eia os olhos, a perspectiva não é e nem se torna tão boa - é só mais uma música, mística forma, aonde se dança o corpo para frente e para trás, e que os dedos entrelaçam com a madeira e as cordas, que solfejam um arfejar com a lágrima que cai na madeira ressonante.
É noite. É dia. É tempo todo tempo.
Dá a mão e vem comigo, mulher. Dá mais uma volta comigo antes que eu durma, antes que a cidade acorde. Segura meus olhos no seu corpo, e amplifica minha surdez com tua voz. Deixa ao menos nessa última corrida llèguera eu descansar meu corpo tão cansado e demasiado por essa peleja no teu rincão, e que no silêncio de minha voz, meus olhos ao te fitarem, denunciem tudo o que tenho passado e planejado. Me entrega um sorriso no teu Céu, e afaga com tuas mãos minha barba, e olhando-me, encontre-me. E achando-me, eternize-me; dá certeza e razão. E eleva.
E de fato, que sua alegria seja a minha, e que o mundo em que eu vivo e habito seja aquele em que você está. Tem um local vago no ônibus em que estou. É só chegar.

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Disco Eterno.

Achei uma foto tua na minha carteira. 
Enquanto eu olhava os documentos geraes, achei uma 3x4 tua. Vi seus olhos, sua boca, e seu cabelo. Foi inevitável sentir um tipo de arrepio pela espinha, e mais ainda foi difícil sentir algo que fugia a realidade terrena de um momento. Um momento incrível, clichê do clichê.
Que que se há de fazer, afinal? Apenas suspirei e ri por um momento, e me amarguei. Lembrei do Bôm Tempo. 
Assusto-me (de fato) com a distância e paradoxalmente a presença, e estando tão longe me encontro aqui, agindo então entre o silêncio e o oculto da mão, abro os dedos então para tocar um canto novo nas cordas de meu violão; e os pássaros, pousando no beiral da minha janela, cantam comigo um solfejo e brincam com as migalhinhas que deixei para eles se fartarem; faço então o mirar pela janela enquanto dedilho uma nota menor, e dou uma risada enquanto o bemol das cordas me seduz. A vida, enfim, se faz presente em cada recôncavo; e olhando para mim, ainda eu com o oldre vazio - e com uma pequena dor - deixo o meridiano para depois para enfim (fingir) sorrir. Entre nossas vidas, cruzam-se linhas, algumas se acertam, e outras se delimitam. Umas se tangem, outras são paralelas. 
A vida torna se oca, vazia, ainda com tonturas, ainda com tristeza, mas ainda sim é a vida. Sigo, mas não sigo por mim. Sigo pelos meus, e aos que amo e estimo como se fossem meus; ainda que por pouco tempo. Por mim, não seguiria e ouso no tanger não querer mais, e de fato, mantenho-me pelos peixes, pelos olhos, mãos, Cecília, flores, incenso e azuis. E qualquer coisa além do que eu digito aqui é mentira; assim como a saudade que sinto aqui expressada é a pura verdade. O prazer que tenho em viver é vão e inútil, pois quando perde-se uma parte grã e vital do querer, não se pode ser reposto ou transposto em outro qualquer. E quando se perde a esperança, desmorona-se. E por isso decidi parar de me tratar ou cuidar. Quero deixar de ver o Sol nascer, pois apesar dos motivos de ir, me cabem mais os motivos de ficar.
Quero aquela velha praia nublada, a chuva, os trovões, e os gritos no saveiros ornados com porres homéricos de coca-cola com rum montilla. Quero a lira, a pena, a glosa e o pendão. Quero, finalmente, deixar as lindas garôtas ouvirem, e deixar os Céus turvarem. Espero a vida depois da vida como quem aguarda com esperança a batida de maracujá antes da feijoada dos heróis. 
Dada a mão aberta contra a brisa suave do tempo, no estio das passagens do ar corrente entre os dedos, seguro o tempo e a razão, e o peito, não - deságuo como herói, já sei ser verdadeiro como o que Habita em meu peito ensinou - e não troco ou denuncio aquilo que meu peito guarda em Glória e Excelsa verdade, pois antes de mim O era, e antes de O ser, Se fez. E aos que se dizem reis, a estes cabem a terra temporã, pois quem carrega um Verdadeiro tesouro, divide; e estes, tão donos da verdade e de razões, se perdem. Graças a Deus, eu vou morrer, e eles, infelizmente vão morrer. 
Se realizo minha sorte, faço de mim casa e estrela. E estando em mim, permaneço de copo e cruz. Abro os braços em riste, enquão funde-se em mim as chagas e os bálsamos e a vida. Abro os braços em forma de rendição e deixo o Sol queimar a pele alva que me faz casca, e quando vejo os primeiros goteijos da chuva, me sinto vivo, ou talvez safo - principalmente esguio. Lírios na mão, estrêlas no Céu, e descalço, vejo a imensidão de uma cidade que desce e sobe aos olhos pela sua imensidão.
E chove pela madrugada. A dor não me deixa dormir.

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Summer.

Disse-me um sábio, certa vez, que a melhor conversa é aquela que se faz e se diz com os olhos. Das mais profundas, sinceras, belas, engraçadas, tristes e magnas. Daquelas que você conversa com a alma e sente a responsa em sua própria alma, sentindo verdade no que te é ofertado. 
Bem, raramente eu tive desses contatos, mas, todas as pessoas que tive esse presente foram mui categóricas pois eram pessoas de tenacidade ímpar, daquelas que são decisivas e fazem-se valer por ser quem são, e de uma força incrível. As pessoas que conversam com os olhos verdadeiramente estão em um outro nível, patamar, e gostar...
E a nível de sinceridade, quero ver teus olhos de novo, e de preferência com os solfejos de tuas mãos, n'e que quando empunhas a caneca em tua mão, desabrocha esse riso em tua bôca como se a vida se cristalizasse n'aquele instante. E eu basicamente gemo em ais pelas pessoas que sabem eternizar o instante da forma certa, a vós, minha benção e minha estima mais ditosa e verdadeira. 
E é sobre isso, disse-me ela. E irrompeu na mesa com um riso verdadeiro, daqueles que não se vê há tempos; abriu-se e brindou a nós na mesa com um riso verdadeiro, sincero, ornado com os lábios e ornando a silhueta de seu rosto de tal forma que não o via há tempos, sendo-se verdade, e trazendo-nos genuína alegria de um riso apesar das abobrinhas demasiadas infames que dizíamos na mesa - de fato nós da mesa sentimos um tipo de êxtase, mas guardamos um pouco para mais tarde pois atualmente está raro termos momentos assim, aonde podemos ser felizes sem um peso da existência.
A noite, extensa e tão curta, denuncia a troca de olhar. Conversa-se pelo olhar. É lindo, belo, lírico, cínico e as tenazes sobrancelhas que arquejam com fechar-e-abrir de pálpebras, desfloram num riso; gargalhada, telepatia prevista - comunhão de pensamento, alinhamento cósmico, ou qualquer bobagem dessa forma. E quando ostento de mim o riso em comum com a alegria mantida de um gol, denuncio veemente com o olhar a vulgaridade que senta conosco a mesa - e iremos rir mentalmente e fazer um comentário ligeiro com os olhos; a essa altura, já íntimos e cumplices de comentários e formas de pensar.
E é afã com o cuidado e com o zêlo, tal qual ditosa mulher ou como no cristianismo primitivo, aonde as pias moças eram zelosas sem ter porquê, com o quê, como quê - permaneciam de fé em fé e de caridade em verdade para apenas existir, fazer-se ser e ter aquilo que não se Nomina; Excelsa alegria, ditoso É. É sobre um riso ligeiro entre risos, brindes e copos de água, sobre conversas e fofocas, gritos estrondosos que arruídam o ouvido em lembrar: a emoção de um pênalti, a perca de um título, a briga no fim da noite, a sabedoria em ser humilde e se resignar de uma possível contenda, o valor de ser quem é, ou até mesmo uma conversa que poderia durar por horas e horas e horas e horas...
Ou, que pode até mesmo durar mais essa noite, se o vento e a direção das estrêlas forem-nos favoráveis.

sábado, 15 de outubro de 2022

Quanto Vale Um Poema?

N. Do E.: Poema dedicado ao mecenas que contribuiu com o café do escriba. Benedictvs si!

Um poema pode ser apenas palavras;
carregadas de ar ou gesta,
mas pode também,
remoçar um tempo de
dias, meses ou da década passada. 

Pode falar da fumaça do tabaco;
da cidade que anoitece,
da falta de ter com quem se abraçar,
de uma esperança e fé cega no futuro
até, pode conter uma mensagem encravada. 

Também pode ser de milady's e milordes;
reis e profetas, assuntos e permanecidos,
de um chão translúcido e de primeiros beijos,
flôres, incensos, e azuis tão belos
que tangem o céu, e os olhos cromáticos vívidos. 

Custa, de fato muita coisa,
entre um espaço de sim e não,
há o talvez de se entender errado e certo,
assim como pode ser a certeza de
ter, ser e viver como se manda o roteiro. 

Enfim, que mais posso afirmar?
das crônicas sociais eu lido,
mas sobre poemas não os sei,
pois sei que custam muito, tal
como amor, saudade, palavras e verdade.

quinta-feira, 13 de outubro de 2022

Sem Título #59.

Algumas vezes,
me pego pensando,
no oculto de meu coração,
sobre minha ferida oculta;
Translúcida e perene,
jorra sem pedir licença.

No solitário andar,
cabe a mim apenas sentir,
e guardar num baú meu,
todas as belas coisas do mundo;
Do teu sorriso e teus olhos,
sentir talvez um tanto de alegria.

E os olhos meus que tangem,
não encontram vista alguma,
tampouco perspectiva,
ou alguma satisfação relevante;
Remo em alguma maneira,
de vã filosofia de manter o movimento dos barcos.

Outro dia numa rua dessas,
após uma garrafa de vinho infiel,
olhei a Lua e as estrelas,
lembrei de um bom tempo;
Um sorriso e um abraço com mãos dadas,
que descompassou até a batida de meu coração.

Dentro de mim,
tenho os sinos e ressonos,
guardado a voz altiva,
resto a mente em oração;
Ademais tendo a fé,
sorrio e guardo em mim uma esperança.

Fraca. Claudicante. A nível de morte. Passível de um atentado terrorista.

E de esperança,
crio a vida,
invento ânimo,
ressignifico a alegria;
Transmuto tudo o que há de triste,
para (te) escrever (em) coisas belas.

Assim, ao menos, amenizo a tua falta.


segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Sunday Morning.

Estávamos bebendo eu e meu irmão ontem. Na sexta ou sétima garrafa, sei lá.
Rindo e conversando da vida.
Curando as feridas um do outro.
Acabamos de comemorar a morte de um desafeto nosso.
Eu o tangi. Feri de faca como há muito não o fazia, e desaguei naquele momento enquanto o punhal maldito descia entre a pele e jorrobatava sangue marrom, de raiva toda a minha agressividade e cólera soterrados por anos de cristianismo e bons pensamentos eu desapeguei para apenas ali fazer a justiça que não esperei do Céu, e tampouco a dos homens.
Quando, já em ponta de morte o desafeto ganiu, meu irmão puxou o gatilho com os olhos em riste e bradando de raiva. Os capangas dele deram um jeito no corpo, parece. E isso o ensinaria a não mexer mais com um casal que desce a rua para se divertir e tampouco balear a esposa grávida, roubar o dinheiro de alguém e quase aleijar alguém que não tem a ver.
Ríamos, brincavamos, como se aquilo fosse quotidiano em nossas vidas - e talvez, num passado distante o fora. O meu irmão, assim como eu e a gama de nossos amigos, vem de uma raíz nordestina, aonde ainda mantemos a situação a se resolver no brilho da faca - não que isso explique, mas denuncia muito a nossa conta.
Não tinhamos pais, e nossa formação era das brigas de rua, das missas, e das idas em estádios e tomar cerveja num bar que vendia escondido para nós. Eu, na verdade, me enveredei pelos caminhos de Padre Deus e me inseri no contexto apostólico e diplômatè. Meu irmão, pegou em armas verdadeiras e se sujou com hasseldamas, mas de contrapartida ergueu capelários, doou dinheiro, cuidava das crianças e viúvas e os que em dolosa aflição estavam, foi mecenas da providência divina. Eu, vivi. Ele, também.
Na mesa, cerceados por cervejas e pizzas, nós falávamos de Alvares de Azevedo, da existência de Deus, do princípio da minha - por supuesta - cura, dos heróis de nossa juventude, e de nossos demônios taciturnos, que arrodeiam nossa cama, daqueles que nos abrem os olhos quando queremos fechar.
Ele, em respeito a mim, não há de guiar e pretorar os passos da amada a quem um dia lhe pedi para que sentinelasse para que eu não me sujasse. Eu, em respeito a ele, pedi uma última alegria.
Tangemos aquele que nos fizera mal, e deixando-o na tendinha, seguimos como fazíamos na época em que éramos deuses: nos lavamos, olhamos um pro outro, nos abraçamos, e fomos descarregar o acontecido em cervejas para esquecer. Pusemo-nos um no lugar do outro: Fui assediado enquão acompanhado pela amada e doente, ele, ferido e pobre, com sua esposa ferida e sem o fruto no ventre dela. Isso nos impulsionou ao último ato transgressor - mas ainda lemos Agostinho, rimos e sabemos falar da somatória do medo, somos os mesmos, apesar de evoluídos(?).
O bar estava pra fechar, embrulhou a pizza e me deu os pedaços para jantar, me levou até em casa e me abraçou, e foi depois ver sua mulher e cuidar dela. E assim seguimos a noite de um domingo.

E apesar de tudo, somos humanos. Relicáriamente humanos. E eu acordei.

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Time Moves Slow.

 Estou aqui no hospital. Não imaginava que drenos no pulmão fossem incomodos. Já são três dias.

Depois de três dias a dimensão de tempo é tão difusa, tão surreal, que chega a incomodar.
Estou vivo ainda, por graça de Deus ou por alegria, talvez. Estou vivo, principalmente, pela esperança. As que imputam em mim e nas que eu gentilmente ponho no meu coração, ornando-as com a beleza de Deus.
Gostaria de beijo e abraço específico. Da voz e da tenaz palavra. Isso me acalmaria senão, atordoaria benéficamente. E neste frio, tremo as pernas com os cobertores postos, e sorrio. Apesar de toda essa lama, toda essa tristeza, ainda sinto e tenho um pedaço de Deus em mim. E isso também é esperança.
De esperança em esperança foi como vivi, pois assim pude deixar a providência divina e as obras da caridade nunca falharem dentro de sua matemática celeste.
Nunca senti que vivi pouco, pelo contrário: vivi o tanto que me coube, e tendo isso em mente não me regojizo ou me vitimizo: vivi o tanto que pude e que Deus deixou eu viver dentro de Sua tutela. Deus, além de Deus foi meu melhor amigo, pai, irmão, advogado e pretor.
Essa imunidade baixa e os dias frios me nocautearam. Alguns dizem que irei sobreviver e que rezam por isso. Mas, docilmente ponho nas mãos do Divino o querer (não só disso, mas de tudo que abrange minha mente agora). Caso viva, bendigo Meu Senhor. Caso morro, bendigo a Vida. Faço parte de toda uma sistemática que sinto entorno a alegria e a tristeza, e assim sigo. Na minha janela, não pousaram passarinhos, e isso me entristece, mas a nutricionista me deu gelatina de limão, e isso me alegra.
Achar a alegria em tudo, e agradecer a Deus por tudo, por todos a todo o tempo, esse foi o conselho que Frei Francisco me ensinou.
Tento, apesar de tanta dificuldade pesarosa e dificultosa, ver Deus em tudo, e mais dificultoso ainda, agradecer pela Sua ditosa vontade. E neste estreito espaço de navio, oro. Acho que nem nos meus tempos mais espiritualizados eu rezei tanto. Este frio me trava os dentes, mas me liberta a alma. E se eu voar, eu posso ir te visitar? Sentar na beira da tua cama, cantar tua música, e te fazer sorrir? Como um passarinho marrom?
Mais uma noite. Mais uma noite. Menos uma noite. E o Sol desce no cinza e arqueija a noite densa e enevoada. Sorrio. É das noites que gosto, mas como um mercúrio, me envenena em doses lenta. O que amo me mata. Sorrio. Se me sobra, sobra tu, letra ditosa da pena. Inclina-te em minha ordem, pois ainda em claudicância eis que mando o teu ditar: escreve, escriba; se não como testemunho, como ao menos um alpendre de verdade para quem ler como memorial. Se me cabe escudo, agora liberto-te, a adaga oculta que guardei para a noite memorável quando me amavas: Diz-me, Deus - a qual roga os miseráveis, quão longo e dulce suplício é esse que me embute, se nunca pedi ou desejei galardão de santo?É pela minha relutância, tal qual Cupertino, que me fazes assim? Sou filho da porta estreita, e por ela passei n vezes sem murmurar, mas, quando me põe no sopé da morte e vejo eles tão distantes, sinto-Te mais ainda. Não te abstém, força minha, Corre Tu em meu socorro e salva-me nas excelsas glórias, pois da porta santa abri para chamar Teu nome.
És o Deus de Dona Antônia, o Deus que ela há tanto e muito rezou e que nunca foi confundida. É a Você que clamo nesta hora de minha solidão e amargor.
Eu acho, que eles chamam de milagre. Eu chamo de vida. Eu chamo de viver.
Ora pelos meus, e salva a minha (ela) do laço do passarinhedo, e quão a minha vontade, que seja inferior ao Teu querer. Por isso lhe invoco, glorioso Jesus Cristo, Filho de Todo o Poder Criador que me amou primeiro, atira-se no precipício que me encontro e reclina teu Bom Ouvido para ouvir esta última prece: Deixa as lindas garôtas ouvirem e deixa os Céus turvarem. Encosta-Te em mim e abraça-me, para numa última vez, unido a Vós, possa sentir o amor o querer, e estando na mais alta dificuldade, sê Tu aqui meu animador, e dá me o riso. Alteia meus olhos, e reconecta-me ao que perdi para que encontre. Dá-me vida para que eu possa terminar a promessa que te fiz, e escondido dentro do Teu Sagrado Coração, não me vejam, sintam, ou possam agir de mau juízo de mim.
E estando eu contigo, que você me alivie cicatrizando todas essas chagas para que eu, estando junto a Ti, possa apenas me glorificar de Você ter me acolhido e restituído tudo aquilo que perdi - e vagarosamente - retorna ao oculto de minha mão, ou como nos diz o profeta: "retorna em mim o riso, e faz-me viver". Dando-me, tais poucas três cousas que lhe peço, rugirei como o Leão de Baoz para que não Maculem teu nome, e sei Teu Capistrano. Ergurei elogios e honras, e mandarei promulgar Teu Nome, pois nesta presente agonia e sufrágio me valeste.
E que eu só leve alegria a todos os corações, amen. E de paz em paz, roguemos ao Senhor.

Alto! O Sagrado Coração está comigo!

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

II Carta a André.

 1 - Prefácio e Saudação;
Marcvs, escriba para André. Filhinho, que toda sorte recaia sobre você, e ao ler os textos de crônicas de um passado, saiba de um bom tempo que houve. Como gosto de parafrasear Tio Fungo: "Havia um tempo antes do tempo." Cabe a nós abrirmos e fecharmos a porta, o canto, a lágrima, e aceitarmos o fim iminente.

2 - Considerações gerais;
Considera a maldade. A solidão. Os corações endurecidos. O orgulho. De todos esses, moí como bagaço de cana e bebi o sumo. Fiz de dor alegria, fui príncipe, rei, amigo, irmão, consorte, pretor e altivo. Desci até uma mina d'água e lavei os pés e joguei uma concha-forma-mão de água em meu rosto, e pude seguir a estrada. Mas, trago-vos o perguntar: E a estrada? Que forma tem e aonde dá? Quando não sabemos, e não temos mais o ímpeto juvenil da coragem e da sapiência, não queremos mais aventuras, queremos apenas descanso. E isso, filho meu, é o que mais anseio. Aposento a lança e deixo-vos a pena e a lira. 

3 - Preparação para a morte;
Não tenho medo. Fui desde cedo posto em pé de igualdade com a morte e coube a minha parte o entendimento, então sei de mim. Choro apenas pelas lágrimas que irão derramar por mim, por latência, de forma retardante e demorada. Vazio estando o ninho, mantenho-me de olhos fixos ao Céu, e pelo Deus que rege o firmamento, pago o preço do fim que irei acometer: O frio, o chão, a dor, a solidão, a fome, o cansaço, a claudicância e o não querer viver mais.

4 - Das crenças;
Creio em Deus, e isso me bastou em trinta anos. Deve me bastar mais uma eternidade. Deve me valer uma eternidade. De fato, o que se consiste senão ter a força de Deus para caminhar, olhar, ver, viver, ter e sentir? Deus me sustentou até aqui, e agora, no ponto mais calamitoso, me sinto só. Sei que por mais que não O veja ou O sinta, Ele ainda está, mas, atordoado em demasia com o silêncio que ricocheteia em minha mente, não consigo dizer e tampouco fazer muito. Minha crença diminui - e analogamente - aumenta em minhas veias, tal qual aquilo que mina minhas forças e esperanças. A morte pode me ter, mas, ao menos uma vez há de ser em minha maneira.

5 - Da tristeza;
Acolhe o triste, e lida com a lamúria dele com paciência e amor. Sê amigo, pois um dia hão de enxugar teu pranto, pois quem é da lira e da pena tem um coração grande, daqueles que chora, ama, vive e sente. Então, vê lá tu e segue em harmonia, pedindo sempre a Deus pelo melhor jeito de consolar o povo que sofre, perece e padece. E todo bem que fizer ao sofredor, é bem que volve a ti por mérito, ordem de Deus, ou da vida.

6 - Das tradições;
Devemos sempre manter costumes e tradições, de tal forma que quando estivermos sempre a ponto de entender, ver, viver e sentir, sintamo-nos também perto de um costume e tradição. Olhemos também para dentro de nós, e dado a alegria da vida, consigamos nos entender, se fazer entender e dar a vida aquilo que não se enumera, que não se sente, não se vê ou tampouco se tange. Que pelos costumes de uma corrente de pessoas, sejamos nós brindados pela alegria de viver, 'inda que tardia. E que pela tradição, façamos e sejamos lembrança. 

7 - Do oculto;
Existem segredos, dentro de cada recôncavo e rincão de uma alma que nos tomam de forma imperfeita e imprecisa. Não temos acesso a acessa parte - aqui ficamos. Mas, quando alguém nos der por dieito um acesso ao nosso oculto, ou até mesmo ao nosso Jardim Secreto, aonde compartilhamos o nascer e gerir de nossas esperanças e fomentos, devemos sempre honrar o compromisso do oculto, respeitando-o, e dando seu tempo para que se abra: tal qual a flor, que em loucura de primavera se abre, faz-se faceira e manda a vida subir até vós.

8 - Da raiva;
E nos rincões, da raiva que nos trará, exortaremos ao Bom Deus que a elimine, pois somos de lira e pena, e só usaremos a raiva quando profanarem a nós e os nossos - na condição de pretores, seremos a guarda de quem amamos, e na condição de escribas, usaremos a raiva para exortar o que é desnivelado ante ao universo. E, dentro de nós, usaremos nossa raiva e ódio apenas contra uma pessoa: Nós mesmos. E isso nos elevará em magistério pelo desvelo da vida, cuja perdemos, e logo a Encontramos.

9 - Da morte;
E no silêncio, oculto, de fim-de-feira e fim de bandeira, aonde o frade eterno repousa, estaremos pois, nós. E na morte, após lágrima sincera, e não copiosa, entregaremo-nos, a parte certa e devida da vida que foi vivida: Bem pesado e bem medido, seremos condecorados com o que nos aprouve, e após isso, apenas Deus bastará.

10 - Benção e despedida;
Abençoo-te diante dos Santos, e peço a Padre Deus que te dê boa vida, e bons frutos. Que você seja frutífero, solícito e amigo de todos os momentos que a vida lhe ofertar. Viva, e siga sempre o Sol, pois tudo foi feito pelo Sol. E tudo que você pensar, será.

sábado, 27 de agosto de 2022

Carta a Mariana.

 1 - Prefácio e Saudação;

Marcvs, escriba e reflexivo, para Mariana. Que o Deus Triuno de Boa Fé desça e acampe aonde vos fizer teu ninho!

2 - Considerações gerais;
A despeito de nossa longa conversa de ontem, gostaria novamente de vos agradecer pela paciência, escuta, bons conselhos, risos e boas palavras - pois to sabes bem mais e melhor que eu que num mundo aonde nem todos tem tempo para todos e tampouco boas palavras para todos, cada boa palavra e atenção é sinal de cristianismo verdadeiro (conforme a ditosa que falávamos ontem)

3 - Preparação para a morte;
Vivi duas vidas em uma. Vivi, pois, bem. Como meus avós, meus pais, e quiçá meus rebentos. Pude conhecer todos os lugares que quis ir, bebi mais do que devia, ouvi a doce música em meus ouvidos e amei a mais bela dentre todas, a mulher. Então, caso me ocorra de susto ou de ida, a morte não me pega em arrependimento, pois vivi bem, e pude no clarão do dia sentir uma felicidade que não se cabe no peito. E se eu viver, oxalá possa eu conhecer novamente a Fonte primal de toda vida, e que nessa Vida, eu seja e eu esteja. E que como nos diz Zózimo: "O que nos for por direito, estará conosco pela primazia de Deus".

4 - Do serviço;
Sou escriba. Escrevo. E dano a escrever. Essa é minha missão, e de forma análoga, meu legado. E o teu, quando inspira e infla as pessoas a se cuidarem e terem bom juízo de si, é mais que belo, único e preciso, grã amiga. De fato, quando a Censora me mostrou suas íconas palavras a fato de alertar ao povo do mau comum e siilencioso, fiquei-me afã de vós, e de certo crédito tens em minha melhora (dijunto a Censora) e minha busca (mesmo que sinuosa) pela melhora. Te tens em máximo respeito pelos bons conselhos, boas palavras e boa índole. Quando nós descemos até uma pessoa e guiamos ela para um camunho bom, de fato temos em nós avivado um Espírito Paráclito de vida que não se cabe dizer de quã glória é. E vós, ditosa Mariana, é sacrário dessa Magna e Divina Beleza.

5 - Do pastoreio;
Se cá eu como escriba cuido de minhas ovelhas leitoras, lá tu cuida, amiga, de tuas ovelhas que perguntam sobre a saúde. Parafraseando Santa Clara, o barravento do Senhor (TM), digo-lhe: Nunca perca de vista o seu ponto de partida. Tem sempre bom propósito, e não se esquece da gênese - seja a familiar, a dos princípios, a das boas cousas, ou de Padre Deus, início eterno sem fim. Tens o mesmo tanto de responsabilidade e benção nas pessoas, guiando-as e instruindo-as, e por isso peço a Deus por vosmecê que nunca perca o fôlego e te mantenhas em passo continuo, brindando-nos com boas palavras.

6 - Da vida;
Quero, amiga, a nível de sinceridade: a cura, a mulher, e a calma - mesmo sabendo que tais feitos estão fora de minha alçada. Quero também, a felicidade, que se extenda como o Céu sob nossas cucas esvoaçantes. Quero uma boa vida a todos que buscam o descanso do passo mantido, e vejo em vós que de forma análoga também estima isso para seu pastoreiro - e não te sabes como isso me exulta! Mais nos vale querer o bem do que fazer uma maldade ou um esquecimento casual. E por isso, ditosa Mariana, desejo-te a vida (em forma de Londrina, em forma de Torresmo, em forma de higiene do sono) da melhor forma que te aprouver! Rogo por vós!

7 - Despedida e benção:
Oro por vós, e agradeço por teu zêlo e cuidado para comigo. Peço ao Santíssimo Sacramento do Altar que esteja sempre contigo e abençoe teus planos e teus passos, e que te nunca percas da tua essência, e posto em teus olhos os veros mirares de verdade, que seja tu sempre assim. Que Deus te abençoe e te ponha entre os Santos, Únicos, Justos, Mártires, Patricarcas, Primeiros, Virgens e Mártires. E que Deus nunca esqueça de vós.

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

Prosa de Hospital #1

Escrevo, pois,
pelo simples fato de viver,
e minhas crônicas falam assim de tudo um pouco:
Da vida, da morte, dos dias, dos minutos, de tanta coisa...
Mas, hoje, ela fala da desesperança, e da falta de fé.
(cousa incomum atrás das letras que transcrevo)
Creio sim em um Padre Deus que tanto falo,
mas sei que hoje ele parece distante, longuíquo,
de forma inacessível,
e na minha atual forma estou a procurá-lo.
Você viu Deus por aí?

Sinto que quando me falta a fé é como se parte de mim morresse
[já estando eu ao sopé da morte, não sinto em difuso]
e errante, tento reavivar a alma minha que não cessa em ais,
entregando cada rincão de mim ao ser mais, ser menos, ser ser.
Tento entender o que se passa em mim eliminando cada ponto,
cada vestígio de tristeza,
e peço por vezes que alguns estejam comigo para eu ter força,
ora eles estão,
ora não, 
e isso me deixa triste e pensativo por demais.
E me recolho e me volvo a Deus.
e chorando, deixo Deus cuidar de mim, e elevo a Ele minhas mazelas, assim:

Deus, se podes me ouvir,
do trato que temos, daquele oculto em meu coração,
o nosso jardim secreto, vos rogo: 
deixa que apenas eu e você saibamos, e que apenas eu e você fiquemos,
cuida, daquela que amo, e ajuda-me a ir em frente,
e dá-me animo, os abraços, os beijos, os carinhos e a exultação,
salva-me do inimigo, e principalmente de mim mesmo.
Deixa no chão meus passos para que os que me procurarem possam ver
Segui, mesmo sem nada a entender, e com pouco a perder.
E abri a mão como abro mão da vida.

Agradeço, Bom Deus,
tudo até aqui,
mas penso comigo mesmo,
que já é bem mais hora,
de me reunir com você,
então me leva pra sua destra,
pois deste mundo já deu tudo o que deu,
e meu pranto minguou.

Mas imploro, Bom Deus,
que se houver ainda uma chance,
aquela mesma chance que te peço com os pássaros e peixes,
então me deixe viver,
e põe em mim nova vida, novo sentido, e força,
e que a dor não doa, e que o fogo não forje,
e eu imune a toda dor que me encerra
possa ser mais forte e quiçá feliz,
com a mulher que amo, 
com saúde restaurada,
com a vida posta em ordem,
com Você em minha vida
por Tua santa vontade imperativa,
amen.

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

Dancin's Alright.

Ressona.
CAXAPOU!
Como uma granada no ouvido.
Lembra?
Como um som que bate turvado e agudo, progressivamente trazendo no bojo a camada grossa de um grave arreboado, que sorri como aquelas caixas tão fortes e grãs de quando a gente dançava todo galante e forte e glorioso e dono do mundo.
Ressona forte, miraculoso, belo, transfigurado e misticamente perfeito. E me lembra algo, me lembra alguém, me lembra uma outra vida, um outro tempo. E me lembra você, também.
A gente era é muito danado, é.
A gente não era? Lá, quando a gente era jovem era.
Nem tinha muito o que fazer - dançávamos para rir, para celebrar, para guardar a tristeza, e para tirar uma onda. E éramos bons, deixávamos os ditos "bons" - vulgares estrelas que não constelavam em nosso céu - fazerem seu ato de pavão, e depois, quando nosso som rolava, danávamos a ser, ter, fazer e viver.
Nós éramos de uma felicidade tão forte, bela e suntuosa, que quando ouvíamos o som junto, éramos o tipo de irmãos que nos abraçávamos e danávamos a cantar, rir, brincar e ser felizes. E quando eu ouvia o som com você, eu só queria te pegar pela cintura e dançar com você. Era o que eu mais queria, mulher...
E durante a semana, descíamos até nossa base para falar de música, beber, rir, e falar da vida - e sempre regado a música, doce música. Era música, não era? Sempre foi. Os gritos diziam, e os acordes tocavam, e nós, de olhos fechados, uma mão na fivela do cinto e outra com o copo levantado ao Céu, brindando a Deus pela vida, cantávamos altivamente, como se nossa voz quisesse vencer os decibéis da caixa de som que amorosamente nos ensurdecia.
E quando desligávamos o som, era o nosso som que ficava sendo feito no ranger dos dentes, dos ossos, dos corpos, da cama...
Ah, e é mesmo! Quando não ouvíamos o som, fazíamos o som! Descíamos com pau e corda até a casa santa e ligávamos na energia e dávamos energia. Eramos vivos e safos. Queríamos ganhar o mundo, e depois o palco aonde ressonávamos violentamente contra as paredes, os ouvidos, e os corpos de quem nos ouvia; e foi ali que soube, após a sessão, quando Che me ergueu pelos braços, que fui profeta: vivi pelo som, amei o som, aguentei o som e bradei violentamente como trovão na terra seca, e fiz alegria, fui alegria e sorvi alegria, e enquanto rodavam as trinta e três rotações do disco eterno, ouvi em mim todas as músicas da alma - das que tangiam, das que ficavam e das que partiam - e pude assim ouvir o Límpido Brilho Agudo Musical Translúcido.

De certa forma, éramos e sempre seremos o som.

Carta a Censora.

 1 - Prefácio e saudação;
Marcvs, escriba e preocupado, para a censora. Que teus olhos achem bom afã dessa letra que vos escrevo - cuja estava em parte ansioso para. [...] E me perdoe se soei rude no telefone hoje de manhã, foi apenas o desespero em ter alguém que estimo muito por perto.

2 - Jusificativa;
Sim, de fato cumpro a promessa de não escrever sobre vós, [...] E este mesmo texto, como to sabes, é a censura da censura pois não vem em público no seu integral, e caso o queira ler na íntegra, lhe envio em suma. Mas peça, ceda ao menos uma vez em vossa curiosidade, pois me sei bem que admiras a letra de teu escriba. 

3 - Preparação para a morte;
Enquão se apoias em meu ombro, diz que eu não vou morrer. Tenho cá eu minhas dúvidas. [...]  se não feito por e com amor, por e com caridade, e se não por e com caridade, pelo simples e livre exercício da pia misericórdia. Deixa, que das últimas lembranças do vale de lágrimas, sejam felizes por serem estruturadas com/em/por você.

4 - Sobre a vida;
[...] Se me dizes com forma de rudeza, lhe respondo com carinho, e se me abres o coração quando te enches de viño, me faço morada para que habites. Se de fato, precisamos ser maus, não há a necessidade de sermos cristãos, e se escondemos uma verdade no oculto de nosso peito que só denunciamos quando nos embriagamos ou quando sentimos a mão negra da morte, então somos hipócritas - cousa sabida que tanto eu quanto você odiamos. Das memórias boas entre nós dois que guardo, quero lembrar de você cantando e dançando nossa música de pijama na tua casa [...] (de fato, "evidências" poderia ser nossa música [...] ).

5 - Sobre a inconstância;
Respira. Respira mais uma vez. Agora segue. Sabe, que mesmo aquilo que mais me aflige e dói, se te fizesse feliz, o faria, e faria para ganhar teu sorriso em devolutiva. Faria para ganhar você. [...] E eles? Que são? Apenas material. Apenas material... por isso vos peço que não me ignore, ou tampouco no auge de minha fraqueza me deixe sem tua resposta, ou que mintas. Apenas me deixe descansar o que resta, pois não quero muito dessa vida, e o tempo que me resta, já escrevi acima como gostaria de gastar.

6 - Temperança;
Dizemos pois, que somos cristãos. E o somos. Mas, qual cristianismo é esse que co-criamos em paralela vida? [...] E mais além: é justo que aquele que sofre, pedindo a Deus por um pouco de bálsamo, seja posto para fora por cousas efêmeras, de jeito e sentido nenhum? Faz-nos, cada vez mais sentido voltar a raíz, censora ditosa. Ler a Santa Regra, rezar com fé. Pedir. Elevar-se diante de um Deus Altíssimo que tudo Ouve e Sente - Bom Pai, justo e misericordioso que nos toma no colo e faz-nos crianças para que possamos dormir em Sua presença e sermos protegidos do feo. Por mais que tenhamos nosso charisma, nosso objetivo está sempre pendurado no madeiro, para nossa alegria e salvação. E Ele, conhecedor de todos os corações, nos aliviará. 

7 - Sobre as expectativas;
"Telegrama-de-vêm-me-ver".

8 - Despedida e benção;
Peço a Padre Deus que te abençoe ontem, hoje e sempre. Que cuide de você e dos seus caminhos, e te faça feliz, e te dê boa saúde e boa fé. Que você viva mais, bem e melhor. Que Deus esteja com você o tanto que está comigo, e que você possa veramente Vê-lo e Senti-lo como eu vejo os peixes e pássaros, para que assim vejas quão belo É. Que Deus te abençoe e te ponha entre os Santos, Justos, Únicos, Verdadeiros, Patriarcas, Primeiros, Virgens e Mártires. Espero poder vê-la hoje a noite pois estou com medo de como ficarei hoje. De paz, e em paz; Marcvs.

terça-feira, 26 de julho de 2022

Argumento.

Se quiser saber de mim, ouça meus discos. Principalmente os meus favoritos: Os de samba de roda, os de progressivo, os com baixo marcado, e passe a mão na minha cerveja e sinta o que minha língua amava, se abrace na minha camisa favorita, e se te cabe saber, meu suor e meu perfume ainda estarão lá. Não vou e nem quero desanimar, apenas estou deixando tudo isso pra depois.
E eu, quero desesperadamente teu abraço e teu aconchego.
Se te interessar saber, eu ainda estarei nos lugares que tanto amei e cada pedaço de mim estará fragmentado dentro de quem eu tanto amo e tanto estimo como uma horcrux, e quando você quiser me procurar, ache-me nos sorrisos, nas minhas devoções, na minha fé, nos abraços que te pedi, na música que te fiz, nas cervejas, no Corinthians e tudo o mais que eu tanto cativei e cultivei. Se quiser saber de mim, fale com quem sabe de minha gênese, do meu agora e do meu fim; Pois quem souber de tudo isso vai te contar de mim, e quando minha carne for de terra, seu sorriso não me atingirá, e quando minha lamúria virar paz, você notará que tudo foi preciso como a ciência de Deus. Lírio.
Quando quiser saber o que eu sinto, vá nas igrejas que tanto fui e tanto amei, e chegando lá, dobre seus joelhos ante o altar e olhe: Seus olhos verão o que eu vi, e assim seu coração sentirá o que eu senti. E logo depois de sair, me encarregarei de te consolar, eu serei o vento em lhe beijar a face, serei o semáforo para atravessar, e a condução rápida e vazia, e quando chegardes em casa, serei a refeição saborosa e o descanso na cama com a janela entreaberta.
Serei a música que toca seus ouvidos, e que encrostada nela, lhe trará uma mensagem de atitude positiva. Ou realista. Mas nunca negativa; serei alguém que mesmo distante, estará mais próximo que você imagina, mas não nesta hora. E se você ainda me procurar, não me achando nisso tudo, saiba que em tudo eu serei, eu estarei - se você quiser.
Segurarei os dias, horas e minutos, ou os apressarei, e tomarei partido do que vale, assim como suas lágrimas serão nuvens que pedirei pra Deus rachar em forma de chuva, e com isso lhe darei toda a experiência de estar, ser e sentir. E nos avisos, na escrita do muro, na orla da praia, na síncope, na blusa que te veste, tudo... Ali sou eu, ali eu estou. E não faço por mal, nem me leve a mal. É apenas parte da minha palavra, minha promessa. Serei em você a saudade que eu sinto agora de você.

E o resto é apenas um detalhe.

segunda-feira, 25 de julho de 2022

Carta a André.

 1 - Prefácio e saudação;
Marcvs, escriba a André, escriba ad ibdem. Que eu, ao jogar meu manto sobre você, seja como meu Eliseu, e vá até onde eu não consiga ir, veja o que não pude ver e entenda o que não entendo. Seja melhor e mais do que eu já fui. 

2 - Amenidades;
Bendito seja Deus! Teu presente, além do material, é subilme em me dar de volta teu convívio em minha vida! Exulto em ais pela dor e pela glória de te ver homem feito, forte, e crescido e acrescido por uma majestade incorrputível, da qual vejo tua letra forte e precisa, tua justiça impecável e teu zêlo pelos teus - qual inclui este velho escriba de fim-de-feira. Leva sempre esse teu coração assim: forte, justo, belo e miraculoso sem ser manchado, e defende teus ideaes com a força que ergues, pois vejo em teu camiño coisas tão magnânimas que me alegro de ter visto quem eras, é, e Oxalá há de ser. Que o Bom Santo Antônio te valha!

3 - Preparação para a morte;
Te tomei como filho-de-lêtra mesmo sem saber se tens pae-de-letra, e te dei meu bastão, e não há necessidade de o honrar. Vi em tu (além do signo) cousas de minha juventude e enxergo em ti cousas que eu sinto, por isso lhe tomei ao modo de Isaías "Nada temas, pois eu te resgato, eu te chamo pelo nome, és meu. Se tiveres que atravessar a água, estarei contigo. E os rios não te afogarão; se caminhardes pelo fogo, não te queimarás. Porque és precioso a meus olhos, porque eu te aprecio e te amo, dou reinos por ti, entrego nações por ti. (Is 43; 1-2;4)" e fiz uma glória literária em ti. E meu acerto estava vero. Assim sempre soube, e hoje to confirmo; quando me chamar saudade, minha cadeira vazia não precisa ter assento esfriado pois a herda segundo minha vontade, e toma minhas leis pessoais para ti em forma de conselho, e diz verdade ao juíz, consola os aflitos, entretenha os angustiados com histórias, e aos que necessitam de camiños, dá-os exemplos - assim vos peço para que eu me satisfaça. 

4 - A Doutrina do Escriba;
Filhinho, o escriba tem como função principal ser um narrador sério (caso teu), ou debochado (caso meu) perante a história. Nos cabe a história em três pontos: parcial, imparcial ou em forma de fantasia. Eu escolhi o caminho mais perigoso que seria o imparcial, na qual não extinguo nada e nem ninguém de culpas, porém, sabemos bem que esse fator é um dos mais difíceis de ser elaborado. Nosso dever é guardar a história, ou inventar a história para que as pessoas esqueçam a penúria de sua própria história. Por mais que não sejamos postos em régua de igualdade diante do tempo, estamos aqui; sendo fortes e relatando tudo num breve tempo histórico - e quando nosso tempo passar, aí teremos valor diante do tempo. 

5 - Admoestações Geraes;
Seja feliz. E escreva de tudo um bocado. Sente-se na grama e veja as folhas das árvores dançarem com o vento, e se houver um lago ou rio perto, vê a água translúcida. Olha o Sol se deitando em cada coisa da terra, sorri, brinca e fica em paz. Cuida dos teus - como já tens feito - e faz mais por eles do que eles por você; nessa vida, o servo é maior que o Derr Konkistörr. Ser humilde, manso, e prestativo não é sinal de fraqueza e submissão - muito pelo contrário: é a maior prova de amor que se dá a uma pessoa e o maior exemplo de cristianismo e fidelidade a Nosso Senhor. Quem abusar, nos ridicularizar ou nos fizer de bobos é quem perde: nosso coração é imaculado, e nos fizemos prontos para amar, perdoar, cuidar e reconciliar como o próprio Bom Jesus nos pede. E é aqui que nos diferenciamos deles.

6 - Brevidade da vida;
Pensemos, pois na vida após o que vos escrevo, filhinho. Ela, tão breve e efêmera escorre de nossas mãos; logo, devemos ter felicidade, e lutarmos de forma pacífica pela paz de espírito que almejamos, devendo também não deixar nada para trás, tampouco o que sentimos, pois nosso sentimento é a extensão de nossa alma. E dado este logos a ti, te rogo que sempre seja claro, diga as coisas precisamente tendo as ventas, e após ter dito, tenha a paz e a certeza de que fez o melhor - e o que for de direito, pura e simplesmente teu, volverá a tua mão. Sorria, abrace demasiadamente e faça do amor cousa frutífera que extensa até ti e os seus, e eleve o cariño a forma de vida. E assim, seus dias serão extensos, fortes, belos, dignos e miraculosos.

7 - O Ato de escrever;
Escrever, pois, ser um escriba, é a fatoração de uma situação, e deve ser feita com muita prudência, seja a de forma realista ou de proforma fantasiosa. Lembra-te, que temos inúmeras histórias a contar: de caso vero e de caso pensado de nossas máquinas encefálicas, por isso, pontua a letra na tua pena, e dana-te a escrever, escriba! Faz tua forma, e divulga a cada rincão da terra das notícias e dos contos que permeiam o teu universo (público e particular).

8 - Sobre a solidão;
Sim, filhinho, lhe digo que nosso camiño é tortuoso e por vezes mui solitário. Digo isso de minha própria experiência, por vezes, me sinto só e tenho passado por muitos momentos sozinhos em nível de carne. Tenho passado por vezes dificuldades, ora materiais, ora sobre-humanas, mas mantenho-me, pois me disseram que o que hei de receber é maior do que pela purificação que passo. E sinto, a cada segundo, que por momentos, uma Potestade cuida de mim, e a Ele entrego nas minhas preces o alívio das dôres, o ter do que comer, o aliviar da dôr de dormir no chão, e de poder novamente ter com quem estimar e se entregar o côrpo cansado nessa solidão. Esta época, é minha época mais frutífera em escrever, e desfio textos, crônicas, contos e frases, pois na solidão, o escriba registra o momento, e, quando em perigo de morte, ele registra com mais afinco. E é isso que nos torna testemunhos do tempo presente para de certa forma sermos também ferramentas do futuro para entender e (re)viver o passado.

9 - Conselhos finaes e benção;
Agrado-me em vós, e tenho estima por suas formas literárias e suas visões sobre o mundo, e sei que mesmo quando aceitas de mim o bastão e o manto, tomas nova forma e incrementa em teu ser uma nova face - como toda carga que chega e se agrega em valor na nossa vida - seja literária ou pessoal. Deixo-vos no Sagrado Coração, e peço a Padre Deus que sempre guie teus passos, e lembra-te sempre de voltar ao começo; Deus te abençoe, Deus te faça um bom homem, Deus te faça feliz! Laudos do teu pae escriba.

sexta-feira, 22 de julho de 2022

Carta a Lilian.

 1 - Prefácio e Saudação;
Marcvs, escriba, para Lilian. Que Deus te acolha, ouça teus rogos e salve-te de ti mesma. Que nesta carta que discorro a vós possa eu mostrar por exposição histórica e teológica os motivos prudentes e perenes para mudar sua mente antes que você se arrependa dos atos que hão de se seguir. Tua carta me tomou três dias pelas idas ao hospital a noite, e por achar palavras precisas em te demover. Espero que leias com o coração aberto:

2 - Considerações geraes;
Devo admitir que mo encheram os olhos de cólera o que li de vós, e o caminho que te tomas. E o sorriso que nutria de ti, ó amiga, caiu e esvaneceu como areia em ampulheta. O engôdo que tenho do sangue sujo, junto com tuas novas formas de querer viver libertinosamente, e me dão mais nôjo e raiva. Aparta-te de mim, e do meu rincão se te for melhor tomar esse caminho que adiantas o passo agora. E abstenho-me de rir, mas sim me ponho na risca de levantar meu calcanhar contra vós, pois me lembro das antes de ti - das quaes alguma tu conheceste pois era também amigas de teu irmão: Rachæl, Luíza, Conceição, Ana, Mariana, Bep, e as justas que se perderam no caminho. Te rogo, enquão não te maculas: aparta-te de mim. É o demônio que te aconselhas, messalina! 

3  -  Preparação para a morte;
Tenho meus pecados, tristezas, e todo o restante. Mas, sei bem que eu na batalha para cuidar de meu fim, adianto-o. Gostaria que você também pensasse assim, ao menos não tomaria tanta rota errada como acerto e se arrependeria futuramente. Espero a morte como quem esperava a coragem da boa briga, ou de dobrar o sino no linguote. Espero a morte como quem espera a pena capital, e vivo enquão posso, e peço a Padre Deus que minha ida não afete o ecossistema que me arrodeia, mas, que se faça em expiação de meus pecados e pela piedade dos meus. Que seja eu sopé da porta para que Meu Bom Senhor passe. Se sofro, e Deus o permite, foi porque eu mesmo pedi que minha vida fosse uma forma de evangælho aonde pudesse perseverar na fé e que por minha luta, pudesse levar pessoas novas para conhecer Meu Senhor. E se a tudo passo em necessidade, aflição, dor e solidão, tenho Meu Bom Senhor a meu lado, e Ele me provém e restaura tudo em Seu tempo e de acordo com minha necessidade. 

4  - Perca de fé;
A Fé se faz necessária, mas a perca dela é fator comum. Nós, de gênero humano somos fadados pelas tentações demôníacas (tal qual as de seus futuros atos) a termos um afastamento de Deus. Mas devemos a todo instante e momento volvermos nossa carne e nossa cabeça a Padre Deus, e dando-nos este tratamento, logo estaremos propícios a estar com e em Deus - seja por costume ou por aprofundamento da fé. Comece com uma breve prece. Depois reze uma oração, e após isso volte a rotina. Ao menos, tente; talvez isso faça você voltar ao seu eixo de prumo. E talvez no orago, você possa ter assim ter finalmente consolação e sair dessa vida vazia e não cair no poço errôneo que d'agora queres a água amarga. LEMBRA-TE DE RACHÆL!

5 - Loucura da Santidade;
Todo santo ou propenso a santidade é louco, degenerado e renegado - e isso nos mostra a história e o tempo hagiográfico. A inquietação, o amor irracional pelas cousas do Céu, e principalmente a vontade de melhorar o mundo. De vera, ainda qu'o defenda o laicismo do estado, me vejo a crer que a melhor infraestrutura para uma sociedade é a pauta cristã; e não porque nós somos melhores, mas porque agimos de perdão, amor, justiça e misericórdia. E quando fazemos esses quatro feitos de verdade, abrimos nossa alma verdadeiramente, e O Justo Pai das Luzes, vai nos guiar e nos dar enfim, a paz que só Ele tem e é capaz de nos dar. 

6 - Medo de sofrer;
To me dizes do medo de sofrer. E vens dizer isso a mim, que jorrei lágrimas de dor fronte a musa? Vens dizer a mim que durmo no chão frio enquão minhas carnes vibram de dor e por vezes derramo sangue de meus ouvidos? Vens dizer a mim, que acordo todo dia a vomitar? Vens dizer isso a mim que me encontro só em gênero de carne? Vens dizer isso a mim que perdi o pouco valor financeiro que tinha guardado? Vens dizer isso a mim que passei duas noites no hospital após a dose da radio ter dobrado? Vens dizer isso a mim que estou sem força de batear roupa na mão? Eu sei o que é sofrer, e carrego no oculto de meu coração e elevo esse meu sofrer ao Bom Senhor que mais sofreu por mim. E não digo metade do meu sofrer, pois estamos em época temporã de criar mártires e fazer teatro do afã alheio. Você não sabe o que é sofrer, Lila. Louva cada pedaço, recôncavo, cama, fogão, geladeira, tv, dinheiro, roupas e amigos que tem. A vida ainda não te deu o vero sofrer, então roga a Padre Deus nessa piedade.

7 - Consolação;
Se eu puder me glorificar, que me glorifique no Senhor, e se for para exaltar, que sejam as virtudes dos meus, tão melhores a mim. O sorriso me consola, o abraço me alivia o fardo, a eucaristia me cura, e o terço me faz sentir forte. A minha consolação baseia-se n'Um Deus Misericordioso que desce até mim através de um afago, uma hospitalidade, um beijo, um almoço, um lavar de roupas, uma carona, uma ajuda, e nos milagres tão inexplicáveis que fogem de minha língua explicar. Minha consolação se baseia na minha fé e na minha crença, e agindo-as com mutua respeito, formam-se numa coisa só. E ter a consolação verdadeira, é saber que Deus dá, Deus tira, Deus restitui, Manda buscar, conserva e melhora. 

8 - Considerações finaes;
Deixo-te com Deus e o Bom Santo Antônio. Peço a Eles que mude tua cabeça e tão muito e tão logo você possa mudar sua vida e mudar seu jeito de ser, começando por sua nova escolha de vida. Ouve. Para. Pensa. Muda. E para melhor. Minhas preces e bençãos se extensam até seu filho, e rogo a Virgem Maria por vocês. 

terça-feira, 19 de julho de 2022

Preparação para a Morte.

 Alguns leitores tem lido as minhas últimas cartas (públicas) a amigos próximos, a quem os estimo. E me perguntam o motivo de no esqueleto armado das proposições das cartas haver sempre de ter na terça parte um capítulo chamado "Preparação para a Morte".
Bem, explico-vos nesta minuta:

É de fator humano que a morte é irremediável, e eu na condição de católico e afiliado ao carisma franciscano não tenha medo da morte, pois como nos diz Frei Francisco: "Louvado sejas Meu Bôm Senhôr, pela nossa Irmã, a Morte corporal, da qual nenhum homem pode escapar!", logo, me preparo para minha morte diariamente como todo católico deve(ria) fazer.
Monges, padres, santos, todos fazem disso um grã costume tradicional e costumeiro, isso não começou com Afonso de Ligório e tampouco se resume a memento mori. - expressão latina que evito ao máximo usar para não ser confundido com os ridículos da tribuna. Sou escriba.
Medito sobre meu fim, se fui frutífero ou de boa estima, e se eu também deixei frutos, se apresentei bons atos de fé para os meus e a Deus. E entendo, que iminentemente eu vou morrer, seja pela moléstia que me aflige agora, ou depois de qualquer outra forma, mas, dado o atual cenário, me preparo para poder dizer e fazer da melhor forma; não quero ser ou soar dramático, pois, a ideia é justamente aprender a lidar com o fato da morte, e saber que uma hora me chamarei saudade - por isso, dado a exemplos que vivi, escrevi (e ainda estou a escrever) cartas e ensaios dos meus pensamentos e opiniões sobre a vida, das pessoas, e as minhas impressões da terra - não gostaria de ser mal-interpretado e tampouco que pensem "o que será que ele pensaria disso?" Por isso, em formas de escritos, deixo para trás meus textos, conselhos, admoestações e forma de vida geral para compreensão. 
E isso de forma certa não é para me por em condição de mártir, mas apenas para aqueles que buscarem a saber os meus últimos passos, saibam o que fiz e vivi pela melhor pessoa: O cronista, Marcvs. 

Grato por tua leitura. :)

quarta-feira, 13 de julho de 2022

Entrevista ao zine ¡Ahi Gabriel!.

 (N. do E.: Texto traduzido da entrevista ocorrida na segunda passada para Vicente Garranzón para seu zine de leitura underground argentino ¡Ahi Gabriel!, que sairá em veiculação na última semana de Julho).

Perfil: Marcus Queiroz, 30, Brasileiro, mas acha Garrincha melhor que Pelé. Escritor de mão cheia, mantendo há 15 anos um blog de crônicas de sua vida pessoal, poemas e textos de virtude e sentimentos bem precisos. Em setembro, lança seu primeiro livro: "Entre as Cidades", de trama gostosa e envolvente, de estilo eclético e bem trabalhada com palavras de acesso direto ao corpo da história, que gira em torno de cinco amigos, tomamos a frente e o entrevistamos com a exclusividade clandestina de sempre falando de seu panorama geral, perspectivas, forma de texto e amenidades, confira:

Legenda: AG (¡Ahi Gabriel!)
MQ (Marcus Queiroz)

AG: Marcus, obrigado pela disposição em falar conosco! Em primeiro lugar, gostaria de dizer que você continua sendo um dos melhores escritores underground do Brasil, e como você mesmo escreve, da Piratininga!

MQ: Obrigado, Vicente. E fico feliz em ter acompanhado este zine ter nascido lá em 2015 e tanto tempo depois estar sendo entrevistado por ele. É uma boa alegria!

AG: Diga para nós Marcus, como se deu o processo de "Entre as Cidades"? Ele se encaixa em alguma corrente literária?

MQ: Bem, é um livro de pequeno teor, creio que ele não esteja em algum tempo literário. Mescla um pouco da vida, com alguns valores alegóricos, mas nada puxado para algo absurdo ou que não possa ser sentido por qualquer um - a ideia é justamente dar ao leitor a sensação de história fácil, que pode ocorrer na vida de cada um. Eu literalmente tive um estalo e pensei "ok, vou escrever um livro". E assim nasceu num raio de seis meses.

AG: Eu admito que quando li a parte um achei muito interessante, mas na segunda parte eu perdi o chão. Você considera esse seu magnum opus? Porque para uma obra sem ambição nascida em seis meses, ela tem uma carga muito forte.

MQ: Na verdade, não Vicente. Para mim, "XXVII" ainda é meu magnum opus. Foi uma das poucas coisas autorais que consegui trazer do seminário ainda em tempo quando saí. Para mim aquele foi meu melhor trabalho. E ainda continua o sendo.

AG: E eu sei que é um assunto que você evita falar, até mesmo com o saudoso Ali do Cosmos, mas, e os outros dois livros anteriores? Você realmente não os tem? Não seria interessante podermos lermos também?

MQ: Grande Ali! Deus o tenha entre os justos! Bem, os dois livros foram um fiasco! (Risos), eu perdi muito da esperança de escritor neles, e o 1° livro ainda tem uma ligeira parte solta no blog - fragmentos para ser exato. E o 2° livro que tinha o nome de "O Segredo do Sol", para uma surpresa minha, eu achei completo numa arrumação, e fiquei até feliz de ter visto, mas não penso em publicar ele, creio que vai contra muita coisa que hoje acredito, e talvez a opinião pública também não gostaria.

AG: Tudo bem, mas depois me deixe conferir!

MQ: Claro, lhe envio! (Risos)

AG: E sabemos que infelizmente você está doente, mandamos daqui de Argentina nossos sentimentos de cura e melhoras. Pelo visto, você também deixa transparecer um pouco em seus últimos textos sobre seus sentimentos nesse quesito de sua vida pessoal. A sua escola literária também transparece muito no que você escreve. Isso é intencional?

MQ: Olha, intencionalmente nunca foi, mas não deixo de ser influenciado pelas minhas leituras. Isso é para qualquer escritor que se enquadra também num foco de leitor. Atualmente tenho lido muito sobre teologia, e depois disso me inseri num contexto de back-to-roots, aonde eu poderia transitar entre meus tempos literários.

AG: Devo admitir que as suas últimas postagens, no caso as cartas, estão de pro-forma impecável, e de uma realidade translúcida, porém desesperançosa.

MQ: Não podemos ser fantasiosos o tempo todo. Por isso aboli alguns termos do meu glossário pessoal - a Feira da Renascença, por exemplo. Era uma figura de linguagem que amava, mas abandonei.

AG: Eu adorava a temática de contraste entre a Feira e o Crepúsculo...

MQ: Idem, mas partir do momento que um texto deve ser acessível, devemos ter palavras mais cabíveis ao entendimento, tal qual as expressões e figuras.

AG: E os planos para o blog, Marcus? Quais seriam as metas para o futuro? Você conseguiria manter ele num processo de curto prazo enquanto trabalharia num próximo livro, por exemplo?

MQ: Creio que sim, sabe? Eu não estou afim de escrever mais um livro, e creio que "Entre as Cidades" não teria uma continuação ou ramificação - ao menos se Teresa (personagem do livro) fosse uma raíz que interligasse os dois. E enquão isso, eu preciso até de certa forma do blog para ir escrevendo coisas aleatórias para ir aliviando a cabeça ou praticando outras escritas; o meu gênero de escrita favorito ainda é a Crônica de Ordem Social.

AG: Marcus, não duvido que você seja capaz de fazer e manter isso. E me alegro muito em ver o blog em definitivo e em aberto. Para um leitor de primeira viagem, sua escrita é totalmente fechada, mas no seu livro pelo que percebi você usa uma linguagem acessível e dinâmica. Tem algum motivo?

MQ: Bem, na verdade o blog é mais um alfarrábio meu. Caso eu esteja com Alzheimer no futuro, ali é um lugar que eu posso entrar e sair, transitar tranquilamente sem ter como todos perceberem entre as minhas memórias. A minha sorte foi ter escrito de forma reclusa, com palavras arcaicas e expressões tão minhas que até quem acha que sabe do que digo, se engana! (Risos) E quanto ao livro, bem, livros tem que ser acessíveis, não?

AG: Com certeza.

MQ: Então é por isso que escrevo dessas duas formas.

AG: Marcus, quais os planos para o segundo semestre deste ano?

MQ: Bem, divulgar o livro, escrever o máximo que puder, e aguentar firme até a festa da Transfiguração. E agora podendo tomar uma cerveja


AG: Marcus, uma pessoa singular de humor sarcástico e de grande verdade, leitores! Uma honra ter você nessa edição de ¡Ahí Gabriel! E esperamos poder fazer uma resenha longeva de seus escritos.

MQ: Vicente, mais uma vez agradeço pela chance de falar um pouco de minha trilha literária, e espero que você possa gostar de meu livro. Assim que eu terminar as prensas, lhe envio uma cópia física.

AG: Eu agradeço, amigo. Uma última observação?

MQ: Apenas agradecer pelo carinho e o convite! ¡Paz y Bién!

domingo, 10 de julho de 2022

Carta a Adilson.

 1 - Prefácio e saudação;

Marcvs, escriba, para Adilson. Que tão belos cujos teus feitos sejam os teus quereres sobre a terra, e que teus feitos reproduzam a verdade e a bondade.

2 - Primeiras impressões da terra;
Diz-me coisas belas do teu labor, e coisas belas da vida, e mais belas ainda das que se passam em teu coração. Francamente, faço de tua alegria a minha alegria, e faço de teu amor o meu quando me falas de quando sentes a terra girar, ou tens percepção maior e melhor da vida que se amplia nos teus braços. Dizes também de teus paes, de teus irmãos e nossos amigos - cujos todos parecem estar bem e em paz. Agradeço os amplexos enviados até mim, e rogo que você os remeta em anexo de volta a essa carta, incluindo ao Toninho da Rampa e ao Tio Fungo! Aos meus, de Tiradentes, a quem estimo em saudade e espero ver em breve.

3 - Preparação para a morte;
Deixa-me ter a tutela do que me pertence. Esse é meu tempo, minha vida e minha morte. Não pertenço, pareço ou padeço a nada disso, e digo-vos em peito aberto que querer o fim não significa a falta de perspectiva, e sim o cansaço de um passo mantido. Pois, se tenho a sorte da boa vida, a vida não tem sentido, mas se tenho também o agouro de uma árdua vida de batalhas, que sorte teria? Não há. Das decisões que tomo, sei que essa pode não ser a mais sábia, mas é a que me deixa mais em paz - e se de fato Deus está no firmamento, que Padre Deus cuide de mim, livrando de mim o que não tenho em conta.

4 - Sobre entender o viver;
Senta-te ao meu lado, e não diz nada. Apenas ouve e não obterá som de minha voz, pois, se sentes a terra girar como eu senti alguma vez, ela há de te dizer tudo; se o vento te falar algo, ele vai te dizer tudo o que penso, assim como o que o mundo exprime; se teu coração pulsar forte e desesperadamente numa busca inquietante, logo entenderá tudo o que verás ao seu entorno. E isso, meu amigo, lhe digo sem sombra de dúvida que é a vida, e diferente do que o ancião nos diz, a vida não começa num ponto final. A vida começa de um princípio por ora gerado, que nos constitui. O fim é mentira. É mato.

5 - Sobre a maturidade/maioridade;
Quando você crescer, você vai ver que nada é tão preciso, e muitas vezes nós vamos e podemos perder o controle da situação - e isso não significa nada. Nossa maior luta (enquão amadurecer) não se baseia em controlar a situação, mas sim em como poder aguentar tudo com maestria, graça, deboche e glória - ou como me dizia teu irmão Jairo: "Eben-Ez-Er, Ox". O ato de se achar superior em relação a vida é um grã erro, e afasta-te disso; Sempre, quando puder, olha para dentro de ti e se ponha numa condição pequena, para que o lucro obtido seja de valôr próprio, e não estimado.

6 - Sobre o amôr;
Encontre uma mulher, e seja feliz com ela. Uma que te ouça no tanto que você a ouve. Uma que te ame no tanto que a ame. Uma que seja sua no tanto que seja dela - que não lhe importe se ela tem posse, profissão de fé ou se ela tem algo a declarar na tribuna, mas, que ela delegue a ti o seu coração, e você sem medo algum posaa deitar o seu coração com o dela para descansar de tantas e todas as coisas. E isso significa tudo, se não significar muito.

7 - Conselhos finaes;
Vejo em ti grande futuro, e alegria. Mantém a alegria, e não se renda a tristeza - entrega-te ao desejo da boa vida e faça tudo o que for prudente para recomeçar para sempre quanto preciso. Não tenha medo do inimigo, nem de suas leis; cria tu as tuas leis, e faz tu tua forma de viver. Seja um Jaguar XTR. Seja feliz. 

quarta-feira, 6 de julho de 2022

Carta a Giuliano.

1- Prefácio e saudação;
Marcvs, escriba e escritor, para o terceiro Giuliano que agora vaga em águas internacionaes. Que Deus te guarde, e te esqueça aonde. Alegro-me por tuas palavras, e entronizo as minhas, como em via de resposta as tuas, para poder dar-te a alegria de saber de mim - cousa que acho repulsiva pois n'um telephonema resolveríamos isso de forma amistosa. 

2- Admoestações, perca da fé;
Ainda me chamas de Pedro, mas, peço que me chame de Marcus. Marcus, filho de Fabio e Neto de Fabio Magno. Não sou quem vêes, e a cada dia apago mais minha fé, e tenho veramente abandonando-a com constança, tenho não mais acreditado no que o vento diz, pássaros cantam e peixes falam; tenho não mais rezado o Ofício, e tampouco desfiado terço, e tenho posto em régua a crença minha em Padre Deus - E considero veemente que andei errado todo esse tempo, de forma que só fiz charitas, mas ainda sim apagou-se em mim a chama do viver e a alegria de servir ao Divino, cuja fé agora não sei se o tenho. Tenho cá estado muito comigo, e afastando-me de escopo religioso, creio que talvez desperdicei meu tempo e meu momento. Fui Luís e Fui Pedro, mas, Sou Marcus. Marcus dos Queiroz.

3 - Preparação para a morte;
Por mais que tenhas um arsenal de argumentos, guarda-os. Tenho cuspido e vertido sangue, e além disso, tenho as carnes ora fortes como jovens, e ora fracas, e elas vibram de tremer, como se eu fosse claudicante; como pouco, pela falta de apetite e tanto como não ter como comer, ainda passo por algumas privações, mas sigo firme como sempre o fui. De fato, como vos disse, não penso e nem pretenso atentar contra minha vida, mas, começo a cada vez mais querer desistir de algo que tantos me pedem, e percebo que a cura é mais maléfica do que a ida. Talvez, só uma vez, eu não queira nada mais do que a pura vaidade carnal de me sentir querido, amado, e de após quase quatro meses, tomar uma cerveja. Queria um churrasco, queria um afago, e poder ouvir minhas músicas sem me preocupar se alguém vai ou não gostar. E talvez, estando eu do lado de fora, não tendo essas preocupações, possa ser e estar feliz, e calando as coisas que ainda doem em meu peito, eu consiga ser e estar feliz. Entenda-me, e lê-me com prudência, morrer não me afeta, e possivelmente seria até bom para com quem diz estar comigo, não anseio a vida, e desejo a partir de agora voltar a fazer tudo como antes, apenas para ter um fim ao meu gosto. 

4 - Último peixe, e consideração sobre a ida;
Escrevo-vos pela obediência que consome, sobre o que vi, e espero teu chrisma sobre, de fato que temos ainda fatos a adconjunturar quão voltardes do Vaticano:
Ele se assentou ao meu lado no sopé da escada sem que mo percebesse, e desvelando a capa, tirou o capucho com as duas mãos aonde pude ver seu rosto pacificador, e abrindo o lado da capa, tirou o braço e pôs sua mão sob a minha; e eu, já acostumado, sorri de volta sem precisar de maiores explicações - fez ele me olhar as pessoas, os sorrisos em suas faces, e a tôrre da igrêja; me tomou pela mão como sempre o faz, e andamos entre o mar de gentes, e sorrindo brotava entre crianças, flôres, côres, incælensa e azul, vi o sorriso que me cativa, e sorri de volta - e aquele que me guiava sorria porque sentia o meu pulsar de vida diante de tanta tristeza e solidão. Quando senti a dor de sangue sujo, ele me acomodou entre seu abraço, e deixou que me mantivesse inerte por um momento. Por sua ordem, deitei a dobra de minha mão contra a musculatura que doía, e não senti dor, e mesmo sem saber, deixava que eu pudesse ser mantido e segurado. E por onde andávamos, tinha peixes ao nosso redor, de tal forma que pareciam que se faziam em tapetes para andarmos sobre. Nós estávamos simplórios, e estando eu sob a tutela dele, não senti medo algum - nem de vergonha, nem de medo, nem de morte. Quando ele me deu a ínsigne, me disse: Toma, é pequenina, mas valor tem maior que tôdo, guarda-a e mantém-a; e envolvi-a de tal forma que mesmo se meu coração não quisesse, senti ali que era de valia, e tudo isso, de uma forma geral, me fazia sentir vivo, íntegro e inteiro. E não animava-me a ser quem sou, viver e ter fôlego para ir adiante, por considerar querer ter a morte, mas considerava que até chegar na minha hora de morrer, ele me dizia coisas pertinentes sobre o Sol e o Céu. E eu, repelindo tais palavras e sortes, sentia dor a cada renegar em minha carne. Que, de maneira eu poderia fazer apenas consentir mesmo que meu coração não fosse ofertado nesta forma e maneira. Ainda em mim arde o ir embora, de forma como ele mesmo queria quando era tão carnal como eu. Ele sorriu, abraçou-me, e ao olhar para mim, o disse: Teu peito é semelhante ao Peito que buscas; que apesar de maltratado e amado tardiamente, tens a gana de sempre amar de forma abundante. És agradável aos olhos do Senhor, e por isso to vives!; e obviamente, amei com ódio o vaticínio que me foi dado via peixes/embratel. Mas agradeci e pedi a tutela ao pai dos peixes para que eu pudesse apenas fazer uma última bandeira a meu modo, de minha maneira. Queria eu sorrir. Queria estar vivo para 'queles que estimo, mas sei que estou morto. E por isso atentei e atento com desejo afã de morte contra minha carne, para não ter mais ou obter mais contra o que me mantém. Ainda me sinto só, e mantenho o passo diante da situação, e só levanto meu calcanhar contra os meus desafetos, abrindo a boca apenas para bendizer Meu Bom Senhor e desejar a morte para estar co'Ele na festa do lugar - me vale bem mais do que o vale de lágrimas que me foi ofertado, e apesar da Boa Consolação, meu peito se arrebenta, e sinceramente choro. 

5 - Desejos e vontades;
Diz-me de teu sonho, e me sinto honrado pela confiança em saber de tais coisas. Mas, rogo-vos que pense, pois é de fato mui arriscado perder uma vida por um sonho onde não haja a satisfação de ser feliz e estar feliz. Se a mulher não te eleia a beijar, abraçar e ter em paz, não te mereces, e se o Sol não esquenta as carnes, inútil o É. Viver, de um modo geral, se torna inútil. Infelizmente, me pedes conselhos de coisas que não posso dizer sobre, e só poderia me debruçar em cima de meus alfarrábios, ou consultar meus decanos para lhe dar um aviso pertinente, mas ainda sim, saiba que podes desejar o mundo, mas nem todo o mundo será prudente para você. 

6 - Leituras;
Pare de ler apenas uma escola literária, e adentre em todas. Abomino e disconjuro-te ao fôgo do inferno por terdes tantos livros e apenas usá-los como aparência, e rogo-te que sempre volte a tua gênese literária, para que o seu princípio sempre se mantenha vivo. Leia da patrística com o mesmo fulgor os catedráticos, e leia com zêlo os apologetas de mesma forma os doutos. Ter um favoritismo não significa fanatismo, e na tua condição, ampliar os horizontes para ter mais meios do que falar me parece ser mais prudente. E lê meu livro, necessito de tua informação acerca de minha letra.

7 - Sobre a morte;
Diz me de uma importância, mas, qual? O local que me encontro, a direção, nada disso importa. No fim, isso só foi um momento efêmero e agora, me entregando a hora certa e irremediável do fim, espero que nele obtenha tudo o que não obtive quão em vida, e que eu, morto, não seja alvo de lágrimas falsas e tardias, pois a esses amaldiçoo e renego, e bato meu falar contra eles.

8 - Consideração final e despedida;
Seja feliz. Não leve desaforo para casa. Saia na mão. Brigue. Grite. Laudeje violentamente contra tudo e todos. Exponha seu ponto de vista, mesmo que na base da agressividade. E não tenha medo de errar. E que sejas bem feliz.

sexta-feira, 1 de julho de 2022

II Carta a Bep.

 1 - Prefácio e saudação;

Marcvs, escriba e com uma dor do caralho par Bep Andrade e os seus, a despeito da última missiva que muito me preocupou e deixou exultante.

2 - Pedidos geraes;

Alegrou minha vista tua carta, e meu peito exultou de alegria em saber que já adiantaste tua vinda com Rodrigo e teus rebentos. Ai de mim que esteja íntegro para ganhar um abraço teu! Cuido-me pela certeza de te ver, mas espero que você esteja cuidando também de si mesma. Muito me preocupa essa moléstia que pega Digo pelas ventas, e sigo em orações. Deus o abençoe e o ponha em saúde restaurada. Faz uma sopa de frango com bastante mandioquinha pra ele, ajuda a melhorar: para algumas doenças, o amor é o maior e melhor mecanismo de cura.

3 - Preparação para a morte;
Me alegra que to venhas em Agosto. Falta um mês. Dia VI é a festa da Transfiguração do Nosso Bom Senhor. Eu quero muito estar de saúde boa para ir, Bep. Ainda consigo andar com apoio, e apenas nas cercanias, e as carnes doem pouco. Mas, o cabelo não caiu, e nem a pele acinzentou. Só dor e dor mesmo. Tenho sim; para todos os casos me adiantado e me preparado para a ida, encerrando ciclos, despedindo prematuramente e esperando qualquer coisa de qualquer pessoa; de alguns recebi apoio, de outros, recebi as costas viradas.
E eu, sem poder ter o que fazer ou como fazer, chorei, respirei, e pedi a Deus que Ele fizesse o que quiser de mim.

4 - A vontade de Deus;
Não era verdade que o Senhor Andrade era um belo tenente? (Deus o tenha entre os justos) Que lutou contra o crime enquanto nós estavamos na escola rindo, fumando e ouvindo Pink Floyd? Eu associo isso com ao que Deus nos faz: enquão vivemos nossas amenidades, Deus nos guarda. Enquão olhamos nossas minúncias, Ele nos desvela. Quão triste é! Não notamos o cuidado, mãezinha! Triste daqueles que só sabem quando não o tem. Ai de nós, Iervsalæm, pois estamos atentamente lutando para abrir nossos olhos.
Nós, Bep, somos de água e vinho: Somos os tatuados que tem veneração pela eucaristia, somos os que contestam, aceitando dogmas, e somos principalmente os que amam em demasia, mas defendem seu lugar tenente. E isso, de certa forma "apologética mambembe", é o que nos faz ser católicos de fato - não rezamos terços em vão, e nem fazemos cenas e trejeitos. Somos o que nosso coração pulsa e nossa alma emana, e por isso Deus se inclina a nosso favor, mãezinha.

5 - Sobre as percas e desilusões;
Sei, minha irmã, quão difícil pode vir a ser entender os designos de Deus. A mim, não cabe entender, apenas respeitar, mas; Toma cuidado e vigia a porta, pois, quem diz obedecer a vontade celeste fazendo valer a sua, tem mais culpa do que qualquer outro. Eles, fingem viver em Deus, mas se preocupam com aparência, dinheiro, status, comidas e lugares, e nós, minha amiga, desprendemos de nós mesmos para ir atrás do outro resgatá-lo, cuidá-lo e amá-lo, trazendo de volta do caminho transviado. Pagamos nosso débito pondo-nos em serviço do evangelho imutável que não pede dinheiro e coisas temporãs e malditas; mas que pede justiça, misericórdia, perdão e amor.

6 - Sobre o segrêdo;
Quanto ao segredo, guardo-o. Mas louvo e bendigo, e espero ter olhos para ver a esperança que é gerada e se vela na flôr desabrochada. Quão bela alegria saber de cousas boas e justas em teu caminho! Que Deus tenha amôr-sem-fim, e que Rodrigo melhore para vocês consumarem tanto mais e mais!

7 - Sobre a Nê;
Sim, ainda a amo. E sim, ainda a sinto a falta dela. E não, ela realmente não voltou, e só Deus sabe como isso ainda dói. Por vezes me pego pensando, pondero sobre, mas meu coração não aguenta tanta coisa sobre o que está acontecendo comigo, por isso me mantenho quieto. Eu ainda penso nela, mas creio que ela nem pense em mim, ou nem tenha mais algo de ter comigo. Graças a teu parlório,  eu ouvi músicas que me lembram ela, e lembrei do mais terno amor que tive. E por ela, eu me mantive. Hoje, ainda sinto a falta, e Deus sabe que adoraria tê-la comigo para enfrentar essa tormenta.  Mas sim, se mo perguntas, não há uma hora do dia que eu não pense nela.

8 - Sobre a Piratininga;
Aqui ora faz sol, ora faz vento. A Piratininga continua sendo como sempre foi uma mistura climática diária. Nada muda, nada é, tudo continua. O centro mudou bastante, e quando vierdes há de ver como está mudado.
Bares fecharam, bares abriram, pessoas mudaram, mas algumas ruas tem os ecos de nossas cantorias de madrugada, e algumas ruas tem os ecos de nossos pais; hás de ver que na Piratininga, a mudança não tira o seu fator imutável.

9 - Benção e despedida;
Abençoo-te, e te rogo em paz, e de paz em paz roguemos ao Senhor. Que Deus te abençoe e abençoe tua família, lhe pondo entre os Santos, Únicos, Justos, Primeiros, Profetas, Virgens e Mártires. Espero-te animosamente.