Não quero, na verdade, falar nada ou ter a ver com nada.
Quero o silêncio de toda uma vida, para que na desordem da eternidade possa eu descansar - e no amontoado de palavras, desorientado dando uma pausa na leitura - possa eu ver e entender o que está rolando no movimento dos barcos. E quero ver aquilo que abrilhanta meus olhos - vinde ó ditosa, alegra tu o que em mim não cabe.
Reina em mim, como os raios que interceptam a janela apesar de toda a escuridão que acerta o circundar de minha cama.
Quando, pois, entristecido ou reflexivo, deve-se pois tomar do café e andar, até sua mente cansar da vista colorida e distorcida, e assim voltar para casa para dormir mais um pouco.
Desci as ruas, enquanto a fumaça do meu cachimbo incelensava cada pedaço da calçada, e eu, deixando a cidade fazer sua sinfonia sobre mim, permiti viver um segundo. E antes que fosse tarde, ou antes que fosse cedo, encerrei os braços nos bolsos e sorri para a leve brisa que bagunçava o cabelo e desajeitava a barba me senti útil ou vivo de forma, como se fosse isso o que buscasse ou amasse a vida toda. E ao eiar os olhos para o andar alto do prédio, pude jurar por instantes ter visto você; não que fosse coisa alguma importante, mas um leve disparo em meu peito se deu.
Fechei os olhos.
Suspirei e me reneguei.
E triste, segui.
"Vivemos dias de rebelião".
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