Muitas pessoas me pedem um glossário para entender o que falo, escrevo ou determino; mas devo admitir que durante tempos eu tentei aplicar uma mini-glosa aonde eu pudesse escrever minhas palavras e dialéticas para que as pudesse traduzir... mas achei estranho.
Eu sei que a escrita é travada, mas como todo entalhe no seu desbaste puro, tem lá sua beleza. Mas assim como uma escultura, penso que meus textos deveriam ser lidos e re-lidos para chegar numa conclusão definitiva: lê-se de parte em parte para chegar em todo.Meus textos são codificados sim. Cheios de entremeios e situações que só podem chegar até quem veramente os pertence - e por mais que você possa achar que seja escrito para você, repense; se for para você, logo saberá por um jeito, uma frase, ou algo específico. E na verdade, escrevo de lágrima, de desabafo, de irromper, para extenuar de mim aquilo que muitas vezes tira meu sono, ou por poucas vezes escrevo para me ganhar o sono, e livrar de mim aquilo que as paredes lembram, a cidade grita, e os sinos dobram, e as flores gemem.
Fui recentemente laureado com a notícia de um livro a ser publicado, e isso me alegrou. Fui recentemente assolado com um acidente doméstico e isso me desolou - e assim segue a roda do mundo. A alegria e a tristeza andam lado a lado no meu coração e assim tento sobreviver dia após dia, assim como inúmeros tantos outros seres humanos nesse mundo, e repousa em mim (ainda teimoso) um sentimento de fé e esperança que não pode ser apagado - seja pro meu bem ou pro meu mau.
Alguns lutam, e eu apenas espero as ondas quebrarem no mar. Não tenho pressa, nem medo, nem raiva, nem nada. Apenas, literalmente, espero aquilo que o coração deseja, a alma ora por, e que a mente não consegue esquecer. E de certa forma, sei também que não sou esquecido, pois dei de mim e deixei em mim toda a minha dedicação, todo meu amor, afeto, zêlo, e afã. Sou dos petrinos, mas sou peça inestimável, calunga de louça, e de coração quasar.
Sou da Piratininga, que agora zela pelo meu pai.
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