domingo, 22 de maio de 2022

Regina Cæli.

Ao te ver, meus olhos travaram. Sempre meus olhos te travam ao te ver, como se fosse sempre a primeira vez que lhe vejo ante a este mundo belo de coisas boas e magníficas.
E renasces em meu peito a cada dia, a cada segundo, vindo até mim pela mente, pelo coração, pelo pedido e pela razão: Te ornas em beleza autossuficiente, que é maldito todo anel, todo brinco, todo esmalte e toda maquiagem. Te ornas em mel, que tua voz vibra cada pedaço de minha carne, e meu coração é reagido com choque elétrico quando te vejo próximo a mim, e teus olhos, como que sondando cada recôncavo de minh'alma, me inebria, e teu sorriso? Ah, teu sorriso... farol de dias de solidão, atracadouro de esperança e beleza aonde reside a boca mais bela, de beijo perfeito, que se eleia e reside minha glória e perdição - canto da sereia, porta entreaberta, cama macia e arrumada, e lamber panela de brigadeiro.
Ao te ver com Cæciliæ no colo, foi inevitável associar com as inúmeras vezes que lhe imaginei com Teresa ou até mesmo Antônio, e ao te ver radiante com um rebento no colo, não me admirou e nem me assustou em saber o quão perfeita você será quão for mãe. E te ver de véu, foi algo que por muitas vezes cogitei ver, mas, ao te ver no lado puro do lado puro, vi a outra face da amada que nunca vi. E meus olhos, por mais que estivessem mui afincados em vós, se fixaram no mistério pascal que merece mais atenção que ti - e não me leve a mal, são apenas negócios.
E ao sair da igreja, para trocar a roupa suja de sangue e suor, desci para a Boa Morte, e depois olhei o Santíssimo, e me rendi em casa, e ao descer minha rua, lhe vejo no renegade marrom (vermelho?). Você está me perseguindo? :P
E o Sol, diferente, me trouxe você pela coincidência, e me trouxe você pelos caminhos, e no tabaco de café e no tabaco de jack paiol para cachimbo. E ao ir na igreja do fim da tua rua, para levar ao meu irmão ateu ao cristianismo, me escusei, mas não consegui não pensar em você, no seu vestido e no seu oxford.
E no meio da noite, subindo a Conde, um passarinho cruzou o Céu semi-estrelado. Nos cumprimentamos, e era Deus.

E você, como sempre, estava irrepreensivelmente bela. As it always. 

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