sexta-feira, 26 de outubro de 2018

General Confession.

Ok, vamos lá!
A questão toda do Brasil atualmente se designa em 13 x 17. Esquecemos da cerveja pendurada no boteco, das orações que fazemos em nossa comunidade, ou se temos um trocado para comprar um pão, é tudo resumido como "O bem contra o mal", coisa que deveria ser mais simples.
Aqui do lado de fora, vejo amigos se limitando a degladiar ofensas, e até mesmo eliminar-se da vida um do outro - tudo bem um ser corinthiano e o outro palmeirense, mas votar diferente de mim, nunca! - a cabeça do brasileiro no último ano atrofiou de maneira incrivelmente assustadora.
Eu, por escolha, decidi viver o carisma franciscano, e por isso tenho sido taxado de "comunista", "amigo de vermelho" e "passível de corrupção", sendo que escolhi viver de maneira ampla, geral e irrestrita viver o evangelho do Cristo Pobre e Crucificado, mas Vivo e Rei! "A terra é bôa e rica, e nela há espaço pra tôdos".
Vivemos num Brasil plural, cheio de riquezas e coisas boas, e pessoas de índole boa, vivemos em unidade, mesmo quando desgarrados, nós somos o povo que depois da briga no futebol de rua nos sentávamos e dividíamos a tubaína no saquinho. Até onde a estrada vai dar para perceber que a tal briga por lado político não é uma briga, e sim birrinha? Independente do voto, é necessário a votar com sabedoria - não por candidatos indicados por sacerdotes, parentes, ou "arautos da verdade". E sim, pela leitura, reflexão, indagações e conhecimentos acerca do seu candidato e o plano de governo dele; Nenhuma aliança política é 100% puro-sangue, e nenhum governo tem um plano de governo 100% bom. Nem nós, enquanto seres humanos, somos 100% dotados da graça de Deus.
Vejo jovens agindo como velhos senhores, conhecedores de virtude e sabedoria (até a página 3), e pessoas velhas, que retornaram a infância e julgam uma inocência que no tempo deles houve quando eram crianças, mas, que ninguém nunca provou que realmente houve inocência, ou justiça - apenas o contrário. Profetizo (e não em tôm de profeta) em meu tempo a loucura do tempo abaixo dos Céus de Deus, aonde tudo se mostra estranhamente reverso, nascendo velho e morrendo novo, e os que detectam o torque certo da engrenagem da máquina são os loucos, irracionais, marginalizados pelo que carregam no peito. Os mesmos jovens conservadores que vão na missa de véu, fazem petição por missa tridentina e tem padre de estimação que vai contra o Santo Padre de Roma, falam de proclamar as "novas cruzadas" (sic), são as mesmas pessoas que estimam uma melhora no Brasil (como o outro lado).
Sinto, e vejo nestes meus contemporâneos que eles não aprenderam nos livros de história, e sim querem provar o amargo, para saber que não é bom. Pessoalmente (e agora sinto as pedras, a benção, Glorioso Santo Estevão), para mim, votar no 17 é ignorar todo o trabalho da Igreja Católica no Brasil, pisar na memória de Dom Paulo Cardeal Arns, e dos Frades Dominicanos (e isso, só os casos mais conhecidos), que abertamente cuidaram e estiveram de pronto a lutar contra um regime ditatorial que nos extinguiu de alguma liberdade, verdade ou senso de vera justiça. Gostaria de não votar no 13, mas, ainda sim o prefiro. Vejo famílias se destruindo, intolerâncias efervescendo, e pessoas se tornando animais peçonhentos, por um assunto que deveria ser discutido com sabedoria, e não fanatismo e loucura. Que Deus tenha misericórdia de nós, e o Glorioso Pae Francisco olhe por nós e nos dê a chance de obter a graça divina de paz nos desaventos - que as amizades retomem, que os amigos se abracem, que os sinos dobrem, que os Céus turvem, e as garotas ouçam.
Kyrie Eleison.

Nm 6; 24-26.
Jo 16;33.
1 Pe 3;11

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Dağlar Engel Oldu.

Bep;
Hoje o Céu daqui pareceu-me o Céu de Londres. A Londres de D.J., a minha Londres - ah, os quatro quarteirões, os casacões tão alinhados, o sôm desalinhado tão potente sôb os ouvidos de tocar guitarra de fone pra não irritar os vizinhos, o licor, o vento cortando com a garôa rente, e o vento acarinhando o cabelo - E não me apercebi de imediato que a vida tem dessas coisas, e trás dessas coisas. Bep, ainda tenho um leve resquício de juventude em mim, que brada e briga com as correntes e pedras que me fiz prisioneiro (Deus sabe que nunca por mal, nunca por mim) para ter ainda a vida livre, a vida entre os dentes como as coxas da dama louca que amei com gôsto de paraíso. Bep, viver tem sido um barato melhor que aquele dia que descemos a Augusta quando tava tudo sem luz nos postes (afora as pontas de cigarros, baseados e luzes neon). Sua mão segurou a minha tão forte, e pela primeira vez me lembrei da breve oração; Quão suntuosos foram nossos lábios, ao estar em terreno inimigo, dizer o que os das garrafas não queriam beber, e dos que fumavam não tragavam em seu pulmão, e dos que comiam, não alimentavam. Ai de mim, Bep, se não o fizesse, nem com você, nem com eles, nem comigo. Ai de mim se eu morrer sem nem nunca ter dito que era de lágrima agridoce, foi pela causa, foi pelo reino, foi por tôdos, pela criança que dorme na Rua do Thesouro de madrugada e apanha da polícia, da mãe solteira que pega ônibus até o hospital com o bebê em febre, pela avó que visita o neto encarcerado, pelo pai de família que pela tristeza se entrega ao vício do álcool, pelos meus contemporâneos que só saberão do que digo na hora de morte, e a êles bendigo e bem-aventuro: A morte deles não lhes farão mal, pois a mística divina os intercedeu, mas para mim que sei os esquema das Ave Mariae tudo, estou lascado! Porque a segunda morte pode me fazer mal se eu não fizer bem feito, e na minha hora de solidão, se não for por Deus, não há de ser por ninguém.
Ah, Bep, Cecília está a caminho, e ela tem cheiro de Ventura, cheia de amôr no seu alfanje, vem trazer esperança na minha carne nova, mas de alma tão anciã. Cecília corre como o vento londrino que sai da Picadilly Circus, e cai na Líbero Badaró passando pelas janelas dos paifrades até chegar no meu coração. Sei que vem e vem em bonança, para me lavar de tristeza e lavrar em melhoramento. Quem diria, Bep? Após tanto afastamento, minhas profecias ainda dão certo, apesar de algum delay. Deus é Excelso, e descobri a sorrir (mas ainda não consigo tirar fotos sorrindo, e inda ponho a mão na bôca ao rir e gargalhar, 'quele trauma inda continua). Aprendi a ser beneditino nos pensares, dominicano nas declamações e atrações, e franciscano com tudo aquilo que está ao meu redor. Inaciano não, ainda não. Talvez depois da segunda morte. Ainda existe aquele gôsto de ferro na bôca, Bep. Uma tristeza e aquela agonia juvenil. O medo. As cicatrizes mostram nossas lutas, mas quando o vento bate nas nossas cicatrizes, elas doem, ardem, parece que se refazem de agonia, e nos lembram de alguns acidentes de percurso, mas calma: Estou aqui ainda, não do jeito que nos conhecemos, mas talvez um pouco melhor, um pouco mais experiente e barbudo; Vendo a vida em tudo, e entendendo as pessôas, e não as mostrando em abrupto, mas apenas deixando que os Véus caiam sutilmente e tradicionalmente - o têmpo da cólera já passou, não posso tomar armas com o têmpo e querer que tôdos evoluam como eu, tampouco que tudo ocorra numa medida, as coisas irão se formar e acontecer quando precisarem, cabe a mim meditar, perseverar, orar, jejuar e a Deus entregar. Vês como mudei, Bep? Mesmo sendo o mesmo, de mesma essência, não sou mais o mesmo. 
Não sei quando voltas, ou se vens visitar os teus daqui d'além-mar, mas, quando vier, avisa-me, tenho muito a te dizer e contar. Sinto falta das tuas sardas no rosto, tuas saias e botinhas, e aquele sorriso de quem conta com o ovo no cu da galinha. Sinto falta de gente mortificada, mas viva no espírito, de tal forma que sua alma aparecia mais que suas pernas. A invenção que superou o inventor. O cabelo multicolorido, e o Véu para entrar na igreja. Os piercings, mas decorar a Ladainha de Nossa Senhora, as cervejadas, mas acordar cedo ao domingo para ir no missal da massa. Faz falta, Bep. Lembra-te de mim quando entrar na Matriz, e passando pelo Rossio, toma um vinho por mim (ando trocando amarelas por carmins), e peço-te que reze incessantemente por mim, e pela salvação de minh'alma, que errante erra, relutante reluz, e aceita asceticamente. Te faz em saudades do teu exílio, mas sei que daí estás bem com teu garôto.

Um abraço do;
Queiroz, o Marcus.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Holy Are You.

Ao longo de minha vida, não fiz questão alguma de existir ou ser reconhecido (ora por música, texto, discurso ou modus operandi); apenas fui logrado de um lado pro outro como um brinquedo na boca de um cão raivoso, e quando percebi o que me restava, me apeguei ao pouco (do) que me restava; como areia, (o que me restou) esvaneceu de minhas mãos, e não senti mais nada, apenas senti que deveria vagar como um eremita penitente que procura nos caminhos a existência de Deus, ou algo que lhe tire essa dôr do peito e o amargo da língua - e assim eu vago. O meu contentamento se basta nas pequenas coisas e ainda sim consigo achar Deus nas pequenas - e verdadeiras - coisas, mas ainda sim minha parcela humana sente dores e apeia em aboio (prova de que ainda estou vivo, talvez?), há horas que o riso finge nascer, noutras, o choro vilânicamente tenta desabar, e em algumas a horda de coisas se torna tão forte e intensa que só me resta respirar o máximo que posso e (não) deixar as águas me afogarem.
Não permita, nem por um segundo que eu me afaste de ti, Excelso, olha por mim, e pelos caminhos sinuosos que desentortei e fiz valer, logo tornar-se retos, para não me desvirtuar mais. Como ovelha perdida, fui achado por Você, e Você mesmo me restituiu na Tua graça e Presença, dando-me nova chance e nova forma de vida, restituindo-me de tudo que fiz. Mostra-me com Sua Presença que ainda vale algo desta vida, ou que as coisas irão de alguma forma se ajeitar - por momento vejo apenas uma nebulosa sinousa, e por vezes não te encontro, nem te Vejo, nem te Sinto, como se você não deixasse eu te Ver ou te Sentir - não que Você não exista, não é este o ponto, mas o que dói é que nas horas em que tudo se acerta, logo tudo piora de uma maneira tão abrupta, e tão logo, as coisas que estão sôb Tua mão, não me deixam entender o porquê de tão virada brusca de ares. Não me consome o medo, Excelso, apenas me consome a diáspora e a aflição, e além disso, me assusta o quão ruim as pessoas são, e que ela não entendem as suas lutas, apenas querem que sejamos igual a Você durante sua hora de solidão: Escurraçado e humilhado, sem tempos de bonança ou calmaria. Apenas flagelo e dor.
Permita, ó Deus, que a morte segunda não me faça mal, e que neste momento, não consiga sentir mais nada; e quando o aço gelado cortar minha carne, a fuligem se torna vento, e o sangue se rarefaz; que a morte não seja um término, tampouco um final, que seja um nôvo chão para os meus pés cansados, e que quando toda a dôr acabar, não exista mais dôr - que a dôr seja o fim da dôr.
Não permita nem por um segundo que a tristeza seja o que maltrata, e tampouco vá me matando aos poucos, fique mais um dia - Como a corrente de ar, que ela vá embora, tangendos os sinuosos ventos, e que não atrapalhem de forma alguma a ninguém, que haja a paz nos desaventos; que os sinos toquem, que as lindas garotas ouçam, que os Céus turvem, e a vida se transforme. Quando o jarroio carmim pingar ao solo, não haverá mais nada, e quando a carne desgrudar, não haverá mais nada, e quando o vento levar, não haverá mais nada: Nem gritos, choros, risos, erros, maledições ou coisas que possam nos abater.

...Mas não é engraçado, que os bons são os primeiros a serem ruins?

terça-feira, 26 de junho de 2018

Blusa de Linho.

Cecília, todas as cadências e nuances são seus. São eternamente e totalmente teus. Todas as formas, texturas, gostos, tempos, tons e contra-tempos, viradas e arremetes; Ah, Cecília, meu coração está tão afã esperando você. Minha vida inteira seria apenas meia vida se eu não te esperasse ou não te delegasse minha forma de vida - seria loucura de vida se você não estivesse comigo o tempo tôdo do tempo do mundo, e seria maior loucura se eu não soubesse que você seria tutora do meu caminho com o Cavaleiro Guerreiro do Cavalo Imaculado.
E quando os sinos dobram, eles falam de você, e quando as pombas batem as asas em bemol, são arrebóis das tuas pentatônicas, os motores dos carros afinados em Fá, das nuvens que se fazem de escala para sobre os prumos dos Céus, te ver escrever um cântico nôvo. Um cântico de amôr, um fôlego de vida pro teu filho, para esse coração cansado, para meu secularismo tão curto, e tão intenso, tão cheio de histórias que levei até sua casa para te pedir discernimento, e coragem, e proteção.
Vire-se para o Sol, ó minha flôr-de-novembro, quem te mandou se olhar para uma erva rasteira de março assim? Deve ser de ti, providas das lágrimas de nossa senhora, que nos deixam crescer como as trepidantes trepadeiras que nascem fazem, crescem sem pedir licença, somos nós quem nos fazemos assim - nos sabemos. A tua côr solfeja um Lá maior setimado me amenizando de crescer tão rasteiro, mas me fazer entender que te divides da tua fôrça comigo, e daí do teu lençol freático, me lança a água. Água Viva.
Ah, Cecília, me delegaste a função mais franciscana e mais dominicana do panteão, me fez ser de música e para a música, e na hora da rejeição, quando os outros viraram os seus alpendres e altares, você me acolheu na tua casa e no teu holocausto. E hoje sou coluna com deficiente destreza de teu pilar, estou rachado e esmaecido, mas estou aqui, e por você, eu sou. Me trouxe na rés da sociedade, aonde me valho de pouca música que me vale e me basta, aonde conheci os meus e os meus (poucas vezes) me valeram, e aonde pronunciei teu nome, e o nome dos Teus, e Do Teu. Preguei sem pregar, e rezei sem me aperceber, chorei por lágrimas floridas de escalas de Mi Menor, e sorri quando o Fá em nona contrastava com Ré em nona, dando aquela nossa dissonância que ninguém entende, mas que nos faz tão minha, e tão seu.
E assim, vejo o quanto nunca estive só desde que você se dispôs (e não há outra palavra, Mãe, sabemos disso mui bem) a cuidar de mim. Me fiz menino, para esconder debaixo do teu sari, para chorar minhas tristezas e louvar minhas alegrias. Na hora da solidão, foi minha amiga, na hora da tristeza, meu conforto, na hora do medo, minha estrutura, e quando duvidei, você foi quem me trouxe de volta pro lado de cá. E quando a barra pesava (como tantas vezes pesou e ainda pesa, ainda pena), corríamos nós dois para debaixo do sari da Mãe das Candeias, e lá acampávamos até a tristeza e agonia passar, foram tantas percas, e tanta tristeza, tanto gosto de aço na boca, e tanta fuligem no rosto, o ocaso, e desânimo que você livrou de mim - Ah, Cecília, como é boa a vida do teu lado, e como é boa tua tutela sobre minhas carnes. E se te cabe saber, todas as vezes que de madrugada amei a madeira contra as cordas de aço, foi procurando você, foi querendo estar com você. Foi me valendo de você, que me refiz, e aumentei as apostas na crença do Invisível, fazendo dessa vida menos cã quando você está aqui comigo, o tempo passa mais devagar, e as alegrias se tornam mais doces, e o som se deixa uniforme, e você mostra os caminhos das pedras para chegar até o Excelso.
Foi por você, que ainda estou aqui. E é por você que quero ir mais longe, quero levar o teu pendão até onde eu puder, e divulgar a missão, disseminar a palavra sobre todos os solos, e dizer todas as palavras que não te pôdes dizer, e que minha língua pode (e vai) dizer. Quero a alegria de te encontrar e dizer: Bom trabalho, garotão. Quero te encher de te orgulho e te dar um cheiro, e sentir você por aqui. Até o fim.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Cais.

O encontro com o amado, mesmo que com a lamparina cheia de azeite, é muito dificultoso, Abba. Tem sorte os que crêem n'Ele com força e altivez cega, e nunca por um dia n'Ele duvidaram ou questionaram seus designos - o caminho ao Excelso, de tão fácil, chega a ser tão díficil, tão pesado, tão torturante, que se faz traiçoeiro, não por Êle, nunca por Êle, mas pela conduta e pela vida que se leva depois de sentir o maná do Divino. Senhor, dai-mo de bebêr está água!
...E desesperadamente, cá nós (eu daqui, você daí) querendo se estreitar com Deus, aos trancos e barrancos, rezando por sinais, por um sonho, revelação divina, turvação nos Céus, sangue na hóstia, dinheiro no chão, promoção no emprego, beijar aquela moça, e pondo os sinais/prova/credo de Deus não na existência de Deus, mas sim em nosso benefício. Não queremos a prova de Deus por ser Deus e nos amar como filhos D'Ele, mas sim queremos que ele nos dê aquela "ajeitada", um "empurrãozinho", uma "agitada". Queremos que Deus seja Deus e nosso empregado.

Senhor Jesus Cristo, Filho de Davi, tem piedade de mim, um pobre pecador.

Disse Santo Thomaz de Aquino: "Deus não é uma medida proporcionada ou infligida, por isso não é necessário que esteja conosco em gênero de criatura". Mas, mesmo não estando em gênero, está em tudo e em tôdas as coisas podes ser encontrado, apenas nos esquecemos deste pequeno detalhe, assim como sempre perdemos as esperanças e esmorecemos, afinal, somos humanos, e errar faz parte de nossa natureza em trilha ao acerto. E como é difícil, Abba, trilhar o caminho certo, e fazer as coisas que ressonam em nosso coração serem atreladas aos deveres, e mais além, conciliar tudo nessa vida tão puta, que nos quer, nos usa, cospe e só nos torna a ter quando temos seu pagamento. Como é pesada a porta que abrimos e quase sempre se fecha após entrarmos.
No silêncio dos bancos, eu me encontrei, nos barroquinos e nos marrons de três nós. No meio dos moradores de rua com seus corotes, com a alegria dos confrades, e do Cristo pobre e crucificado, no terceirismo. E ainda sim, enquanto abro esta nova porta onde meu corpo pagão, mas já limpo passa, me cansa, como se depositasse todas as esperança num altar aonde não ocorrerá o mistério da fé. Mas uma vez sinto - como tantas outras vezes sinto - que perdi o tino.
Sinto me desajustado, atrelado, feio, ignóbil, burro e bobo. E quando ando, não sei se os olhares que pairam em mim olham pelo fato d'eu ser coisa exótica que não se vê nas ruas, ou realmente realça em mim a aura do que carrego em mim, dos meus valôres, ou se resplandece em mim. Não sei dizer ao certo se no fim das contas se mostra a excentricidade d'eu ser meu, ou se as pessôas notam a incrível paz que carrego em mim por ser quem eu sou, e a felicidade que emano em ser o que eu sou; A cada dia me sinto mais distante das pessoas, e mais distante das coisas que me trouxeram aos lugares que gosto de ir, e me sinto mais distante da idéia comum de vida que meus amigos tem, e me sinto cada vez mais distante de entender o outro, quebro a regra agora para dizer ao menos uma vida que gostaria de ser entendido, e ter quem me console na hora da solidão. Mas isso é só uma nuvem que sempre passa, e nunca se pesa sôb mim.
Peço a Deus a fiança dessa vida no desterro de meu coração, que lavado sôb sua água e vinho desague o melhor de mim sobre os meus e os que mais precisarem de mim, e que eu leve paz e bem para tôdos os corações que eu encontrar, que eu ouça a linda moça cantar, que eu veja o Céu se turvar, que os sinos dobrem como se fôssem minha vida ali tinando no metal, Te Devm, Te Devm, Te Devm, até a última balada deixar de ressonar seu último Hertz. E ao deixar a chuva deixar ser alegoria metafórica ao panorama citado, a água nos lava do mal, as coisas boas acontecem e vão rolando para o solo, a nossa alegria reaparece, e o frio nos faz querer esquentar ou querer ser esquentados, e a casa vazia se torna cheia de cobertores, cães e gatos nas camas e união. E tudo vai se dando côr até a chegada do vermelho fôgo de São João até a definitiva instalação do painel de côres da Primavera.

terça-feira, 29 de maio de 2018

Pantocrator.

Santo fôste quem
antes de mim pisou aqui
Louvados sejam os que pavimentaram
por onde agora piso
Por, onde eu for, guardai ó Deus,
quem tenho comigo e quem no mundo esteve.

Volvei Vossa Face
para nós que andamos apressados
Nos desatinos dos dias
desaprendemos até a rezar
Perdoai, nossas faltas, ó Deus
e purifica nossas almas do mal secular.

O Sorriso mais belo
foi imolado gratuitamente
O pão repartido
Saciou tôda a congregação
E eu, tão pequeno, percebo ó Deus,
que Teus planos são minuciosos e perfeitos.

Vinde em minha ajuda
cubra-me com Tua destra
Livra meus caminhos do mal
e me mantenha em sua graça
Tenha, misericórdia de mim, ó Deus,
não deixem que nunca me separem de Vós.

Louvam-te tôdas as coisas
pois de Ti tudo provém
E em tudo que eu interagir
Sinta e veja tua perfeição
Misericórida, dos que não crêm, ó Deus
ensina Teu pôvo a amar e perdoar em paz.

Dentro de minha alma
cabe apenas Tua essência
Seu sopro divino
que me trouxe diante de Vós
Quão, sois bom comigo, ó Deus
por ter me feito um do meio dos seus.

Junto da Virgem Mãe
a graça nos chega como chuva
Torna-nos filhos diletos
das promessas que hão de ser cumpridas
Eu, confio em vós, ó Deus
e nunca me esquecerei de Vossa misericórdia.

Se a morte for o débito
pagarei com alegria
Ao saber que na vera hora
encontrarei o Redentor
Excelso, é Ti, ó Deus,
Que na eternidade há de habitar.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

So Sad.

Quando a alma se cansa, ela busca refúgio. E do alto de seu lugar reservado e inóspito, ela por vezes até manda recados a civilização do que está acontecendo pela dada necessidade de seu exílio, ou isolamento. Algumas pessoas escrevem, outras bebem, algumas choram, e outras se devotam a Mãe Cecília.
Há muita gente que quer ajudar, e há pouca gente que quer ajudar e entende o que fazer, como fazer: Cada alma é um segredo, um verbo, uma forma - não se há generalização no que se sente, cada dor dói de um jeito e cada rasgo sangra para um lado. Do povo que perece, sofre e padece, tenha misericória, Bôm Deus. Tem misericórdia do silêncio, mas não do silêncio pacômioso-monástico, mas sim do silêncio da alma, sujos olhos mostram na Íris Esmeraldina a dôr que carregam, e ainda si ri, ergue o copo, canta, e emana de si a vibração da carne em êxtase - é esse o pôvo, Deus. É esse o rastro que ficou de Você, nós que nos choramos, mas mantemos firme a híbrida forma de se segurar ante ao que nos maltrata. Acreditamos que uma hora tudo vira lembrança, e Sua bondade nos toca de alguma forma, e logo estaremos longe dessas tristezas, dessa solidão, dos medos, e de todas as coisas que nos interrompem de seguir vendo Tua perfeição em todas as coisas que nos rodeiam e estão em nós, por nós, conosco.
Estou em um deserto, só. E ninguém está ao meu lado e adjascência. Tenho meu masbaha em mãos, e na outra carrego minha saca, meus pés doem - ninguém sabe, meus olhos lacrimejam - ninguém sabe, minhas chagas se abrem - ninguém vê, apenas me tenho com a minha oração - E até onde a estrada vai dar, para eu ser do jeito que sou? Até onde minha cabeça aguenta saber de mim, e não do que há no mundo ou Sôbre ele? Pus-me a andar para a loucura não atormentar, e pus-me a beber para a minha racionalidade não me degenerar, e pus-me a rezar para agradecer por quem não agradece. Eis-me aqui, novamente na solidão de cais e casas, e no meio do mar-de-gênte, eis-me só, e com tantos ao meu lado, nenhum sabendo estancar meu sangue, e com tanta fé, me acometendo de heresias, e sustentando Atlaicamente tantos pilares que doem minhas costas e deixam meus pés cansados. Meus pés estão cansados. Minha barba já tem cabelos agrisalhados, e minha tristeza está atrás de meu cabelo, abaixo de meu sorriso, e de tudo que esconder do mundo, pois o mundo que há de ser bom, que receba bondade para continuar bom. E para mim, cabe o que Deus decidir, e que venha para minha edificação (ou total destruição), me sinto agora como o mítico personagem da canção: "Eu deixo a onda me acertar/E o vento vai levando tudo embora."
Deixe que eu não veja nada, e ninguém, que a minha fronte vá um anjo me acompanhando, e meu masbaha indique o que pensar, como pensar e porquê pensar, afaste de mim tudo o que tenho e tôdos que estão comigo, tire de mim tudo o que tenho, e afaste de mim tudo que é vão e que possa me danificar bem mais ainda muito. Lance sobre mim sua destra, e que sua providência me cerque, e quando essa dor me doer, manda-me a botica para sobreviver, e ser cada vez mais teu (Não permitais nunca que me separem de Ti/Na hora da morte chamae e mandae-me ir para Vós), e quando a dor passar, que eu consiga levantar e seguir com estes mesmos pés cansados, mas ávidos para seguir para lugar algum, apenas se curar dessa dôr. Permita, ó Deus, que no longo desse estreito que caminho, desse deserto tão infinito, em algumas passagens, haja apenas uma clareira de água, para que eu lave meu rosto, e molhe os lábios secos de bendizer Teu nome, e de brigar contra o vento e o Sol. Permita que com sua graça, a vida continue sendo a vida sobre qualquer circunstância e aspecto, e que um dia tudo chegue ao seu destino.

domingo, 13 de maio de 2018

Lá Vem o Dia.

Um dia,
virá o dia,
verá que a vida,
insistiu em passar sem parar.
e a guia
da Mãe Virgem Pia
lhe fez n'Ela moradia
para você os dias aproveitar.

Agora,
tudo lá fora,
já foi-se embora,
ficou apenas a tranquilidade do nosso lar.
Ora,
que tudo melhora,
logo a gente aprimora,
e Deus nos dá força para tocar.

Sorria,
inda que tardia,
desfaz da teimosia,
que a nossa vida é perfeita demais.
Alegria,
nosso mais-valia,
do humilde a bela ousadia,
e bendizer ao Excelso Bôm Senhor.

Que correria!
passou o dia,
e eu nem vi a flôr-de-Maria,
deixar seu cheiro pelo nosso Lar.
Nossa alforria,
e certeza bem cria,
é que a noite não nos agita,
Já podemos enfim dormir em Paz.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Luz Dos Olhos.

Abba, não sei se tens lido essas pequenas cartas virtuaes que mando daqui do degredo para Vossa Santidade, mas, como Pai (forçado) Espiritual, sinto-me obrigado a escrever para vosmecê. Não numa obrigatoriedade paternal, eclesiástica ou espiritual, mas pelo Frade Eterno que nos ensinou a fraternidade extra-ordens e pela amizade que temos - e numa tentativa de esvanecer minha cabeça. Deus o abençoe pelo seu tempo e Deus me abençoe pelas minhas inúmeras tentativas de me re-erguer.
Tenho tido muita saudade de minha avó, e tenho a matado da melhor maneira possível: Ouvindo Gonzagão a tôrto e direito. Ao menos assim a sinto perto de mim, e consigo ter em mim um pouco da fé e vontade de batalhar pelo direito-temente de vida que a minha Rainha tem. Minha avó, por um pequeno imperfeito-perfeito de Deus não irá durar para sempre, e isso me atordoa, mas tenho a completa ciência que a missão dela está se cumprindo: Criou os filhos, aguentou os pesos da vida, viu os netos vingarem, Deus me deu a maior alegria da minha vida que foi ser criado por ela e ser instruído na fé Cristã, e aprender melhor as coisas (simples) da vida. Enquanto minha mãe tomou tôdas as rédeas de casa, provendo sobre nós três, minha avó foi minha mãe, e minha mãe foi meu pai, não deixando nada em absoluto me faltar.
E considero engraçado que mesmo com tantos (des)amores, os únicos amores que me valeram foi o da Mãe das Candeias, Mãe Cecília, Antônia e Dona Márcia. O tão óbvio nos pega pelas ventas e nos faz sentir tão bobos, não? Só me sinto cada vez mais feliz e jubilante ao Senhor por ter descoberto isso em têmpo e poder devolver tôda essa doação de vida e amôr que deram para mim ao longo de suas vidas - eu faço bem menos da metade da metade, mas luto para fazer o possível e quando menos imaginar, fazer o impossível.
Quero tôdo tempo que eu puder, e tôdo tempo quanto houver pra mim é pouco pra dançar com minha véa numa sala de reboco. Minha vó me ensinou a me recolher na oração durante as fases difíceis da vida, e louvar a Deus nas horas bôas, assim como a ensinou aos seus filhos. E não existe honra maior que eu ter ficado embaixo do mesmo teto que ela.
Se eu pudesse, longe e livre de meus pecados, pedir algo a Deus, seria que ela durasse o máximo de tempo. Poder curtir com ela, ouvir a voz da minha rainha, dizer a ela que estou me cuidando, que a Cookie vae bem, e tudo se mantém firme, e continuo rezando, que os frades vão bem, e tudo continua legal - e com as contas em dia. Quero que a estrêla maior do meu Céu nunca se apague, mas sei que o brilho eterno dela irá me guiar e alumiar para onde eu for. Mas, como esse dia (graças a Deus) irá demorar a chegar, até lá vamos curtindo.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Gurbet.

Na esquina do Velho Centro, perto do 133 se tem a cerveja gelada aonde o pensamento se emudece e a vida parece acontecer na porta de fora do bar, e de repente bate uma alegria no peito, porque aqui no Brasil é carnaval no Céu Azul Anil, dia de Santo Domingo de Gusmão, dia de voar com os pés no chão, e tudo se toma um ar diferente quando qualquer coisa pequena transforma o dia. Para alguns, o amôr, para outros, o frio, para mim, a vida nas suas minúcias. Me vale mais o copo cheio do líquido do que posições de status, ou quanta gente importante eu conheça. E dessas pessôas que não entendem a vida ou seus sentimentos, tem misericórdia, Senhor.
Deus de misericórdia, Deus que se faz presente na mão dos sacerdotes, tende misericórdia de nós, e misericórdia dobrada dos mentirosos, que ao se viverem na solidão criaram um imaginário mal-sustentado que lhes fazem achar que alguém os aproxima. Tende piedade. Olha, Dulcíssimo, pelos que padecem de dôr na alma, dôr de orgulho, de farisianismo, de alguma forma híbrida de solidão e isolamento. Olha pelos idosos que muitas vezes se encontram sós, e pelos Irmãos Gentes e Irmãos Cães de rua. Do mesmo modo que tiraste Teu manto ao se cingir co'a toalha e lavar os pés de seus Santos Apóstolos, imploro que tire seu manto e jogue pros que estarão no frio, e pior que o Irmão Frio, é o Frio das almas dos Irmãos que não os vêem, ou pré-julgam, ainda falhamos grandiosamente com sua Santa Regra, Dulcíssimo. Tende misericórdia. Kyrie Eleison. Mercy mercy us. 
Olha por nós, pequenas formigas operárias dando cabeçadas aqui embaixo e nos abençoa dando-nos as novas chances e novas esperanças para aguentar firme; Evitar as mesmas velhas coisas de sempre, e nos dar caminho manso e de retidão aos que se maltratam em eterna rota de colisão. Eis-me aqui Meu Deus, profeta das estepes e menor dos outros, que leva Teu nome em bares cheios de gente risonha, bêbada e perfumada; Eis-me aqui, Meu Deus, o que te encontra a cada acorde, a cada sôm, a cada órgão tocado e sino dobrado; Eis-me aqui, Meu Deus, o que te quer mais que tudo, e estima morrer na Sua graça e Concórdia, e que por mais que não consiga entender, aceita Teus planos, pois na hora do desterro, foi sôb Tua destra que me valeu da perdição - adiante com você na estrada, que maldade me espera? Nenhuma, minha sina é ser ovelha do Teu rebanho, sentimento do Teu rebento.
Adiante, que a menina de pele branca e pés pequenos tenha os mesmos pés firmes para ir mais e mais em frente e sentir o vento assanhar os cabelos. E abençoados os casacos dela que escondem a cintura de seu corpo, e sua grandeza dentro de sua pequenez - na sorte de ter a conhecido, e ter tido, me bastou sua companhia, e aonde o vento a tocar, é o meu carinho por ela.
E que o Irmão Vento dê um abraço no Codó e em tôdos os meus, que estão aqui e os que estão lá do lado de lá, e que a vida continue sendo simples, e nós menos complexos em relação a ela, e exigindo menos de nós mesmos de esperando menos dela, e quando acharmos o milagre da queda das fôlhas no firmamento, entederemos o mistério velado dentro de cada um de nós.

domingo, 8 de abril de 2018

Silently Falling.

Abba, sinto-me a cada instante perto do que tanto procuro, e contabilizando tôdas as alegrias dessa vida, vejo que ando mui bem, e por ora Deus provê e tudo vai se encaixando, fazendo seu papel no universo. As cervejas inda estão geladas, a alegria ainda brota num momento bôm, os vento frios estão chegando, e o nublado está começando a dar suas caras - finalmente. A vida está começando a ser vida. E tudo tá começando a ser melhor. Bem melhor. A libra está se equiparando.
Os olhos ainda vêem mais do que enxergam e as bôcas dizem mais do que as línguas se tensionam, a vida em si ainda é vida e não é mais tão mal assim a idéia de se viver. Meus recém 26 anos me mostram que minhas prosperidades foram guiadas pela Mão Direita do Senhor, e que meus amigos são um barato. Tôdos eles. Mostram que apesar de eu não ser pai, este sonho não se morreu totalmente (aguente firme, Cecília, só mais alguns anos), que estou finalmente dominando a bebida, que meus discos estão ficando apertados na armarinha, e que Deus olha por mim. E há um carneirinho pulando no descampado do meu coração.
E tudo aquilo que estava quebrando ao redor de mim, aos meus pés, reuni e joguei fora, salvei o que pude e conservei o que não se alterou, e após a limpeza, ao ver o chão límpido e livre, pude ver que depois de me livrar de tôda a sujeira que me fazia perder as trilhas, agora tenho tôdos os caminhos livres, e se eu voar, Deus não me dará asas, mas, me fará riscar o Céu com as mãos.
Espero agora, apenas a derradeira, e de sempre, espero a eterna fôrça, a eterna coragem, a eterna humildade e a complacência de esperar em Deus e ter a fé para suportar tôdas as máoas e tristezas e deixar Deus agir em mim, por mim, e comigo; Vendo assim, a confirmação diária de algo que aprendi recentemente: Agradecer por cada coisa, por mais adversa que seja, pois esta situação também será fruto divino para minha colheita para minha sabedoria futura. De tudo o que quero, são meus amigos mais leais e dignos ao meu lado, a mão com um copo sempre cheio, um pouquinho de grana no bolso e uma excelsa alegria que abrasa meu peito e faz eu a dividir com tôdo o restante dos meus.
No mais, tento manter a esperança, confiança, fé e humildade aliadas, entrelaçadas e dijuntas a mim, não que isso seja para garantir minha vaga no paraíso, mas sim para fazer minha parte nesta existência conjunta ser válida e produtiva, para cuidar de meus irmãos, e para praticar o evangelho de Meu Deus e Meu Tudo. No mais, estou começando a colher o que plantei, e começo, a sorver o gôsto da espera perfeita.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Pois é, Seu Zé.

"A platéia só deseja ser feliz..."
Abba, sinto-me deslocado. Talvez, até egoístamente sozinho - há quem diga, maldosas línguas que deve ser o inferno astral. Quem me viu disse que era a quaresma, quem me sentiu disse que minha alma aboiava. Outras disseram que morri, mas a carne passa bem.
Sinto que meu coração, lentamente foi dissecado, e lentamente perdi os tinos e sensos de tudo, e hoje me sinto como o início de meu Salmo favorito (o 22º) desamparado de Deus, sozinho, e abandonado - mesmo sabendo que ele se encontra here, there and everywhere. Existem, ainda sim Abba, pessôas que me fazem desarmar as ventas e tornam minha vida menos triste neste mezzo-tempo. Maria continua sendo uma grande aliada minha, Bigous voltimeia faz a minha tristeza dar uns rolês, e Diana Pastôra me tomou como um dos dela, e me tratou como um dos dela. A vida, por mais triste e desesperadora que esteja sendo nestes últimos dias, não está sendo mais tão cã por conta deles tôdos - incluindo o Vossa Santidade Menor.
Deus ainda me sustenta pela destra e me guia, e talvez este medo todo seja por ser mais humano do que cristão e entender de uma vez por todas o que minha carne secular não permite: Os tempos divinos são diferentes dos nossos, e cada coisa acontece no seu devido tempo; Besta sou eu em achar que as coisas acontecem logo, e este tempo de preparação, de penitência, de contra-força, de zêlo, de contemplação me agonia tanto, me desespera, e me deixa assim, como se tivesse caído da mudança, ou como se eu fôsse o próprio Longuinho Lanceiro. Deus é quem me guarda, mas ainda preciso domar e catequizar a mim mesmo para os tempos divinos. Meu Deus, perdão pela minha intransigência enquão crente de Vossa Glória e Amôr; Dôce Coração de Maria, sêde minha salvação!
A falta do emprego ainda gera um desespero geral, mas não me deixa mais tão triste, meu maior medo é que eu não fique conformado nesta situação. Tenho um cão, mãe e avó para zelar e cuidar, afora meu futuro Terceiro para fazer, não posso me conformar. A maior virtude de um Franciscano me falta agora, que é a Irmã Alegria, e penso comigo mesmo que dos Terceiros, devo eu ser quem mais envergonho Pae Francisco, pelo fato de que não consigo cultivar e cativá-la por esses dias. Tenho sentido tôdos os sentidos do mundo, e o incerto me faz afundar os dedos na terra, enquanto me pego rezando para Deus não me deixar convencer pelo dinário do mundo, mas, me dando uma oportunidade de ganhar um dinário pra viver com dignidade - que encruzilhada, que bandeira.
Abba, ainda me cabe uma esperança cristã do amanhã, mas que parece tão longe, tão distante - assim como a alma de meu pai carnal, mas, ela ainda tem focos em mim, que por hora não consigo fortalecer ou deixar mais forte (tanto a esperança quanto a bôa alma de meu velho). A vida ainda sim continua sendo como uma imagem do Meu Glorioso São Jorge, em que sempre se apresenta em batalha constante contra do dragão da maldade, e só acaba quando a gente descansa - triste a sina deste trovador, não? - os xablaus nunca cessam, mas Deus está aí, guiando, e de vez em quando a gente esboça um sorriso amarelo, e tudo fica legalzinho, e a vida até parece que vai (não indo).
Uma amiga disse que eu nasci no mesmo dia que São Francisco de Paula também nasceu. 27/03. Meu avô se chamava Francisco, minha avó se chama Antônia, e eu sou o filho de uma devota do Pae Francisco, batizado numa igreja dedicada ao Pae Francisco, que pediu deste que eu estava no seu ventre para que êle me cercasse e me tirasse da lama do mundo, e bem, agora estou aí pelejando pra ser um Terceiro. É tão engraçado como Pae Francisco agiu na minha vida, e me reconduziu até o Divino, Abba, é tudo muito suspenso no ar e coincidente, mas, belo, carinhoso, parecia que já era para mim viver da vida Franciscana, e se devotar pelo Crucifixo de São Damião. O Cristo venceu a Cruz, e triunfante olhou pra Francisco, e agora, Francisco me conduz de volta do caminho que não deveria ter saído nunca.
Eu acredito, que estou voltando pra casa, bem acompanhado com o Pobrezinho. E espero quando chegar lá, que essa tristeza acade ou amenize. Amanhã, bomfrade, faço 26 anos, e não me sinto feliz, nem triste, me sinto apenas mais velho e mais experiente e com mais vontade de me perdoar pelas cagadas cometidas ao longo da vida, e de perdoar quem me quis mal, e seguir uma vida cheia de Deus, e cheia de paz. Mesmo que neste atual cenário mundial me pareça impossível.
Mas, ando fazendo pequenas coisas, para logo fazer o possível, e rogo a Pae Francisco que eu logo após isto consiga fazer o impossível.

1 Pe 3; 11.
Nm 6; 24-26

T

quinta-feira, 15 de março de 2018

Glorioso Santo Antônio.

Abba, os dias têm sido mui distantes um do outro, como se a semana se dividisse e cada dia fôsse sete dias, e cada hora se acentasse sobre o calendário, acalentando as candeias, deixando o pavio longo e a língua-de-fôgo fina e eterna. Parece que o tempo não passa, parece que nada muda, e que o vento só vem brincar com aquela velha e minúscula árvore que se há na frente do 133.
A vida aqui fora do claustro continua sendo difícil, e parece ser cada vez mais - tal qual ser cristão nessa sociedade, tal qual viver um evangelho tão fácil e tão torturoso. Sortudo de ti que se confina no olho do furacão, e cercado de marronzinhos do pau ôco, do côco ôco, de gesso, madeira tricentenária e gente que quer ganhar o Céu pelos títulos. Sabe, Abba, apesar de amar o 133 me pego pensando se Pae Francisco realmente queria tudo isso, ou imaginava tudo isso - é inegável a certeza de ofertar, dar e ter o melhor para Deus, em tôdos os sentidos, mas, êste ponto em específico ainda não pude entender. Deus quis assim, e a minha preguiça também. (Necessitamos de mais Alcantarinos, e uma cerveja gelada).
Como é difícil, pae, abrir a porta e ver novos horizontes e recomeçar. Do alto da minha falsa loucura, me fiz pequeno para viver com e como os menores - mas eles me mostraram ser Grãos; Veneráveis. E dos tantos Veneráveis, da Venerável, eram pequenos, eram menores, eram tão iguais a mim nas suas imperfeições e fé. Fé cega e faca amolada, peito aberto, e água e vinho. Mais água do que vinho. Os frangões saíram de minha rotina, mas ainda guardo êles em meu imperfeito coração pois foram também instrumentos de evangelização. Me tornaram mais próximo de Deus, e me ensinaram o valôr da gratidão, tanto que até hoje, rezo pelo bôm rango, temperado pela minha dôce mãe, mesmo com pouco tempero (a mulherada daqui de casa tem problema igual a mocidade do claustro, jovens com mais 45), e me ensinou que por mais que eu tenha meus repentes e desejos "pacômicos-monásticos", ainda sim devo conviver em fraternidade com a sociedade. A terra é bôa e rica, e nela há espaço para tôdos, e até mesmo nêste espaço, vi tantas vezes o amôr nascer, em mim e nos outros.
Infelizmente, Abba, tenho feito a igreja na ecclesia, e assim encontrado nos meus irmãos (Môça Diana, a Carneirinho, Bi da Jufra, a Camila e o Dhani, Julioso, Bigous, Olivio, Pedro, tanta gente...) as virtudes que tanto estimo neles, e visto meus defeitos nos reflexos das atitudes deles - daí já tenho meu Kyrie Eleison. Devoto meus ouvidos e olhos a quem precisar de mim, reparto o muito pouco que tenho com quem mais precisa, e assim já faço a glorificação a Deus pelos meus dons, e reparto-o dando trabalho e assistência aos que mais precisam de mim, e que eu os leve a Deus. E repartindo, distorcidamente comungo e oferto; Sabe Abba, eu tenho pouco, muito pouco. Muito pouco de quase nada, mas foi Deus que me deu, e me capacitou com meus dons e virtudes para que eu conseguir esse poucoo que me é tudo - Meu Deus me capacitou para o Meu Tudo. Meu Deus e Meu Tudo. Meu Deus é o Meu Tudo.
Abba, a vida tem se tornado bôa na mesma proporção que tem se dificultado. A loucura da Cruz é um difícil desafio vitalício, mas, quando as fôlhas caem e florescem em loucura na primavera, algo na minha alma vibra dizendo que vale a pena tudo isso, e quem é dos seus não se degenera. (ainda somos reis, e ainda somos profetas).
Apesar de ter tirado "um período sabático" do 133, aos 1ºs e 3ºs domingos estarei no anexo. Traga um frangão dentro do marronzinho, bonfrade. A nossa diferença é que eu fui infeliz, meu claustro, como o Pae já mostrou a Madonna Pobreza, é tudo o que circunda minha vista. E preciso começar desde agora a limpar e arrumar aqui. A luta é difícil, mas a alegria é o que nos salva da tristeza. 1 Pe 3; 11.
Paz e Bem!
Nm 6; 24-26.

T.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

How Soon Is Now.

Pelo vidro embaçado, caía uma chuva que cobria a vista pro alto do morrinho da extensa avenida. E da estação, totalmente encharcado, o pôvo que antes almejava por uma chuva se degladeia por uma cobertura e injuria-se contra os Céus, pelo fato da chuva não se programar para o horário comercial do eixão 8-18h.
Santo Deus, como somos patéticos.
Ai de minha bôca que se abrir contra o mal e o injúrio, ai de mim se eu fôr contra tudo o que acredito e defendo, pois aí cometerei o meu pior crime, leitor: Perdi meu têmpo e o têmpo dos meus sendo pedra ângular rejeitada, aceita e renegada por não pôder edificar ao meu Construtor. Ai de mim se eu não evangelizar, nem aos meus, e nem tôdas as criaturas, mesmo que da forma que eu faça, mas se apenas um ouvir o que lhe digo, se ao menos um eu conseguir, bem-aventurado eu que fiz jus a confiança de meu Dulcíssimo.
Existimos para reclamar, e nos tornamos mestres desta tarefa; Maledizendo tudo o que nos circunda, e o que nos afeta, e quando as cousas boas nos atingem, vemos por terça parte, e ao restante do dia não bendizemos ou damos graças devidas ao têmpo bôm - viramos escravos do têmpo ruim, fadados apenas a eiar o chôro trise, e quase nunca rompando o chôro de alegria. Enquanto filhos de uma potência que rege tôdas as coisas e independentemente de nossas escolhas nos rege, ainda sim optamos pelo facilitário da maldade, causando a prolíferação das cousas ruins, e não nos deixando inundar pela paz, ou pelo amôr, ou pelo bem-comum. E quando algo mui bom nos acontece, queremos acampar no Tabor, para viver a alegria eterna; Cousa bastante compreensível, até. A alegria deve ser eterna, mas a composição da alegria leva tristeza na fórmula, para se definir o tamanho da alegria, a nossa preparação para o contentamento, e nossa fôrça em sociedade, fraternidade e até mesmo interação com a Divindade.
A chuva desaperta, e o vento que (ainda) acarinha meu cabelo me lembra de tudo de bom, de tudo de que se foe e me deixou aqui - e o que o vento trás de bôm, a chuva molha e deixa fixar na roupa e na alma, e lentamente, cada pedaço que estava suspenso no ar, se atrela no ar, e as coisas fazem mais sentido, e a água retorna para o chão. O Firmamento se faz presente, e nos brinda com a chuva que tanto pedimos e tanto odiamos, com a carne moída que nos cansa de comer mas que faz falta, com as pessoas que nos tiram do eixo, mas, nos tira mais ainda do eixo não tê-las ao lado.
"Seriam essas nuvens, talvez, porta-vozes das lágrimas dos meus amados?"
E quando um de nós, asssiste, sente, percebe, toma a régula e se torna um dos devotos da perfeita alegria, é martirizado vivo, é trigo do Cristo, moído por leões bípedes e maledicentes, claudicantes e caducos de matrizes machucadas. Carregar o pendão do Carneiro é a loucura mais gostosa, e a dôr mais lancinante, mas, como já dito na contra-crônica linhas acima, é dôr passageira, que se louva e aceita, para apreciar a próxima alegria, dure o têmpo que durar.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Resonance.

Dôce vento, leve de mim tôdas as tristezas e preocupações, deixe ficar apenas o que se consolida, o que se faz verdadeiro de verdade por excelência e prazer, o que se faz verdadeiro pela vida. Vento, leva para o mar revolto e férreo tôdas as angústias e preocupações, e na hora da solidão, para o côrpo humano que mecânicamente trafega na rua, dá-o um arrebol de ar, circunda-o, faz-lo teu, toma a vida para êle, faz d'êle teu fantoche de vapor. E peço que para as alegrias, avenha com as brisas, aparando nas avencas, e fazendo as arrudas exalarem forte, e os juncos balançarem numa dança sincopada, cortando feixes de luz do Sol, e que nêste instante, permaneça a alegria eterna.
Da janela do edifício, uma alma respira dificultosamente, esperando um sôpro de vida, e na casa, uma janela aberta deságua pela rua um chôro murmurado da dôce garôta que está sem saída - mas que logo menos irá encontrar o alçapão abaixo dos seus pés, levar-lhe para outro lugar. Da torre daquela igreja, um Santo travado, com seus braços calcificados abençoa os pecados da última micareta, e ora pelo pôvo que nos seus diferenciais se faz tão igual - Das casas que erguem/De fôme que perecem - e mesmo assim se degladeia. O Santo surdo pelo tinar do Te Devm e com os braços dormentes e musculatura fixa apenas olha, com seu olhar carinhoso para cada um que se deixar encontrar e tocar por êle. E o vento, também se passando ao redor do Santo, carrega sua bôa energia para quem mais necessita; Sejam por orações, merecimentos, ou rota aérea. Deus é quem nos sabe.
O vento bate nos varaes dos quintaes geraes das casas, e faz a vida parecer inocente, sublime, verdadeira e bôa. E ela realmente é, mas, nós - Nós, os homens pobres do degredo, sua benção Dôce Mãe das Candeias - nos justificamos tanto, brigamos tanto, queremos vencer tanto, que não deixamos o vento batear as roupas, e nem o Sol as secar, apenas maldizemos a chuva, e o vento forte que as jogam no chão. E nós, recolhemos e temos o processo de fazer tudo de novo, de novo, e novamente.
Quero me desprender dos inúmeros véus que me cegam, e dar-te-os, Vento, e quero me entregar totalmente para você, e quando Tu, Vento, bater carinhando meu cabelo, eu iria perceber que foi ali naquele momento tôdo que esperei - que ali foi recebido de volta o penhor de tôdo o têmpo, tôdo o suor, tôda a fuligem que corre de minhas mãos...
Traga o que tiver que me encontrar, ou o que fôr do meu merecimento encontrar ao longo de minha caminhada. E leve de mim o que não se cabe mais em mim, o que não mereço mais, ou apenas necessita planar até outro ponto no universo. Mas apenas deixe as minhas ventas existirem para eu ser (mais) um (raro) das estepes que quer lhe bendizer, agarrar, sentir, se encher de Ti, observar, e compreender.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Menestrel do Sol.

Os dias monásticos-pacômicos de uma pessôa deveriam vir acompanhados de uma peneira filosófica, um copo de água e um disco para se ouvir durante a hora da solidão. Os dias mais monásticos de uma pessôa deveriam ser de penitência e perdão, balanço geral da vida, não digo isso num âmbito estritamente religioso, mas, de forma geral. Eu, enquão monástico, percebo o quão grato preciso ser, o quão forte me tornei, o quão solitário vivi, e o quão insensível me fiz para poder sobreviver a tôdas as contra-fôrças que me fizeram chegar até aqui - até o encerramento desses dias não sei se vivi ou sobrevivi. Apenas, com a ajuda de Deus, existi. Estou aqui.
Carece de mim uma forte vontade de vencer, aliás. Carece de minhas mãos, carnes, côrpo e espírito. Minh'alma geme e chora por ver outras almas gementes e chôrantes nêste valle de lágrimas, e peço para Deus e para os meus irmãos (mas que não me vêem como irmãos) a piedade para vivermos em fraternidade. Fraternidade não é comunismo, e a bondade não é compra de nuvem no Céu, e sim faz-se parte d'um grã exercício de conviver bêm em sociedade e nela cohabitar e sobreviver. Só posso vencer quando tôdos vencerem comigo, igualmente cruzando a malévola e suja linha-de-chegada que corrupta homens e os destrói. Estou errado?
A terra é bôa e rica, e nela há espaço para tôdos, até para a tristeza que nos ensina a crescer, evoluir, e ver a vida por mais ângulos penosos; Dado a isso, em tudo que se há espaço, gera-se mais espaço para cada um, e desse cada um, as respectivas histórias e opiniões, e assim segue a vida de forma incrível e digna, e lá fora, na garôa que tinge o alaranjado pôr-do-Sol, aquela alma caminha e se eia, se perde, se chora, se desmorona...
Enquanto a música toca, mais rápido se dança, e se usa dos acordes mais potentes e abertos para se desvincilhar da tristeza da orquestra sinfônica do dia-a-dia, se degladiando e pondo-se contra a batuta do Maestro - tentativa inútil, pois uma hora a ópera acaba. Uma hora a lágrima seca, e depois disso, resta apenas o silêncio, até recomeçar um nôvo sôm. A minha sorte é que as ressonâncias que chegaram até mim me deram até hoje a eternidade em sôm, e a imortalidade em acordes (A benção Mãe Cecília, a benção Pae Gonçalo), para não se acabar em um momento, mas de dissipar dentre a eternidade desse mundo afora.
E o que me resta, é apenas sentir tudo o que se esvanece da minha mão que nunca seria meu, e perceber que nem tudo que tenho é de meu merecimento, e nem tudo que possuo realmente é meu, e nem tudo que preciso é realmente útil, e que quando eu terminar de consolidar meu lugar no mundo,
as veras cousas virão, e terão comigo. Para sempre.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Beetlebum.

Se você sentir o vento, saiba que nele estará ditando tudo o que venho deixado em silêncio; Tenho tomado ares monásticos-pacômicos para me ausentar da sujeira e da maldade que vivi e ainda por ora sinto e presencio, tenho sorrido muito, falado pouco, pensado demais, e me guardando de menos. Tenho sido por vezes deixado de lado, enganado, afastado e encostado, mas, daqui do lado de lá do lado de cá, vejo aqueles ditos amigos, e vejo seu sucesso, a êles, minha alegria e graça por Deus. Vejo a vida acontecer e se multiplicar, e isso só me alegra. Só me fortalece. Só me aproxima.
Eu quero deixar meus olhos fechados, para que meu coração sinta tudo o que está em mim, e ao meu redor - Deus permita que eu volte a sentir a terra girar sob meus pés. Quero guardar meus punhos para baixo da terra - nada mais tenho a ofertar, guardar ou obter, apenas tenho a dizer coisas a mim mesmo para que fique registrado que um profeta das estepes ainda tem o que dizer, quero voltar a arfar a terra e sentir a energia da natureza sobre "minh'alma". Desejo sentir nos pulmões o ar mais puro e limpo de Guaratinguetá, e quero o carinho do Sol que apara meu despertar com a Cão na cama, assim como quero deixar derramado sob meus amigos a alegria de um pastel de feira num sábado a tarde. Quero a vida para tôdos que queiram a viver. Vida geral, ampla e irrestrita.
Ao sair na rua, que eu não seja conhecido, e que a dita "minh'alma" resplandeça minha pérola, e nessa pérola haja o caminho de volta, o caminho de chegada, ou apenas traga de volta para Êle, o que se perdeu d'Êle, e que esteja em mim quem comunga e quer encontrar Êle - Fôrça vital e pefeita, Único, Poderoso, Excelso e Digno. Rei.
Quero ver o Sol nascer do lado de quem me queira bem, assim como quero que tôdos que procurem um alguém, achem esse alguém, e o tenham por amôr e não por outro sentimento qualquer. Quero sentir a alegria no rosto das pessoas que se transitam tão cinzas, tão indiferentes, e tão soltas na rua. Quero a menina mais solta a correr no jardim e a compartilhar comigo os sonhos mais simples, módicos, e humildes: Sê-lo, a musa e causadora de tudo - A Cecília de uma vida.
Aos que se acham menos, bendigo; Para vocês esta é a terra, e mais tarde ganharão a Terra maior que essa Terra, aonde tôdas as alegrias são eternas e nenhuma tristeza tenta nos abater ou tirar nossa paz. Serão nós, os pisados, o trigo fortalecido, os do degredos, heróis e portadores da Alegria das Alegrias, Amôr dos Amôres e Melodia da mais bela Música. Aos que se pegam em dôres, imploro: Não vos chorem, pois seu choro exprime água e vinho, e deveis apenas chorar pela alegria e felicidade das conquistas, para as tristezas, bate em teu peito e pede a piedade dos dias ruins, e Êle proverá sobre nós a bonança, a nós, a alegria de saber que o dinheiro é endeusado, mas não é Deus. A nós, tôda a alegria desse mundo, livres e longe de tôdo e qualquer tipo de mal. Amén.