quarta-feira, 18 de abril de 2018

Gurbet.

Na esquina do Velho Centro, perto do 133 se tem a cerveja gelada aonde o pensamento se emudece e a vida parece acontecer na porta de fora do bar, e de repente bate uma alegria no peito, porque aqui no Brasil é carnaval no Céu Azul Anil, dia de Santo Domingo de Gusmão, dia de voar com os pés no chão, e tudo se toma um ar diferente quando qualquer coisa pequena transforma o dia. Para alguns, o amôr, para outros, o frio, para mim, a vida nas suas minúcias. Me vale mais o copo cheio do líquido do que posições de status, ou quanta gente importante eu conheça. E dessas pessôas que não entendem a vida ou seus sentimentos, tem misericórdia, Senhor.
Deus de misericórdia, Deus que se faz presente na mão dos sacerdotes, tende misericórdia de nós, e misericórdia dobrada dos mentirosos, que ao se viverem na solidão criaram um imaginário mal-sustentado que lhes fazem achar que alguém os aproxima. Tende piedade. Olha, Dulcíssimo, pelos que padecem de dôr na alma, dôr de orgulho, de farisianismo, de alguma forma híbrida de solidão e isolamento. Olha pelos idosos que muitas vezes se encontram sós, e pelos Irmãos Gentes e Irmãos Cães de rua. Do mesmo modo que tiraste Teu manto ao se cingir co'a toalha e lavar os pés de seus Santos Apóstolos, imploro que tire seu manto e jogue pros que estarão no frio, e pior que o Irmão Frio, é o Frio das almas dos Irmãos que não os vêem, ou pré-julgam, ainda falhamos grandiosamente com sua Santa Regra, Dulcíssimo. Tende misericórdia. Kyrie Eleison. Mercy mercy us. 
Olha por nós, pequenas formigas operárias dando cabeçadas aqui embaixo e nos abençoa dando-nos as novas chances e novas esperanças para aguentar firme; Evitar as mesmas velhas coisas de sempre, e nos dar caminho manso e de retidão aos que se maltratam em eterna rota de colisão. Eis-me aqui Meu Deus, profeta das estepes e menor dos outros, que leva Teu nome em bares cheios de gente risonha, bêbada e perfumada; Eis-me aqui, Meu Deus, o que te encontra a cada acorde, a cada sôm, a cada órgão tocado e sino dobrado; Eis-me aqui, Meu Deus, o que te quer mais que tudo, e estima morrer na Sua graça e Concórdia, e que por mais que não consiga entender, aceita Teus planos, pois na hora do desterro, foi sôb Tua destra que me valeu da perdição - adiante com você na estrada, que maldade me espera? Nenhuma, minha sina é ser ovelha do Teu rebanho, sentimento do Teu rebento.
Adiante, que a menina de pele branca e pés pequenos tenha os mesmos pés firmes para ir mais e mais em frente e sentir o vento assanhar os cabelos. E abençoados os casacos dela que escondem a cintura de seu corpo, e sua grandeza dentro de sua pequenez - na sorte de ter a conhecido, e ter tido, me bastou sua companhia, e aonde o vento a tocar, é o meu carinho por ela.
E que o Irmão Vento dê um abraço no Codó e em tôdos os meus, que estão aqui e os que estão lá do lado de lá, e que a vida continue sendo simples, e nós menos complexos em relação a ela, e exigindo menos de nós mesmos de esperando menos dela, e quando acharmos o milagre da queda das fôlhas no firmamento, entederemos o mistério velado dentro de cada um de nós.

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