sexta-feira, 18 de maio de 2018

So Sad.

Quando a alma se cansa, ela busca refúgio. E do alto de seu lugar reservado e inóspito, ela por vezes até manda recados a civilização do que está acontecendo pela dada necessidade de seu exílio, ou isolamento. Algumas pessoas escrevem, outras bebem, algumas choram, e outras se devotam a Mãe Cecília.
Há muita gente que quer ajudar, e há pouca gente que quer ajudar e entende o que fazer, como fazer: Cada alma é um segredo, um verbo, uma forma - não se há generalização no que se sente, cada dor dói de um jeito e cada rasgo sangra para um lado. Do povo que perece, sofre e padece, tenha misericória, Bôm Deus. Tem misericórdia do silêncio, mas não do silêncio pacômioso-monástico, mas sim do silêncio da alma, sujos olhos mostram na Íris Esmeraldina a dôr que carregam, e ainda si ri, ergue o copo, canta, e emana de si a vibração da carne em êxtase - é esse o pôvo, Deus. É esse o rastro que ficou de Você, nós que nos choramos, mas mantemos firme a híbrida forma de se segurar ante ao que nos maltrata. Acreditamos que uma hora tudo vira lembrança, e Sua bondade nos toca de alguma forma, e logo estaremos longe dessas tristezas, dessa solidão, dos medos, e de todas as coisas que nos interrompem de seguir vendo Tua perfeição em todas as coisas que nos rodeiam e estão em nós, por nós, conosco.
Estou em um deserto, só. E ninguém está ao meu lado e adjascência. Tenho meu masbaha em mãos, e na outra carrego minha saca, meus pés doem - ninguém sabe, meus olhos lacrimejam - ninguém sabe, minhas chagas se abrem - ninguém vê, apenas me tenho com a minha oração - E até onde a estrada vai dar, para eu ser do jeito que sou? Até onde minha cabeça aguenta saber de mim, e não do que há no mundo ou Sôbre ele? Pus-me a andar para a loucura não atormentar, e pus-me a beber para a minha racionalidade não me degenerar, e pus-me a rezar para agradecer por quem não agradece. Eis-me aqui, novamente na solidão de cais e casas, e no meio do mar-de-gênte, eis-me só, e com tantos ao meu lado, nenhum sabendo estancar meu sangue, e com tanta fé, me acometendo de heresias, e sustentando Atlaicamente tantos pilares que doem minhas costas e deixam meus pés cansados. Meus pés estão cansados. Minha barba já tem cabelos agrisalhados, e minha tristeza está atrás de meu cabelo, abaixo de meu sorriso, e de tudo que esconder do mundo, pois o mundo que há de ser bom, que receba bondade para continuar bom. E para mim, cabe o que Deus decidir, e que venha para minha edificação (ou total destruição), me sinto agora como o mítico personagem da canção: "Eu deixo a onda me acertar/E o vento vai levando tudo embora."
Deixe que eu não veja nada, e ninguém, que a minha fronte vá um anjo me acompanhando, e meu masbaha indique o que pensar, como pensar e porquê pensar, afaste de mim tudo o que tenho e tôdos que estão comigo, tire de mim tudo o que tenho, e afaste de mim tudo que é vão e que possa me danificar bem mais ainda muito. Lance sobre mim sua destra, e que sua providência me cerque, e quando essa dor me doer, manda-me a botica para sobreviver, e ser cada vez mais teu (Não permitais nunca que me separem de Ti/Na hora da morte chamae e mandae-me ir para Vós), e quando a dor passar, que eu consiga levantar e seguir com estes mesmos pés cansados, mas ávidos para seguir para lugar algum, apenas se curar dessa dôr. Permita, ó Deus, que no longo desse estreito que caminho, desse deserto tão infinito, em algumas passagens, haja apenas uma clareira de água, para que eu lave meu rosto, e molhe os lábios secos de bendizer Teu nome, e de brigar contra o vento e o Sol. Permita que com sua graça, a vida continue sendo a vida sobre qualquer circunstância e aspecto, e que um dia tudo chegue ao seu destino.

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