quinta-feira, 20 de julho de 2017

Toccata.

Lembre-se do acorde há muito perdido, e após que ele se dissipe no ar, se lembre da vida, e seu moto-continuo, lembre-se mais ainda de pegar uma malha antes de sair de casa, pois aqui em São Paulo o tempo é louco, e logo depois, lembre-se que só é passageiro aquilo e aqueles que você quer que sejam. Lembra da verdadeira promessa. Lembra-te da verdadeira promessa. Lembra da côr do Céu.
Sai dos meios do mar de gente, e desce-te até o Rossio, toma o que tem e anda - segue; Até o ponto de seus pés doerem, suas mãos penarem e seus olhos triunfarem sobre a vista, até sua garganta grotejar, até você se encontrar; Olha para tudo, e sente tôdas as coisas de tôdos os lugares, e continue descendo até as baixas, vilareijos, pastos, campinas e cidadelas; Vê, quantas pessôas que se debatem emsca de um prazer tão igual, mas tão diferente ao mesmo tempo: Cada caso um caso: Ser feliz, ter uma casa, um carro, viver a vida sem se preocupar... Mas, e se fôsse sempre assim, qual seria a graça? Deus, em sua infinita misericórdia, nos deu o dôce dom de sermos compadecentes e alheios - nós que perdemos isso gradativamente ao longo da vida. Pelo irmão, amar; Pelo irmão, perdoar. Não compreendo esse senso de justiça e unidade, tampouco a forma de como tudo isso se desenrola. Não me compreende essa separação e seleção, e querer mostrar tudo isso, como tudo isso acontece, como tudo isso é.
Eia! EIA! Apeia vossos olhos e vê que Deocleciano, pai grande meu, pioneiro do Ofício rezado, está em mim. Apeia teu olho e vê que nele se encontra eu, e em mim se há o dele. Apeia teu olho e vêde em mim o que não vê em nenhum outro. Apeia. Eia. EIA! Olha dentro dos olhos dos homens, e eia, mostra adiante deles que sua candeia tem fiado e azeite, e queima incandescentemente, queima sem cessar, sem receio da água e da chuva - é por ser, por ter, por viver - e também diz pra êles que teu azeite é pouco, mas da terça parte que te cabe, nela você pode ceder um pouco a quem não se encontra, a quem não tem luz, a quem quer e precisa ver nesse breu, porque agora, é água e vinho, agora é alegria, e tudo o que se possa ter de bôm, perfeito, amoroso e justo.

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