segunda-feira, 26 de junho de 2017

Cinco Minutos.

Tirei o cordaço do píquete, adeus terra firme.
Adeus amigos, e adeus amigas, se ponham com os olhos nos olhos dos outros, e vejam a face do Cristo no rosto do outro, e vejam seus pecados não só no ato penitencial, e se perdoem e se amem não só nos muros de pó-de-ostra. Tô por aí, segurando a vida pelos dentes, e voltando de onde nunca deveria ter saído, e os sinalizadores que eu acendi e ninguém viu, e os pendões que levantei, não digam depois que viram, não digam em hora alguma que viram, pois, se realmente vocês tivessem visto, vocês iriam ter comigo, vocês seriam meus como eu tanto fui de vocês. Tô indo brincar de balanço com o pescoço, e estou esquecendo e deixando tôda essa lama e procedência duvidosa de lado. Ai de mim, Jerusalém, porque êles são maiores e pequenos que eu; Ai de mim, Assis, porque meus pés não tocam mais o chão; Ai de mim, Capadócia, porque no manto da Candeia e na voz de Cecília eu me guardei.
Caí no areal, e na hora da graça, me guardei. Guardei para mim os olhos do Cristo, e cruzei os braços do leme e quilhéu. Caí no areal, e até achei graça para tôdas as coisas serem como devem ser, e onde estão. Cai em mim a água da tristeza, e a tristeza se faz minha capa, e olho nos olhos de quem me fez promessas, de quem me ostentou concórdias e palavras: Aonde estão? Onde lhes cabem? Por quê? Diz a mim, voz initerrupta do feo, porque não te diminui em contraste com a Luz que emerge da linha horizontal do infinito? Deita-me nos teus braços, mais linda entre tôdas, e põe tuas mãos no meu rosto, desalinha minha barba, beija-me a testa e me dorme, me anoitece e nunca mais me deixe amanhecer, porque descobri hoje que a última luta é sempre a primeira: Tem dôr, tem fraqueijar, tem mêdo, mas logo ela cessa, e logo se é vencedor. Enrola-me nos teus braços, e mortificado, não deixa que meu corpo seja profanado, profana-o você primeiro. Bate-me nessa carne por tôdas as vezes que machuquei, omiti e menti, e pisa na minha boca por tôdas as vezes que tentei em vão me explicar e só me danei, e opr tôdas as vezes que eu tentei falar, mas me calei. Corta meus cabelos e os triunfa, dando aos porcos e aos peixes de mar doce, mostrando que minha vaidade era loucura. Põe-me na vala de lama, e deixa que os carangueijos sirvam-se de mim, para que ao menos uma vida, me tenha em utilidade da comunidade, da natureza, de Deus.
Depois disso, sairei da lama, como sempre me saio, e caio para a concórdia. Vou içar as velas do barco, e ir para onde a deriva mandar, e sozinho, como sempre foi e sempre há de ser, me encontro. Estarei longe, aonde tôdos os telefones não tem sinal, e as cartas não conhecem endereço, e os telegramas de vêm-me-ver não chegam. Estarei em algum lugar do oceano aonde tudo mantém-se inerte, solitário e vazio. Aonde o silêncio dói os ouvidos. Então, não se preocupe, e nem ache que há tempo ainda: Se você não percebeu, agora nesta linha te percebo, é tarde demais...
Não me siga, e não me faça perguntas que você já sabe a resposta, e nem venha se fazer presente se faz meia-volta e logo se vai embora sem realmente ter ajudado, ou ouvido de coração limpo e olhos abertos. Olha no último grau-de-linha, lá no fundo, já estou quase a sumir, não grite, não vou te ouvir, aqui neste porto não me tenho em felicidade, então, na contemplação da solidão, serei refém da água e das estrêlas, e no meu maior mêdo, eu me fecharei.
Quando entender o significidado disso tudo, apenas feche os olhos, e os abra, siga o jôgo. Não me venha dizer algo ou querer falar algo construtivo ou cheio do espírito, por favor, entenda que tudo isso já disse, desdisse e repeti, mas, você não entendeu e não tomou partido, e neste interém, dizer tudo o que já disse para mim, é tirar água de um pôço e enchê-lo com o mesmo balde. Agora, é tudo muito tarde, então, apenas siga, porque é o que estou fazendo.
Até.

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