terça-feira, 14 de março de 2017

Still Water (Peace)

Eia, vento. Venteia e eparreia, aperreia e me leva para onde tiver que me levar, pois eu quero estar aonde tem caxangá, mais; No interém do cai-não-cai, deixo pendurado nas hastes do vento tudo aquilo que poderia me caber, e deixo meus sonhos para outra pessôa os almejar, assim como a mim mesmo me desejo sorte, e fôrça para este novo caminho; A mim cabe a bulada, e não a régua, cabe o que se encontra na pedra, e não na ornada, cabe o que se faz vivo, e não o que impera sobre os vivos. Eu - por pouco tempo - ainda sou o sôm.
Mantenha me preparando para a maior ventura que o vento possa me trazer, porque daqui dos muros de pó-de-ostra, me guardarei de você(s), e resguardarei aquele sentimento que um dia incandiei. Meu amanhã é mais certo do que a hora do zênite, e isso me deixa a pensar em toda essa água, em tôdo esse sentimento, nessa vida que corre entre nossos dedos, nas coisas que me fizeram chegar até aqui, só que dessa vez em definitivo. Aqui é de onde sou, e me pertenço.
E como essas gentes lidam com as derrocadas, com as marcas da surra que a vida nos deu, com as ilusões que nós mesmos alimentamos, com os medos, com a falta, com a saudade, e com o vazio? Como vocês se dão ao direito de botar a culpa no alheio e não verem o sangue nas vossas mãos? Vós todos sujam-se e são da lama, e nessa lama hão de ficar durante tôdo o tempo possível, porque quem guarda vocês é Deus, mas justificar vossos lamúrios, e tentar gente da lama, sendo que vocês não se limpam, é totalmente incoveniente e impuro. Pérolas aos porcos.
Faz frio, enubla-se, e eu aqui estou. Vejo um jardim, crianças brincando esperando pelo pão-de-leite e café, vejo suas mães pegando doações num vicentinário, e Êle me fita com seus olhos, mas nada diz. De seu altar, me diz algo que ainda não entendo, ainda não compreendo, que não me compete. Me dão de um chá, e me tomam pela mão, atravessamos do Rossio, e encontro aonde deveria estar há tempos, encontro aonde meu coração se acalma, aonde eu não fui antes em nome da última ficha. Maré revolta fica água mansa, turvalina, agora me vai, me faz. Aqui eu estou, Senhor, aqui eu vou, aqui eu sou.
Deixo, como público, essa maré de gentes que enclausura e definha esses sentimentos: Não faz. Luta, corre, vive, diz. Amanhã pode ser tarde, amanhã pode nem existir; Te diz tudo o que pensa, se sangra, mostra ao outro que tem valor, não espera hora certa e tempo perfeito existir. Tempo perfeito é quando você sabe o que sente, e precisa exclamar ao mundo e a quem te estima tudo, todos os detalhes, do vestido de âncora até o brilho imáculo do sorriso.
Mantenham a fé. Se não puderem, mantenham a esperança, ou o amor. Mantenham o carinho, e saiam dessa frieza, se sangrem, se mostrem, não brinquem de ser frios.
Guardem-se, e amem-se, mantenham-se preparados para a justa, e durante ela, não esmaeça ou definhe; Tudo há de se estabilizar, de uma forma ou outra.

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