terça-feira, 6 de setembro de 2016

Observações.

Se quiser saber se eu chorei, saiba que eu chorei.
Chorei desde a hora que vi seu corpo suspenso na chapa de aço fria até quando seu corpo tangeu as teavas de madeira, adoranada pelos florais, e seu sorriso selado, como se estivesse tirando sarro de nós. É difícil de acreditar, que tudo não passa de um momento repentino e expressivo. As pessoas não estão nem aí pra você, pra sua dor, o que você sente ou não. Não respeitam sequer seu luto, e isso só soma na eterna conta humana de dividendos.
Elas deitam a cabeça, e eu maneio, eles bebem em sua homenagem e eu me silencio, eles choram, e eu penso. Eu ainda ando sozinho pela ávida multidão, ainda tenho Cecília em meus mais profundos sonhos, ainda peno em trovas e versos e adoraria encontrar ainda os passados dias de areia movediça, aonde eu apenas andava na rua. Nada de novo existe nesse planeta que não se fale aqui nas mesas de bar.
Não existe dor, nem mágoa, apenas solidão, e além da solidão reza o silêncio. Aquele silêncio ensurdecedor que nenhuma música consegue calar, aquele que a alma não se refrigera e nem se habita em calmaria. Se quiser saber se eu chorei, olhe pra mim.
Eu ando sentido todos os sentidos e amado cada segundo do que tenho vivido, sonhado, ouvido e cantado - Eles estão todos olhando pra você, garoto. Tenha coragem e vença o bom combate acima de todo mal, mesmo que o combate exija pausas, devaneios, percas e falta de coragem. A fé é maior que tudo, e a solidão acaba na hora certa, e logo quando você menos esperar, tudo vem numa torrente.


Tudo foi feito pelo Sol.

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