As pessoas não sabem da sua dor, e isso não é obrigação alguma delas.
Quando as pessoas esbarram em você, e machucam mais ainda seu ombro dolorido, elas não estão mais nem aí pra você, e nem sua dor, e mesmo que um dia possam sentir algo parecido, cada dor é cada dor, como cada pessoa, sentimento, vida e etc.
Não desejo a ninguém as cruzes que carreguei, tampouco desejo ferir quem já esteve em minha fronte, porque não me cabe dizer o certo e errado, e nem me cabe chorar lágrimas que brotam num momento não tão apropriado, e eu juro que nunca mais darei este gosto a quem me quis tão mal, a quem me quis tão bem.
Meu violão ficará mudo, pois inspiração não há, e se houver cordas vibrando, serão de teisteza, de magoa, do que nunca mais quis que ele gemesse. Eu queria apenas um saveiro para cair nos mares e na primeira quebra da régua deixar de existir, deixar de ser. O ferreo mar me nocauteou em muito e há tanto me tirando, tomando e tombando, e isso não me fez melhor e nem melhor, apenas me ensinou a ter mais paciência e ser bem mais oceânico - cousa que hoje eu sou mais do que era. Quantas lembranças trespassadas por coisas boas tem que existir para te desenrolar como num papiro? Com quantas magnólias se faz uma fragata? Hoje nem o brilho da Lua me faz companhia. Me dano mais uma vez em versos que eu entendo. E apenas seu cheiro ficou em mim. Apenas seu cheiro está em mim. E eu, gostaria que apenas ele ficasse.
Que caberia a mim dizer que sim, se remanesce o não, mas opto pelo silêncio e meditação, pois as músicas nunca me abandonaram, e Cecília cada vez mais se faz presente aqui, em mim, na minha alma, aura tangível com cheiro de eternidade, e minha viola é resto de feira, e eu mordo seu retrato, e a morte não me assuata e meu segredo é saber demais sobre tudo, e minha vida se resume a correr em ponto algum, pois giramundo se dana em achar a felicidade. Nós, os pobres, do degredo, daqui do lado leste, só vencemos no fim, segundo os anciãos, por isso muitos de nós rogamos pelo fim abrupto, a escada vazia e a galgada ao posto maior interrompida, porque esta vida cã não nos deixa sorrir em paz, a cerveja fica cara, e o medo de cair nas traiçoeiras ondas nos fazem cada vez mais não querer mais navegar, mesmo que o mar nos chame. Hoje meu saveiro é deriva abaixo do Céu imortal.
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