domingo, 18 de setembro de 2016

Cais (II).

...Hoje acordei e me deparei com a sećanja de tempos idos, coisas que ainda me assombram e assustam, fazendo-me acordar, ou apenas parar no meio do universo, me travando e me arremetendo a pessoas, cheiros e lugares. Bep, onde está você? Onde foi parar aquela cerveja? Aquele mergulho na praia no dia de chuva com raios e trovões? Os dois loucos de bicicleta? Guardados na memória; Fotos de uma velha festa.
Quando eu tinha medo do mar, minha mãe me ensinava: "Água no umbigo, sinal de perigo". Meu pai me dizia: "Faça o que eu digo, não faça o que eu faço", antes de virar o copo de bebida, minha avó me abençoa e muitas vezes durante o almoço dizia: "Que eu precisava ter paciência, não me atrasar no serviço, os humilhados serão exaltados". Hoje, ainda, sou o que minha natureza permitiu, baseado pelo empírico, e pelos conselhos dados e recebidos ao longo da estrada.cada hora sinuosa, cada hora extensa.
Pra quê chorar - Bep me dizia - se tudo isso é passageiro? Hoje eu entendo. Mesmo que seja necessário ser de lágrima, algumas não devem ousar cair. Alguns elogios não devem ser ditos, e algumas pessoas não nos merecem - in vera est. Por mais que devemos ser sinceros, e acreditarmos na boa forma polida do bem, e das pessoas que nos rodeiam e perdoar nossos algozes, devemos nos afastar do mal, pois dado o perdão, seguido o jogo, e ido o tempo, não é necessário mais reabilitar o que necessita, nossa assistência nos baseia no ato de perdoar, e seguir o jogo. Ter a santidade e paz de espírito não significa sofrer demasiadamente. O nome disso é burrice.
Como dito anteriormente, minha nau ainda está a deriva, e minha implosão ainda se faz real e necessária; Se demolir para constantemente melhorar, e ter alicerces mais sólidos, rígidos, ter de perto apenas o necessário, apenas o que faz bem, apenas o que cabe em minhas mãos segurarem. Não exijo mais a certeza, apenas a estabilidade, pois até o mar revoltoso é estável, apenas a ventania é estável, apenas a verdade é estável. E por hoje não tenho porto que me atraque, nem fogo que aqueça, nem dor que gema. Hoje é mais um dia de alguma semana em algum lugar do mundo, e isso não significa nada quando você fica a milhas e milhas de distância do universo, eu estou em outra fase, apenas deixando pra depois todo tipo de mágoa, toda a tristeza, toda dor, toda tudo. Eu ainda sou o Capitão da Minha Alma. E na real, não significa, nem cabe a ninguém. E mesmo se coubesse, quem realmente se importaria? No mais, fica apenas o cheiro da Lotus suspenso no ar, esperando.

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