segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Apêlo.

E você não abriu a porta, nem sentou ao meu lado, ofertou-me tua cerveja e nem solou teu violão tão bélicamente, e hoje eu sigo só um caminho, sem saber de tua aprovação ou engano; Aquele Sol morreu e tudo ficou mais Cinza (tragicômicamente) sem você, lamento, mas maneio a cabeça sentindo que a cada dia tudo pode ser diferente, e que a dor que me causaram fica na casa de ontem, e ninguém é igual a ninguém, e um dia vou ser feliz, mesmo que seja no primeiro último dia da minha vida.
Como é difícil, pai, acordar calado, e no violão não ter lamento que te cabe, e eu só me deixar sangrar com as cordas de aço vibrando na madeira, como é difícil não poder nunca chorar o morto, e velar a alma com a vela na chuva; Você nunca me disse que era difícil ser o vilão, e tampouco que êles são mais hipócritas do que eu imaginava. Eles se superam a cada dia, tão lindos, tão belos, e eu tão esguio, tão gordo, tão feo; Tão meu.
Pai, quisera Deus que nós aprendessemos assim, mas os pontos em abertos de uma história me atingirão pela vida, e isso me turva a vista, isso me deixa com lacunas, e isso me ensina a ser paciente, e no seu nome ninguém nunca mais tocou. E eu choro. Deságuo de meu peito, água e vinho de forma tão minha, que não se notaram os rosários desfiados até agora, e pai, como é difícil se manter no caminho, aguentar calado, e manter-se acima das pernas quando tudo tende a me derrubar - incluindo minha própria cabeça, minha maior inimiga.
Tenho ouvido muitos discos, pensado muitas coisas, matado meus medos, acertado minhas vontades, tentando ser feliz ao máximo, você sabe, tenho eventualmente voltado a sorrir, e sentido aquele frio na barriga quando vou ao jardim ver a Lotus mais bela - mesmo que as perniciosas ao redor me magoem, mesmo que eu não possa contar minha alegria a você.
Ah, quem dera se eu pudesse voltar ao "bom tempo", fazer parte no firmamento e se lavar com a água corrente e ter a aura de nunca morrer, e que por mais que eu sentisse a dor das pessoas a atacar, eu ainda seria imortal, ainda seria um de nós. Foi, e foi incompreendido, viveu, e teve da boa vida, mas viveu o que coube, e ninguém pode dizer nada. Se teu pai não disse, e eu, o filho, não cabe a mais ninguém.
Pai, espero ansiosamente o dia de nos vermos, assim como espero o dia da Cecília, e o dia que saia esse amargo em definitivo da minha boca, tal qual as pessoas. De onde estiver, esteja bem. Eu aqui estou ótimo. Hoje ainda é o primeiro dia do resto da minha vida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário