Após lêr o têxto da Poesia Viva e Morta, a sua pergunta me fez meditar muito; e ao conseguir por as partes nos pontos e depois por completo, me lembrei porque fiz de minha casa um eremitério, e minha jaqueta a minha concha: o mêdo.
Assim como na música do Sá & Guarabyra (Por que que eu me guardo do mundo assim escondido? É coisa que só pode explicar quem vive o que eu vivo), o texto de Doña Jordana me tangeu num nível preocupante: Me alembrou de que eu ainda estou vivo, e afora as preocupações quotidianas eu ainda hesito, e ao olhar o estreito vão que separa a causa do efeito, lembrei dos mêdos desde quando era garôto e o porque da vida me assustar.
A vida me assusta quando olho para os lados e percebo que tenho poucos amigos, e desses poucos são raros os quais compartilhos os mesmos gostos e mesmas sentenças - motivo que até expliquei n’outro texto ido. O futuro me assusta não envelhecer ou pôr mêdo da morte, mas por anseio em perceber que me encontro em estreito caminho da solidão, pois daquilo aonde os caminhos não se cruzam e bôcas não conversam; a escrita posta em letra alivia - momentaneamente.
Ademais, o Sol tão quente que cozinha os miolos; cerveja choca; gente que não sabe ser educada; domingo as nove da noite; fumaça de pastel recém-frito; churrasco bem passado; meu time quando perde; e emprestar um livro e não devolver - tudo, tudo, tudo isso, invariavelmente me causa um medo não por estar envelhecendo ou ser (mais) introvertido (que já sou), apenas por sentir o rumo das situações, e ver a vida como se desdobra e não pôder mudar as atitudes, têmpos, e questões que nos tangem enquanto pessoas. A incapacidade de mudar diante do que acontece ao meu ecossistema.
Se por alguma vez me tendro a não dizer nada, peço perdão - talvez eu não me sinta afã para falar alguma pois meu cérebro fervilha. E se ele trabalha, a bôca se cala e o peito gême de forma inexorável; abrindo-se no vão da alma um corte que tange e não sangra, fere mas não mata. Agoniza. Quando escrevo por maneiras e metodologias, discorro de mim em letras cursivas e retilíneas, e lembro muitas coisas - principalmente das quais gostaria de esconder no recôncavo mais denso de minh'alma. Escrevo mais um tanto, e lembro de um passado da vida, as questões que esbarram no presente, e o anseio do futuro. Eu estou apenas processando fatos, como um microcomputador; e por isso, me pego a transpor para o papel o que minha bôca nunca diria, talvez apenas para os amigos mais amigos de tôdos os amigos, mas não cousa alguma que se diz a Pai e Mãe - cousa que até esses dias até pensei em dizer para minha mãe: não critique a distância que você causou; mas me lembrei que quase nunca ela me ouve, e tampouco entende o que eu gostaria de dizer com isso - passaria eu apenas a dizer tudo do peito, e ela arguiria com um vazio que lhe é tradicional. E por isso, a isolação se fêz presente e danosa. E com isso, entendo mais de mim.
Percebo então, que quando escrevo, tenho tôda a coragem que a vida tentou me roubar em suas atitudes.
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