É notável o quão triste nos tornamos ao longo do caminho, e nossas lágrimas, assim misturadas com a poeira, a barba, fundem-se no espaço tempo: torna-se então o tudo e o nada; e deste âmago - agridoce veneno amêndoado que destoa de nossas entranhas - por ora tiramos a esperança.
...mas, esperança de quê? A ser franco, também não sei.
Meu côrpo, tão místicamente fundido a sujeira da estrada e ao mau-trato da bagagem, nada anseia do que o descanso, e além do descanso, o desejo. Nada me apetece o palato, tange a bôca, brilha os olhos, e exulta minh'alma do que pôder têr, enfim, o atracar do pôrto - e meu côrpo, agora saveiro, desgastado e cansado da viagem, parar.
Dos momentos tristes, de chegadas e partidas, dos idos, das acinzentadas coisas, dos talvezes, e dos esquecimentos, revelias em que fui pôsto e dos sopé-de-morte, eu escrevia, como o faço agora, mas antes do escriba, havia o que via, e era quem mirava. Eu era um mirante antes do tempo da pena e letra. E por vezes olhar me salvou da destruição, antes que eu aprendesse a escrever.
E das passagens, paragens, pradarias, ruetas, bosques, brônquios, e pontas-de-praias, guardo lindas vistas, das quaes sei de onde são e para cada lugar as pertence. Mas eu, transeunte transitório, levei em meu peito um pouco de tudo, e espichei um tiquinho de mim em todas estas quadras pintadas por Deus, e nelas, permaneço.
Da mágoa, retorço, faço fundição e olho o universo como antes, e finalmente, cansado, me ponho a não pelejar, mas apenas levantar e seguir, deixando o silêncio como crônica ou testamento que faço agora denunciando o descaso, ocaso, e despeito, mas principalmente, o quão fascínora são as pessoas que habitam nesse mundo.
Quando me falta a atenção, o abraço, a mão estendida, o beijo, e quem me ouve; dedico-me piamente a encontrar dentro de mim a vista daquelas pedras na praia, ou aquele cheiro de mato molhado depois da chuva na chácara, tanto como as fôlhas que caiam na floresta anseiando por um nôvo renascer. Quando me falta algo, transmuto, elevo, torno a ser, e esqueço do que dói e me ponho em outro local, outra estrada, outro som, outro minuto - e desde lá, meus tempos tão pequenos, onde nem me era explícito a dimensão e profundidade de ser, eu sempre me refugiei nas paragens e cercanias, para que assim eu pudesse ser. E antes de ser escriba, eu era espectador. Eu via. E no que via, por poucas vezes me fundia ao quadro. E pela janela do quarto, pela janela do carro, pela janela do claustro, pela janela do carmo, pela janela do alto, eu via. E via muito. Longe. Longe de tudo isso, e por vezes (ainda pequeno e inocente) rezava para Deus que queria ser um pássaro para sair dali fugindo rápido e ligeiro, como que brincando no ar, e deslizando entre vôos e giros, estar livre e ganhar, enfim, a paisagem que me libertava a vista e a alma retorcida.
E ali, e agora aqui, me mantenho. Cada vez mais longe de você.
Meu côrpo, tão místicamente fundido a sujeira da estrada e ao mau-trato da bagagem, nada anseia do que o descanso, e além do descanso, o desejo. Nada me apetece o palato, tange a bôca, brilha os olhos, e exulta minh'alma do que pôder têr, enfim, o atracar do pôrto - e meu côrpo, agora saveiro, desgastado e cansado da viagem, parar.
Dos momentos tristes, de chegadas e partidas, dos idos, das acinzentadas coisas, dos talvezes, e dos esquecimentos, revelias em que fui pôsto e dos sopé-de-morte, eu escrevia, como o faço agora, mas antes do escriba, havia o que via, e era quem mirava. Eu era um mirante antes do tempo da pena e letra. E por vezes olhar me salvou da destruição, antes que eu aprendesse a escrever.
E das passagens, paragens, pradarias, ruetas, bosques, brônquios, e pontas-de-praias, guardo lindas vistas, das quaes sei de onde são e para cada lugar as pertence. Mas eu, transeunte transitório, levei em meu peito um pouco de tudo, e espichei um tiquinho de mim em todas estas quadras pintadas por Deus, e nelas, permaneço.
Da mágoa, retorço, faço fundição e olho o universo como antes, e finalmente, cansado, me ponho a não pelejar, mas apenas levantar e seguir, deixando o silêncio como crônica ou testamento que faço agora denunciando o descaso, ocaso, e despeito, mas principalmente, o quão fascínora são as pessoas que habitam nesse mundo.
Quando me falta a atenção, o abraço, a mão estendida, o beijo, e quem me ouve; dedico-me piamente a encontrar dentro de mim a vista daquelas pedras na praia, ou aquele cheiro de mato molhado depois da chuva na chácara, tanto como as fôlhas que caiam na floresta anseiando por um nôvo renascer. Quando me falta algo, transmuto, elevo, torno a ser, e esqueço do que dói e me ponho em outro local, outra estrada, outro som, outro minuto - e desde lá, meus tempos tão pequenos, onde nem me era explícito a dimensão e profundidade de ser, eu sempre me refugiei nas paragens e cercanias, para que assim eu pudesse ser. E antes de ser escriba, eu era espectador. Eu via. E no que via, por poucas vezes me fundia ao quadro. E pela janela do quarto, pela janela do carro, pela janela do claustro, pela janela do carmo, pela janela do alto, eu via. E via muito. Longe. Longe de tudo isso, e por vezes (ainda pequeno e inocente) rezava para Deus que queria ser um pássaro para sair dali fugindo rápido e ligeiro, como que brincando no ar, e deslizando entre vôos e giros, estar livre e ganhar, enfim, a paisagem que me libertava a vista e a alma retorcida.
E ali, e agora aqui, me mantenho. Cada vez mais longe de você.
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