Se me encontro só, por fatalidade ou coisa do destino, cabe a mim lembrar de teus cabelos negros, tuas mãos e olhar lânguido. Assim, talvez, ameniza em mim aquilo que grita e arde no peito com tenaz de sangue, que afoba meus passos mediante o quão caminho, e que qual estando só me confunde, mas ao passar na rua da qual andamos, ou no sorriso e piadas que confidenciamos, retorna a mim com um carinho e sorte de ser novamente confortante.
E, eu ainda uso botas. E sigo até hoje sem chulé; incrivelmente.
Passei outro dia na frente daquele bar que te levei uma vez na São Bento; nos fins dos dias, aquela mesa aonde sentávamos para beber e poder sorrir diante de uma vida tão pesada ainda está lá, e largava sua bolsa ao canto, e seus cabelos negros seriam então arrumados olhando pelo reflexo do espelho do banheiro sempre fedido a urina e cocaína. Será então dito em gestos o que não se diz em palavras e nem tampouco em textos pífios como esse. É algo que não tem censura, credo ou classe - transcende, excede e esconde. Andaríamos e cruzaríamos as ruas, faríamos o triângulo e veríamos o Rei do Matte; e se te interessa saber, aquela rua ainda está lá. Aquela mesma.
Há um riso tímido em sua face, da qual nunca me esqueço que também me arranca um riso tímido tôda vez que lembro ou sequer fiz questão de esquecer. Lembro de dias a fio, com pensamentos a fio, enquanto discorro um diálogo com os fios de nylon de meu violão. E é inútil resistir, e dado a essa resistência tão fútil, apenas me pego esgarçando a madeira e elevando acordes que nem sei mais o nome para guardar parte de mim no momento. Incenso o passado, perdôo o presente, e anseio o futuro na festa do lugar. Lembro de você de vestido. E de irmos a Liberdade.
Ao ver a paisagem que gostávamos - da qual onde hoje moro - do ônibus que pegava para ir para casa (cujo ponto mudou, aliás), dos sebos e caminhos que lhe mostrei, apenas nada digo. Mantenho em mim uma velha chama crepitante que usa-se de esperança que em algum lugar tudo isso ainda existe, se mantém forte e vívido. Aquela boina minha, a Cookie mordeu, e os meus discos ainda existem. O Walter ainda toca nas festas e o Pery ainda é DJ de mão cheia. Minha barba cresceu, e de repente todo mundo cresceu, mudou, evoluiu.
Ainda ando falando com pessoas que não sabem o meu nome, e se quer saber aquela esperança teimosa minha ainda nasce e morre todo dia, como se fôsse uma febre incurável de otimismo que soterro tôdo santo dia por camadas de humor negro e questões duvidosas. Hoje me vejo homem, com insônia e cansaço. Mas que ainda escreve de forma trincada para apenas (me) lembrar de coisas que a ninguém diz respeito; mais uma vez te pondo no meu rincão de memórias, sem saber se vez ou outra ainda faço parte do seu conjunto de lembranças...
A vida, maravilhosamente, continua.
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