Faça como quiser.
No fim das contas nem eu e nem você se importa. Estamos em lados iguais mirando posições diferentes. Que lá eu haveria de dizer? Como sempre, digo e repito o compasso da vida que embuto em mim - e enquanto engomo a calça, sorrio um pouco; sei que me acabo aqui, não sendo pontivirgula, e sim ponto final. Caetano uma vez disse que a vida começa no ponto final... no fundo não importa muito o que venha a dizer. Sinais de alerta são difíceis aos corações corroídos e cabeças duras.
E, faça como quiser.
Abro meus olhos e fito da janela a neblina no meu quintal, e penso em tudo de que me ocorreu: sonho translúcido, de horas e hordas, de musas e contextos, e em tudo isso, me encontrei. Ainda sou o mesmo, e sendo de pérola imutável, orgulho-me do que cabe no meu ser, e em ser. Não me vendi e tampouco me corrompi para ser aceito, e quando fiquei só, me coube ser o que sempre fui; e com a adoção de novas palavras, transpus o mesmo sentimento; Com os novos sons, inclinei as melodias; E com os braços abertos, deixei o abraço vago.
No fim, faça como quiser.
Acendi um incenso, e terminei de ler. Acabou mais um vinho - e não me arrependi. Que lá tem se na minha tosse sai escaras de sangue? Que lá tem se é essa a vida a ser vivida? Que seja com gosto, se não, com glória. Olho os olhos do mundo, do universo, e transitando em todos os caminhos, vendo todos os passos, sentindo todos os sentimentos, me sinto mais leal as minhas escolhas. E se não durmo, se preocupe não, irei rezar por você e nos nomes escritos no oculto de meu coração. Lembro dos dias do frio, aonde tremia, e agradeço por tudo o que chegou até aqui - se é errado fazer festa por cada conquista, mesmo que besta, mesmo que vã, mesmo que ridícula, eis os oitocentos e caralhos anos de uma irmandade franciscana que fundada pelo Paráclito foi fundada a ruína, pois, a alegria do pobre é cada glória pequena que deve ser comemorada como algo impossível (tanto porque naquele momento, o era)
Enfim, faça como quiser.
Você ainda teima em procurar respostas da janela, e não espera elas virem até você. Na sua pressa tão certeira você procura coisas que não tem a hora de maturação ainda. Que bandeira... esquece o que aprendeu, e só uma vez sente verdadeiramente o que seu coração quer, sem medo, sem hesitação, sem forra, sem guerra. Deixa o quasar pulsar de forma violenta e instigante até você ver que a vida ainda tem gosto de ser, ter, e viver.
Afinal, faça como quiser.
Eu sou só uma sombra.
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