Não se importe se eu morrer hoje.
Celebre minha história, como sempre eu a celebrei.
Conte meus feitos, reúna meus amigos, e cada um, em paz e em vêz conte meu legado, que ouviu de minha bôca. Sentado, do lado de fora, honrarei cada um de vós, sentado em minha amaldiçoada memória. Direi bôas palavras, juro. Serei vossas testemunhas diante do Santo Tribunal, os guardarei e os amarei.
E vós, após minha morte, me amem de verdade ao menos uma vez em diante.
E não me abraçando, valorizem o abraço, não me beijando, aprendam a amar, não me vendo, aprendam a urgência em vêr quem se estima, e não ouvindo minha voz, aprendam a ouvir. Quando eu me chamar saudade, aprendam a usar a memória como alma e arma.
Estou indo embora, e não se importe, mas estou deixando pegadas antes que vocês digam que fui sorrateiro.
E eu, do lado oposto, guardarei cada denário que me destes e cada cana que me batestes. Segurarei o entôjo e armarei o sorriso entredentes, desejando cada vez mais a morte após a morte e o descanso da alma que intensamente amou demais, viveu demais, sofreu demais, e morreu em desâmago.
Cá a mim, resta o gôsto de veneno na boca enquanto durmo, e a vontade de pedir perdão aos que amo, e meu grito mais sincero de ódio aos que renego. Me torno inimigo das sombras, das luzes, da noite e dia, e espero em mim a hora de morrer; habituado, pois, ao centro do universo, aonde tudo recebo e nada consigo inflingir, restrinjo minha existência a uma básica sentença de não ser mais, do deixar para depois...
...Afinal, qual cousa boa faria se ainda vivo?
Encomendo esse resto de sopro, pois, a Virgem das Candeias, e ao Bom São Cristóvão, e que nessa travessia, eu aprenda ao menos que não há com quem contar.
E que de resto, nada nessa vida importa. E peço perdão aos que aborreci, achando que eles se importavam, pois a estes amei mais.
E o resto é o sino do Largo.
Cá a mim, resta o gôsto de veneno na boca enquanto durmo, e a vontade de pedir perdão aos que amo, e meu grito mais sincero de ódio aos que renego. Me torno inimigo das sombras, das luzes, da noite e dia, e espero em mim a hora de morrer; habituado, pois, ao centro do universo, aonde tudo recebo e nada consigo inflingir, restrinjo minha existência a uma básica sentença de não ser mais, do deixar para depois...
...Afinal, qual cousa boa faria se ainda vivo?
Encomendo esse resto de sopro, pois, a Virgem das Candeias, e ao Bom São Cristóvão, e que nessa travessia, eu aprenda ao menos que não há com quem contar.
E que de resto, nada nessa vida importa. E peço perdão aos que aborreci, achando que eles se importavam, pois a estes amei mais.
E o resto é o sino do Largo.
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