domingo, 27 de fevereiro de 2022

Entradas e Bandeiras.

 QUE SOL DO CARALHO BICHO!

Como pode tanto calor, tanto vento, tanto bafo, e esse Sol de pino nos lascando a cabeça? Por quê tem que ser assim? Teimo em escrever coisas que só o coração deseja, e das coisas que pensa a cabeça, as deixo ocultas em meu coração. E meu coração pede mais vento. E mais água, por favor.
Hoje faz sol, e o Sol agora se torna meu confidente, sobre ver e viver. Peço por muitas vezes que ele se retire um pouco, apenas para que eu não fique suado ou preguiçoso, mas este bar me dá sombra e copo com gelo e limão. E enquanto espero o descer do Sol de pino, ouço velhas novas canções, e entrego num segredo aquilo que já é sabido. Escrevo não por obrigação, mas por um alívio prazeroso que me dá alegria e acalma aquilo que me turva - me prende a vista e pensar, mas de certa forma sei que quando transponho em palavras, deixa de ser, ter e viver.
Tomar a direita, e andar. Piratininga é minha, e como o mando de campo é meu, tomo a dianteira e ando por onde me aprovém - A Piratininga é solo de meus, e por isso os honro, fazendo de cada bandeira uma aventura, de cada sorriso um pendão, e de cada igreja uma glória. É chegada a hora de parar as bandeiras, e deixo aos novos elas - todas elas.
A Piratininga é minha, mas agora é vossa, faz tu bom uso que ela te usará bem.
Vejo pela última vez, as árvores que crescem sem pedir licença e quebram todo um concreto, vejo Deus em toda e qualquer coisa que se constitui em minha frente, e para as crianças, lanço meu sorriso e benção, para os casais, minha inveja e benfazejo, e para meu coração, sussurro um verso. Mais água, por favor!
A Piratininga dos morros e das glórias, se despede de mim com um sorriso brejeiro e faceiro. E eu, abraço a alma que se encapuxou a minha e tão fiel me foi na alegria, e tão consoladora me guiou a cada entrada e bandeira, dá-me tua mão, Terral das Trêze Listras, para que na Bôa Morte possa fazer minha última entrada.
As folhas amarelas que balançam com o vento, se deixam fazer sinal de temperança aos mais avisados, que conhecem e sabem, e as nuvens tão tímidas, brincam com as pontas dos edifícios, e aquele, onde reside meu coração, parece cada vez mais destacado entre os outros.
São Paulo é o melhor lugar do mundo, e só não assume isso quem tem medo da verdade: proximidade, multicultural, rangos, eventos, praias, e gente incrível: Como eu.
Meus olhos, enquão traço esse texto, caçam outra vista, e vendo os irmãos de rua ainda sinto uma leve chama de virtude que ainda não se extinguiu. Sinto, dentro de mim também uma esperança que não se justifica: apenas existe, e dos olhos que me tangem no mirar, sou apenas parte da paisagem útil. Modéstia a parte bem perfumado, apresentável, e de íris esmeraldina que com certeza só pode ter presente e toque de Deus.
Devo eu andar mais um pouco, mais um tanto antes de acabar a bandeira final. Talvez eu suba ao Morro dos Inglêzes, tomar a mão do Céu e deixar os peixes de lado para não me magoar mais.
Eu digo ao tempo e ao vento, deixa estar: Nas grandes obras dotadas de esperas se constituem magnos; e como me disse o frade, de martelo na mão e sorriso nos lábios: "difíceis começos trazem grandes finaes". Eu apenas rio, e entrego ao meu ser aquilo que ele pede: Mais água.

Água geladinha com limão espremido. Uau.
O Sol desce.

Obrigado Deus,
obrigado Piratininga,
obrigado.

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