Mãe prêta, deita a moringa no teu colo, e serve a água do tibum-gadum do copo arêado no açude. Côa nosso café e dá um pouco pro têu hômem. Põe teu xale e tira a carne do dessalgue, vê o Sol subindo da barra e estende as roupas no bateio. Água meus olhos em ver-te, monumento vivo da história viva, mãe da guerra e felicidade - de punhal aberto na mão, e afago ligæiro na outra, me cariña e corta meus cabêlos, Dalila moderna. Corta-me e me devolve a fôrça ee maneiras singulares.
Evoco as allegôrias, mí(s)ticas, e delas me envolvo e velo, zêlo. Dá-me, nêgra, o seu licôr embôjoado na tua moringa, dá-me, nêgra, teu amôr.
Extenso o camiño, forte a estrada, doloroso o penar, e seguimos. Meditamos na medida e zeramos a reza, e os joelhos se aprendem a rezar, e as bôcas deixam de beijar: se tornou a convivência. Doeu.
No fundo eu sou um belo de um panaca.
Ai, que quêm me diz que o amôr morreu, me explica porque das 24 horas dêste dia, concentro as 30 na tua pessôa, e porque quando me calo para me fazer presente, sinto-me a trair no que creio, nos meus ideaes e cousas que rondam meu coração. Ai de mim, Guaratinguæta, por estar feliz e triste, e não entender mais de tudo. Apenas manter a forma, mas o conciso e concentrado ser vazio - atenuo aqui a minha forma de dizer e pensar, e logo elogio os olhos que tangem das linhas. Encontro-me perdido mesmo estando a me encontrar, estou sentado na mêsa, com cerveja aberta, sôm, cômida e esperando minha pessôa chegar, descer do Rossio e vir têr commigo.
De fato, o Frade Eterno tinha co'ele as razões.
De fato, havia em si mil razões e mil motivos.
De fato, e minhas justificativas?
Eu queria, ao menos, ser fêliz.
E ser fêliz por completo, não utópicamente, tampouco pela história, mas daqueles que olham a mulher nua, deitada na cama, e sabe que dela lhe têm o amôr. Ó estrada sinuosa e maldita, da qual meu coração se estreita e passa o passo. Entrego a mim uma tristeza, pois é o que no momento sei dizer e fazer. Meu coração começa a terminar de desaguar água e viño, e seca. Uma lágrima cae de meu ôlho.
Não sou eixo ou ponto, não possuo pôrto-seguro em meus braços, e dado o visto e o momento, não sei fazêr bem a ninguém. Sou filho de qualquer revolta e táciturníco na luta, luta essa que aprendi a amar, e não fui de voluntário. O meu pastôr sabe que eu sei que Êle sabe das armas que carrego, e cabe a Êle decidir se sou água ou se sou viño. De mim, sei tanto que deixo aos outros acharem.
Me cabe o silêncio, para que ao menos ilusóriamente, eu ainda ache que serei notado em algum momento.
Epitáfio do Marcus Queiroz. Apoia esse blog, faz um pix pra nózes: marcusvini15@hotmail.com
quarta-feira, 30 de junho de 2021
segunda-feira, 28 de junho de 2021
Muchacha (Ojos de Papel).
Ela acordou, deitou ao lado, tirou a coberta e pôs os pés no chão, talvêz tateou pra achar os chinelos, ou algo assim. Deitou o jarro e pôs água. Olhou o horizonte e viu o tudo e o nada, se arrependeu e seguiu em frente, cumpriu o básico e se perdeu no espêlho da ilusão: amou sem amar.
Tenho visto que 21 é o anno de minha vida, e é também o anno em que deuses voltam a andar sôb a terra, e injustos morrem antes de ter a alma silênciada: As coisas estão têndo têmpo e eixo, e meu coração se alegra: É têmpo de esperança, e pôde ver do alto do átrio que êles também se alegram. Santo que intercede também comemora a graça alcançada.
Preciso de uma cerveja. Preciso ir pros campos, ou ver o Sol nascer, preciso de um disco nôvo, e ouvir aquele síncopado, preciso ouvir aquela corvina cantar, e preciso urgentemente que ela sente no meu colo me dando minha cerveja, e se entrelaçando em meu pescoço, me dê um abraço e diga aquilo que preciso ouvir. Ouvir o que uma mulher que ama ao seu homem diz. As verdades.Meu Deus, que saudades daquela bunda.
Era uma bunda bem estruturada, como a cintura era, e o rôsto bem ornado, de sorriso bonito e de olhos que escaneavam minha alma. Ela me toma de assalto quando (nas raras vêzes) olha nos meus olhos. Eu só queria, realmente, que ela me notasse.
Eu só não queria ser eu mesmo por um dia. Deitar e não acordar. Go out for an eternal lunch. E eu anatemizo a mim mêsmo, pois eu quebro as cadêias do degrêdo enquão digo coisas sem sentido, significado, razão ou porquê - luto quixotescamente contra coisas que bem sei que não acontecem aos que se ocupam moendo o trigo.
Ele quebrou a lira e denunciou os algozes de seu têmpo, guardaram em si tôdas as côisas, e minaram dele a virtude, amôr, caridade e fé. Sobrou a carne, e traiu ele a própria carne com o espírito. Da traição, fez a fidelidade como mãe. E ele ousou, fazendo da morte o seu pendão - e o quão sortudo quem faz e vive dessa sorte. Quatro homens trasladaram seu côrpo, e o morto ria.
Desaguou de seu pêito água e viño, e quem sentiu o cheiro de alecrim no vento não entendeu, e as mulheres que ouviram, choraram, os homens que confiaram manearam a cabêça, fizeram da morte ponto de glória - sendo que devia sê-lo honrado em vida. Fizeram tudo errado, e ainda hasteando o requiém, colocaram a culpa no imóvel.
...E seu coração, sem água e sem viño, secou e endureceu, assim cômo ele o pedia nas suas orações mais sinceras.