segunda-feira, 8 de julho de 2019

Beco do Mota.

Desce com o passo apressado, aprecia a visão, segue um cortejo desconexo, com as pessoas que se comprimem e não cumprimentam, desce o Sol do Céu e tange o zênite com a morte. Morre o Céu, morre o atropelado, morre as oito horas trabalhistas, morre um pouco de tudo a cada dia. A Igreja tricentenária mantém-se imortal comparedes de taipa de pilão, sensação de paz e morte e o acobreado entrando nas narinas. Há de ser.
Quisera eu imprimir um pequeno gesto meu nas paredes e espaços que couberam no universo dessas ruas e dessas casas, desses copos e dessas garrafas, e quisera eu ser um alguém que realmente fosse de parte inteligente e interessante para alguém, quisera eu ter sido mais um dos que contestam, fazem e apeiam. Quisera eu ser o nôme que se dizem antes de dormir, linha razonal de ser alguém benquisto e bem-vindo pelas pessoas que me acercam - sabem de mim, mas não sabem acerca de mim, dizem saber de mim, mas guardam o que eu posso ter dito, ou fingem lembrar, ou lembram até onde cabem. Eles falam muito e nada dizem, eles penam muito pelos pecados ao longo da vida, eles dizem que esquecem, ou dizem o que lhês convém, sendo que o jeito é outro.
Aprendi, então, que na morte não existe fome, dor, tristeza, ou raiva. Existe a paz - que busquei minha vida tôda.
Decidi, então, deixar meu nome nos ladrilhos do triângulo, aonde ninguém (há de) sabe(r), mas quando notar, verá a minha fuligem lá, no chão, paredes, varandas, sacadas, architetura, nomeclatura e acinzentar, ali serei mais (m)eu do que serei (por) vocês. E quando nas bases sólidas dos pórticos das Igrejas ouvir o choro de quem pede o trôco, eu irei sorrir e deixar minha alma tão solta como o vento aonde os pássaros se voam para uma eternidade. Serei eu o que mais quis por mim, e pela vontade que me cabe, e deixarei escrito nas paredes o que vocês nunca quiseram ver, mas em tempo hão de encarar a realidade.
Há sangue inocente sendo derramado. Jorra-se água e vinho. Ao ler isto, será tarde demais.
Para os que achei serem meus, retiro o cargo de se encarregarem de algo, ando a perceber que faz quem quer, e ninguém tem motivo de poder incubir missões a ninguém. Ninguém é dono ou senhor de ninguém, tampouco pode se deixar preceitos ou missões post-mortem. Ninguém está nem aí pra porra nenhuma, e os poucos que estavam, agora, estão começando a deixar essa terra, e partir para novos rumos, novas histórias, e novos sentidos.
Há dias a vida deixou de ser vida.
Eu já me decidi, sem reconsideração.
Quem diz entender apenas vê a carne, e não sente o espírito, e por isso julgo de ser burrice. Julgo de ser idiota, julgo de ser digno de maldição, julgo de ser réu de morte, porque se cuida de carne, deve se cuidar de alma, de espírito de essência, não se deve limitar o cuidado na carne, pois a carne padece, mas todo cuidado dado a alma, seja por alento, alegria, ou conforto, este sim é digno de júbilo e de vero agrado a Deus, pois a alma não se corrompe ao descer da carne na terra fria. Os dias passam, e a dissimulação torna-se cada vez mais forte e visível. Em um quarto, uma pessoa chora. E no frio, a salvação não vem em forma de martírio, enquanto os corações duros reinarem.
Ao tocar o sino, cada fração minha há de deixar esse tempo e esse espaço, formando um novo local, e um novo minuto para minha existência, e aprendi (e continuo a aprender) a cada dia que passa que por mais que as pessoas digam que estão com você, não estão. Você apenas corre tão sozinho e cansado pelos caminhos sem ninguém a te dar alento, e a te dar seguridade. No final nada disso importa muito, e esta crônica de alerta social entona desabafo, e ninguém há (de ter questão) de entender.
No final, as pessoas só ganham carinho, valor ou um amôr (digno) quando morrem. Talvez seja esse o sentido: Morrer para ser (finalmente) amado de verdade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário