sexta-feira, 13 de outubro de 2017

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Quero sentir o gôsto de tua boca. Sentir como sinto o gôsto da cerveja, o gôsto da infinidade, a interatividade dos Céus quando pesavam em meus ombros, e meus olhos eram capazes de fitar aquilo que não se nomeia, mas ousamos dizer que é bonito.
Minhas mãos não me obedecem, e seguem até o rumo de suas fotos, e minhas audições procuram as vibrações que emanam de você, sua voz, seus sons, e meus olhos não me respeitam e te procuram na vasta e extensa Avenida, e algumas músicas arremetem aquele dia, e aquela noite parece ter sido ontem, e cria-se uma expectativa que logo, tudo se acerte e se aceite. Apenas o vento que venta nos cabelos diz coisas que só a mente ousa dizer, e apenas as pessôas que tanto nos estimam dizem; Ou dão a entender.
Quero dar em mim, um gôsto do Sol, do cabelo cristalino da velha senhora que dá danone pro Zécão, quero a geral arrepiando num grito de gol, o carinho da mulher amada, e mesmo neste pouco, no pouco que tanto busco, no pouco que para mim me saciaria e transbordaria, sei que é isto: É isto que eu quero, é isto que busco, e isto que preciso. Logo, quase me esqueci dos dias fitando o Tau de Damião, e logo, me esqueci dos pensamentos perdidos enquanto acima do viaduto, e logo me esqueci de mim - esqueci até da resposta a tudo isso, e a Zécão tava com ração no pote mais comeu um danone que a Velha Senhora deu pra ela. E eu apenas continuo pela razão que me trouxe aqui. E até agora, as últimas cinco linhas foram uma tentativa inútil de fazer esse texto de ordem social sair de foco em você, mesmo caindo por terra agora.
Deita minha cabeça na campa fria, e quando os olhos turvarem, beija minha testa. Desalinhando meus cabelos, sei que você vai conseguir alinhar minhas idéias, e segurando meu ímpeto vai liberar meu desejo, e trancando meu amôr, será sacrário de algo maior que eu consiga ou possa imaginar - quando seus olhos, novamente, cruzarem os meus, palavras não vou dizer, nem ousar cingir seus olhos. Time well tell us.
Quanto aos sons, serão sempre sons, são usucapião da metáfora de gostar, ser e estar. Nada é real quanto a turvação dos Céus sob o Sol, e nada é tão sincero quanto o sorriso de quem achou cinco reais no bolso da calça que ia pôr pra lavar.
Nada é tão real quanto essa minha vontade de môrder o teu perfume.

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