Minhas mãos se fecham, dobram, abrem e transbordam. Minha mãos não são minhas, elas são apenas ferramentas de Deus, da Mãe Cecília, de Tomás de Aquino, de Jorge, Francisco de Assis, de Basílio Antônio do Deserto. Minhas mãos fazem parte da promessa daquilo que eternizei nos textos e nas rezas compassadas, e compadecidas de rôgo; Minhas mãos se cruzam num jôgo de palavras sempre repetido, invertido, trocado, rido, rezado, comprimido, expremido e tocado, e se quiser saber, por favôr, deixe essas palavras minhas tocarem sua alma.
Eu não posso me esquecer das palavras da velha senhora, sentada no sofá, bordando seus panos, e com o cão ao seu lado, assim como não posso esquecer das palavras proferidas na frente da geral, prostrado ao altar, assim como não posso esquecer da conversa que tive com aquela linda moça, tanto como não devo sequer deixar de recordar da música mais linda que as minhas mãos compuseram que não tocou em disco algum. Eu não posso me esquecer das coisas que estão me fazendo seguir em frente, ser quem eu sou, viver o que sinto, e amar quem tanto me amou primeiro. Eu não posso me esquecer que agora é por mim, que sou eu por mim, e que tudo aquilo lá morreu, ficou pra nunca mais, e quando fechei a porta, ferrei os batentes e a chave joguei na reia do açude, assim, não posso me ir para trás, nem me dar o direito de espiar pelo que há atrás da porta trancada. O que ficou no ontem, morreu no ontem,
Meus olhos semicerram para ver o que há atrás das linhas, dos arrimetes de pessôas que se vem e andam contra meu caminho, e o trastejado das nuvens sôbre os edifícios fazem a magia da vida e do mundo acontecer, e de repente, me sinto mais completo, mais vivo, mais feliz. E quando disse que viria, não acreditei, porque nunca se veio, mas, quando inundou, se fez por completo, e a dúvida, ainda recorrente, se fez em mim, mas não me habita, apesar de recorrentemente me possuir. Os meus planos são maiores que a dôr, que a dúvida, e a solidão. Maiores que o mêdo. Maiores que a mim mesmo. Maiores que essa água e esse vinho.
Irmãos, deitem-se ao meu lado, e dêem-me tuas mãos, sintam então, no silêncio tôda a sinfônica de Deus e tôdo o caos do mundo, olha dentro dos olhos e vêde mais do que cada um sente, cada um pensa, cada um faz ou tem, absorve das pessôas suas alegrias, e afoga as tristezas delas, permanecendo-se em amôr. deixando-se o amôr, sendo água corrente, água que se lavam as mãos sujas do labor, do pecado, da maldade e de tôdo o sangue. Ser água é a mensagem, mas, nem tôdos irão entender, e por isso preferirão ser sangue, e eu, na minha leiga ignorância, serei nada, serei ninguém. Mas, ainda sim insistirei a dizer para a multidão que nem me sabe ou que nem me lê, que é apenas isso: Dar amôr, eliminar tristeza, perdoar, e ser água, para se lavar e lavar o mal das mãos alheias.
E o resto será um detalhe.
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