No frio quero te encontrar, no meio da rua e dar-te o meu beijo, o meu carinho, o meu amôr, saber e deixar entendido que você foi por quem tanto esperei, por quem tanto errei, e agora, prostado ante a você, estou a me entregar pela última vez, longe de mim e de tôdo e qualquer tipo de coisa e pessôa, ter-te no meu infinito. Faça ser você a ligação de tôdos os pontos, a soma de tôdas as contas, a mulher da palavra, a buladora da minha regra, e motivo de sonho realizado.
E se aceitar esta módica proposta, será então você, a Madonna dos meus sonhos, escritos, e Concórdia dos meus dias, será a lança, razonete, pendão e escudo, forma e conteúdo, cabelos escuros, sorriso brejeiro, flôr de degredo - olhos que tangem o incerto, que me acertam pelo sincero, me sextavam, inflam, diminuem, me fazem ser tudo e nada, me fazem ser apenas teu - tôdo teu. Te descer até o Vale, te mostrar o acizentado do Céu, e no abrigo das marquises e de concreto, te contar tudo o que sei sobre esses concretos, sobre essas madeiras ornadas, sobre esses pó-de-ostras, sobre a garôa que cai sobre nossos ombros, seu casaco, seu sorriso, meus pés, nem tocam o chão. Não existem mãos que se dão no frio, e sim braços que se cruzam, existem olhos que se entendem, mesas de bares baratos aonde um de frente com o outro, tomaríamos algo para nos esquentarmos, e irmos ter mais com a cidade, comer aquele lanche, vermos o Sol descer do Jardim Suspenso, ter seu colo e afago, e de mim, ter minha música, ter minha escrita, minha devoção, ter minha proteção.
Te deixar na porta de casa, um beijo na testa, um abraço, toma pela mão, um beijo, até amanhã, avisa quando chegar, eu amo você, se cuida, você está linda hoje, e tantas outras frases, sentenças, lugares e coisas que até criaram poeira só por esperar você, só em poder achar que eram tão dignas de você, assim como eu achei que pudesse te ter, ser minha, tantas coisas que caberiam somente no incrível universo de nós dois, tudo aquilo que não poderia de forma alguma ficar para depois ou mais tarde, aprender de você, e te dar as palavras sobre mim, e ter em nós a tempestuosidade da intensidade mas as calmarias de se fazer preguiça na cama, com os corpos colados, dijuntos, com os batimentos sincronizados, com a resipiração se alternando, deixando ser infinito nosso sôpro, e fazendo a vida não apenas existir, mas, ser vivida e vívida com uma fulgoriosidade que somente Deus entenderia e abençoaria. Seria aquilo que não se nomearia porque não demos um nome ainda.
Seria a dissonância da minha guitarra, seria o sôm que as seis cordas tentariam - em vão - reproduzir em madeira vulgar, aquilo que ouso dizer que me lembra você, ou que em melodia te faria, minhas mãos, tão sujas para lhe tocar, harmonizar, meus olhos, tão ímpios que te tangem, prenunciam tôda a vistosidade que nasce e morre em teus lábios, meus braços e tronco, se não merecem o hábito, não merecem mais ainda o hábito de teu abraço. Abençoado eu por te ter. Por te viver. Por te sentir. Por te ser.
Não sei, aonde você está, e nem o valôr ou peso de sua existência, mas sei que está por aqui, em algum lugar que ainda não pude ver, saber, ou ter por onde. Talvez, durante minha existência, eu nunca te ache, mas, saiba que mesmo que esta incrível estória de amôr que nunca existiu, é mais humilde que o Taj Mahal, porém, mais ornada em detalhes e mais rica em vivacidade. E é tudo por você.
Seja amor, sempre amor, inteiro amor, todo amor.
ResponderExcluirE Pra ser amor é necessário existir ? Ou basta apenas sentir?
ResponderExcluir