terça-feira, 2 de maio de 2017

Mais do que Valsa.

A maldade corrompe o humano, porque ele deixa. A nossa genialidade e inventividade - dons que Deus nos deu - logo deram bandeira pros maus pensamentos, para a ganância, findando na solidão. O homem quer sair do degredo para ser melhor e dar o melhor aos seus, mas se esquece que ali mesmo, no degredo, ele pode dar aos seus o dito "melhor-merecido". Quando ele começa a escalar, subir na escada ao sucesso, ele esquece-se de tudo o que aprendeu, e até exclusa as orações que fez e/ou faz. E quando chega no topo da montanha, a ganância (como tudo o que provém de Deus, pois tudo vem do Um, mesmo não sendo um sentimento híbrido), lhe dá o que ele mais temeu: A solidão, inveja, interesse, vazio... Da face, rolam lágrimas de água e de vinho, cousa que só quem sabe da vida após a vida entende - coisa que ninguém leigo pode entender ou desmerecer, que apenas acontece aos de crença. Quem, há semanas atrás guardava o morto agora nada fala sobre ou pensa sobre, apenas crê. O sino tina, dobrando no seu metal a história de uma vida, e nessa história invoca os mártires do dia-a-dia para sobreviver, para ser, estar em comunhão, para se aliviar da solidão, dar-se a paz em carne e alma. Como num rebanho, mantém-se em fileiras, a ouvir, a sentir, estar na presença da Divindade, e de partilhar sua ida, e aguardar sua vinda.
Mas, no final, após tentar se encontrar na congregação, cada um sabe de si, e pouco sabe do outrém: Provei do amargo, e sorvi do mofado, a indiferença se fez minha amada, e na solidão ganhei da maternália, e quando segui meu caminho só, quem só me deixou, só quis que eu não estivesse, e quem em mim cuspiu, no colo quis me recostar, e quem me soltou, logo quis me prender. Quando viram, não... Quando perceberam que eu era livre (porque eu sempre fui meu, mas nunca precisei jôgar isso nos ventos igual um retardado), quiseram me para êles, mas, eu comungo na mesa da geral, e não me cabe entre quem bate e acarinha, sou de gente antiga, minha geração é de antes de mim, e nela sou, estou e fico. Eu não sou daqui, Mater Cecília, e tôdos os gostos que ficam na boca, do que mais sinto falta é o da boca fechada. Se calar, respirar, ouvir, e deixar tudo lá fora ser apenas vento, onda quebrada, noite que vem e faz seu teto sobre minha cabeça.
Como escriba das estepes e profeta dos asfaltos, venho denunciar: A instasifação mata, e causa males terríveis a alma, e não reconhecer Deus em tudo, e nem amar o divino nas mais pequenas coisas, nos faz cada vez mais insatiafeitos, pois, se Deus nos é (em) Tudo, porque nós enjoamos de tudo, ou não nos contentamos com tudo o que temos. Potes de barro, vestido de chita, mala de brim, lenço na cabeça, bota de roçeiro e quadro do Sagrado Coração quase caindo na minha cabeça. É aqui que me pertenço. Minnha gente é gente certa.

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