segunda-feira, 10 de abril de 2017

Depois do Portão.

Há horas, dias, minutos e momentos que me sinto só. Só como a noite que envolve o mar, as estrêlas e o firmamento, só como a árvore no meio da estrada, ou como aquele que tanto se rasgou, e hoje é retalho, colcha fragmentada e frugal de sonhos, pensamentos e de comunhão geral - a união também se faz solitária, atualmente. Nossa (falsa) irmandade, e nossa benevolência (de redes sociais) também é causa mater da nossa gemência e ranger de dentes neste vale de lágrimas, e no que pudermos nos fortalecer para diminuir nossa dôr, por favor, façamos. Cuidemo-nos. Veramente.
Houveram dias em que a mesa era pequena, mas de tanta gente que se unia em volta, ela parecia pequena, hoje quanto me sento, a mesma citada mesa parece ser tão grande. Obrigado Deus, ao menos tenho uma mesa para me sentar e sentir dos prazeres de uma refeição - Obrigado Meu Deus pelo cão mais desordeiro do mundo, Obrigado Meu Deus pela dôce música. Há dias em que por mais que eu me sinta, e seja maior, não consigo ser o tempo tôdo, e nem mesmo quem se diz tão limpo não se mantém o tempo tôdo, e nem mesmo quem reza se mantém afastado do pecado, e nem mesmo quem se entende, consegue as vezes se entender. Lidar com esse mal secreto, é talvez travar uma luta invisível consigo e seus amigos, e uma gama de gentes que nunca entenderam a proposta do jôgo - como dito no post passado, se faz necessário nós nos ajudarmos, para depois ajudarmos o alheio, para depois o mundo.
Se, em cada pedaço de cada ser humano está a parcela do Divino - Deus Triúno - logo, em mim se encontra em Deus, e no leitor, e nos pais do leitor, e em tôdo o resto, logo, se cuidamos de quem padece, ou oramos para quem se encontra em maldade espiritual, nós estamos fazendo a manutenção de nossa fé, e ao mesmo tempo cuidando, e louvando o milagre maior de Deus: A vida! - e obviamente, cuidando de uma parcela do Divino Deus Triúno. Cuidar de quem padece, além de proteger a integridade da carne, e salvar um irmão da perdição, é cuidar de Deus, e proteger uma de suas inúmeras moradas.
O problema, é que algumas pessôas não conseguem, não têm a fôrça necessária de se degladiarem sozinhas, e por isso se prendem, ficam, mareijam. Dessas pessôas, devemos ter do mais bôm cuidado, e amôr, e principalmente discernimento, pois no mundo provamos da maldade, e muitas pessôas podem se esconder sob o véu da falsa impotência, ou da falsa clêmencia. Devemos ser humildes, mas não podemos ser de forma alguma ser escravos da tolice. Não devemos nunca abandonar ou esquecer de cada mão que tocamos, cabelo que afagamos, palavra que dizemos e sentimento - tampouco desistir dos que mais precisam. Não devemos criar a cobra que nos morde, mas, se necessário for alimentar serpentes, façamo-os cientes de sua natureza, e ciente do final. E mesmo que a bondade, a caridade, a fé e o amor, seja retribuir o bem com o mal, ainda sim, que nos seja dado a recompensa do bem-estar, com nós mesmos e ao ver nossos irmãos em bem, em paz. Em Paz e Bem - que não sejamos maiores que ninguém, nem na frente de homens, nem na frente do Cristo. Sejamos irmãos, reis, rainhas, professôres, profetas, escribas, pirañas e cada um de nós, um pelo outro, um com o outro. Que cada um aprenda a secar a lágrima alheia, a não continuar a torrente de más palavras, que não sujem um vaso limpo, tampouco olhem e disfarcem, olhem e ajudem, e se não puder ter da bôa ajuda, que ao menos tenha da bôa reza para que Deus encontre até uma forma de estar próximo de quem mais lhe precisa.
Seja um instrumento da bondade, de Deus: Para o cego, seja os olhos, para quem não tem luz, seja o óleo que falta na candeia, para quem chora, lenço, para quem geme, alívio, para quem quer sangrar, bisturi, para quem ama, seja o consorte, para quem entristece, a Verônica, para quem exalta, um menestrel, para quem desanima, pendão, para quem louva, adorador, e para quem é, seja mais.

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