terça-feira, 28 de março de 2017

Nada Será Como Antes.

Sente, que nada é mais como antes.
Sente, que você mudou, mas não tem nada não: Mudou pra melhor, eu juro. Seus olhos ainda continuam lindos, vívidos, fortes, tementes e tinindo, olhos que simulam um paraíso que cabem entre a face cingida de quem há pouco esteve entre a porta estreita e a perfeição do supérfulo. Eu tomei uma direção, e você outra, mas não tem nada não. Se fôr da vontade de Deus, a gente se encontra logo mais, amanhã, ano que vem, daqui há umas horas, num outro plano espiritual. Mas, por favor, caia por terra com seus conceitos, assim como deixarei cair os meus: De você quero apenas a sua essência, o que me fez tanto amar você.
Sente, que nada é mais como antes.
Sente que eu já fui o sôm, fui o vento, fui a água turva, nôite illustrada, fui da geral, e cantiga de marujada, hoje sou velação, cêra que derrete e nada pensa, apenas mantém a linha em comunicação, olha para até onde fui, até onde me deixei, até onde te encontrei, e tira esses véus, véus tão claudicantes que você não entende que no final, não há mais dor minha, e, de mim mais nada tem. De mim tem apenas aquele abraço guardado para depois (leia novamente o 1º parágrafo), tem o bôm pensamento e o bôm conselho, de mim, apenas a música que me devoto desde o ventre da madre, e nada mais, nem a menos, nem incisivo, e nem externo. Tão somente isso, o que te cabe, o que me cabe, minha vida, sua vida. E nada além disso.
Sente, que nada é mais como antes.
Quando a ficha caiu, não era tarde, e sabe disso somente eu e você. Deus também. Mesmo que historiadores, escribas como eu, pessôas dissidentes de um sentimento, e até mesmo os doutores da Igreja, Reis, Profetas, Monsenhores e Biscoitos ouvissem sobre tudo aquilo, e fôssem reproduzir, nenhum deles saberiam como foi grande, como foi simples, rápido, humilde, mas tão genuíno, de uma grandeza tão grande que era miúdo, cabia somente entre nós dois, e quando perguntassem a mim, ou a você, o que foi, acredito que mesmo que usássemos da melhor palavra, e da mais alta nostalgjia para dizer, não conseguiríamos, porque é algo que ainda não morreu, está vivo. Talvez definhando, morrendo com certa, hm, "dignidade", mas, tá aí. Live and Let Live (Arthur Lee, eu me lembro, não me deixe esquecer nunca).
Sente, que nada é mais como antes.
Sua efíge ainda me causa um sentimento estranho, como se eu tivesse algo pra dizer, e nunca digo, e morro com esse peixe na garganta, com essa areia me afogando, e talvez eu nunca irei dizer tudo aquilo que ficou pendente - roupas no varal, aquela camisa que você amava, que eu sempre usava pra te ver, o cheiro do perfume, o anel do Santo Guerreiro que não habita mais em minhas mãos, e de mim só sobra a barba, o corpo deformado, mal definido, o cabelo sempre bagunçado, a velha tatuagem de Mater Cecília, e aquele sôm no ouvido, falando pouco e ouvindo muito, e seguindo. Maravilhosamente seguindo.
Sente, que nada é mais como antes.
Ergui as mãos pro Céu, e rezei. Pedi as nuvens que me dessem um brumeio, um frio, uma alegria, uma festa, um milagre, uma razão. Calcei botas novas, reparti do meu sangue, tomei um café de rei, e um almoço de pashá, e saí - na rua tive com os meus, ouvi, fui ouvido, senti, e recebi amplexo dos que estão comigo na lida diária; Gentes que se lembraram de mim, que estiveram comigo, que me fizeram bem, que me fizeram mal, mas, que de alguma forma eu deva ter marcado a vida, pois se lembraram de mim. Mas, de todas as mensagens, abraços, carinhos, e presentes, o melhor foi o teu.
Sente, que nada é mais como antes.

Um comentário:

  1. E eu nunca, nem uma sequer vez, deixei de ler e de orar por você.
    Gratidão!

    ResponderExcluir