quinta-feira, 9 de março de 2017

Behind That Locked Door.

Não se renda.
Não caia com medo, caia pela glória - mas se lembre que em tudo há uma glória incutida, até nas cousas pequenas e nas cousas ruins, tudo tem seu motivo, mesmo que nem todas as cervejas e licores possam nos dizer o motivo ou ativar o raciocínio.
Não se entregue.
Não deixe que te tomem, e não faça mais a velha alegria como meta afã de realidade, família de comercial de manteiga não compete aqui. Quero o que me cabe, o que preciso, e há muito expectei. Quero aquilo que não me cabe, que não tenho, que foge de minha vida, habilidade, hábito, e vida. Quero ser outra pessôa para pôder ter o que quero. Eu quero o que eu não sei mais. Eu quero saber. Eu quero ir, minha gente, eu não sou daqui. Quero ir, quero um pouco, espera.
Não se permita.
Quando a alma é livre, cada vez mais a liberdade tem garras que lhe arranham, porque a liberdade também é uma prisão e também tem um fim. A liberdade também morre, e uma hora tudo morre, e enquanto essa morte minha não vem, vou seguindo com o velho pendão e esses ideais Quixotescos, e essa dor que não ameniza, não passa, mas no contraponto me faz tão vivo, tão jovem, tão excluso, tão meu. Eu preciso urgentemente encontrar um amigo.
Não se demore.
Perca tudo ao seu redor, e reconstrua. Tenha uma vida cigana, tenha um sentimento nômade, mas não se demore, porque se não te cabe, e tudo foi em vão, quão d'acabar o enlutamento por aquilo que morre nos pés da Concórdia mais bela, apeia e segue. Até mesmo a maior de tôdas tem seu fim. A alegria de hoje é saber que há um fim, aonde ninguém está certo, nem errado, nem nada. Apenas se está preparado para o fim, e quando se chega, a gente olha ao redor, e segue pro desconhecido, e a porta que se fecha não se abre mais, assim como tudo aquilo que se escreveu na areia e as ondas da reia apagaram. As ondas vão apagar tudo. As ondas vão nos levar embora.
Não se desespere.
Eu não tenho tempo para acusações, meu tempo decai entre essas palavras que ninguém lê, por isso, digo e rogo para a Divindade que tôdo amôr se'a eterno: Que as cartas cheguem, que o sorriso desabroche quando ouvir a voz, que os "télegramas de vem-me-ver" sejam entregues, que os beijos sejam fulgurosos, que se baste, e exceda, transborde de um no, para, e com o outro. Que exista um motivo para que você creia que ainda exista tudo isso, andar na chuva abraçado com a mulher mais linda do mundo, que a vida prossiga como prossigo com meus passos rumo ao segredo escondido nas palavras. Você não lê, mas entende e acha lindo. Toque ao contrário.
Não se intimide.
Deita teu corpo, e sinta cada pedaço de suas carnes vibrar. Eu não estou mais aqui. Quando você me quiser numa conversa, toma meu nome e decalque, eu não estou - saí pra almoçar. Quando teu corpo precisar de um abraço, toma dos teus, eu estou numa viajem de negócios. Quando te precisar da música, indica-te pelo dial do rádio, eu fui comprar um maço de cigarros. Quando te precisar de quem te faça bem, olha tantas estrêlas que tua vida tem, eu peguei um aeroplano para Cnitos. Não me chore, nem me sinta. Segue.
Não se surpreenda.
Quando tôdas as bandeiras tremularem, vai ser tarde, e quando o sorriso desembocar numa risada, serei lembrança e recordado. Põe teu copo, bate e toma num último folguedo em minha honra, só para dizer que lembra de um hábito meu, e quando riscar o Céu com seus dedos, a essência do ar nos fará juntos, depois de um tempo. E quando aquêle sôm rolar, bata com a mão na coxa, maneie a cabeça, feche os olhos e sorria, porque eu estarei ali. Serei a extensão de tudo aquilo que você nunca quis e nem pediu - resto de feira que apodrece em tua feira.
Não se esquece.
Há de tudo um proveito, cabe a você entender tudo, ou apenas esquecer, ou criar um caso por coisa que não tem motivo.

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