quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Na Sombra De Uma Árvore.

Silenciosamente, estou me preparando. E honestamente não sei para o quê, e com o tempo e a sacra experiência, não me assusto mais com isso, de forma alguma - hoje posso dizer que até gosto. Quando o já supracitado vento carinha meus cabelos, meus olhos mareijam a lágrima teimosa me lembrando de quem já se foi, e de lá vem a contra-força dos contra-crônismos, do anseio de espichar um cadinho mais aqui. Honestamente, encontro-me renovado cada dia mais, e a onda boa continua a quebrar, e cada vez me sinto um saveiro sem cais, não posso de forma alguma reclamar de nada. São Baden, rogai por nós.
E, assim, assuntado para as nuvens, passa o plano, passa a bruma, e entre o brumeio o oculto (não) se revela, apeado nas asas do Garuda, não procuro nada abaixo das asas, apenas o mar, acima dos olhos, o vento, e em mim, a essência de quem me amou primeiro, e por acima disso, não cabe dizer nada, nem procurar, deixo que me encontre, com o peito, mágoa, e chaga aberta, pois da morte não se cabe o medo, e do momento, eu desdenho do seu poder de achar que pode querer e ser maior que isso tudo. Mentira, não pode. Porta estreita, porta estreita, quanto mais te passo, mais te entendo, e quanto mais te entendo, nas inscrições de tua passagem me conheço, me vivo, vejo os meus, e a eles bendizo e louvo. Porta estreita, por você e Deus eu me dobro.
Encontra-me, viração, e nas ruas dos prédios velhos que há tanto ando, vede que sou mais um deles, e que sou de tudo aquilo que se encontra vivo e rasante, mas não me pertenço a quem me segurou. Sou da ávida, das esquinas, da esgueirada e da ziguezadeada pela ladeira, que cruza com o Pateo passando por baixo da Vista, e eu vou é tá ali, bebendo aonde êle me ensinou que é mais barato, e dá pra economizar comprando mistura. Me segura pra eu não dar na sua cara, me segura pra eu não contrair um sôm, me segura pra eu dormir nos seus braços, me segura pra eu não escrever dela, e me segura mais ainda, porque eu estou com as velas infladas pra sair daqui, vou passar por debaixo das copas de árvores aonde êles passaram, e se Êle permitir, eu com o fel me torno mais dele, e mais meu - minha gente é gente certa, gente que acerta, erra, pede desculpa, morre de saudade, e é feliz apesar dos adversos. 
O avô da Cecília mais bela se encontra vivo nos murais, nos bares, discos, no Senhor do Bonfim que emana alegria, no violão tão sujo, tão nosso, no "Mustapha, Mustapha, Mustapha Ibrahim", e nos erros - Deus! Quantos erros que vieram manual de como não ser, e nos (poucos) poucos acertos, ser caminho, trilha, e sustento, e que seja maior que todo tipo de erro. O avô da Cecília não morreu, êle foi pedir pro Seo João pra afinar aquele violãozinho vagabundo e pra aprender a tocar Gardel e Celestino pra Dona Maria José, o avô da Cecília depois vai estar em algum bar com o Marinho, e de lá, vão ir pro campo da NIFE pra ver as cocotas na Brasília emprestada do Seo Fábião - que por sua vez vai rezar pra êles não baterem de novo na Parada XV, e de lá cai no Ferro's BAR. A morte só vem pra que não tem quem se lembre. Meu morto tem quem o lembre. E o moto-perpétuo se estende até a Cecília mais bela, meu pendão e flôrete, passado e futuro. 

Eia a candeia daí, Fabinho, que daqui pra frente a estrada vai ser longa, e toda luz é bem-vinda. E a vida continua, maravilhosamente. 

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