quinta-feira, 22 de setembro de 2016

A Matança do Porco/Xá Mate.

Ávida multidão, quem te guarda do mal é Deus, não a polícia. Assim como o mal, o bem também existe, existe a coexistência. Existe tudo aquilo que cabe entre o universo e a porta de nosso quarto. Tudo cabe no bolso, como cabe na alma, o espaço surreal e material tangem-se de linhas paralelas, que raramente se encontram mas nunca se cruzam. O que está na Terra, está também no Céu, mas o inverso não ocorre, pois foi corrompido a ligação do homem com o começo de tudo. A Gênese.
Vapor do São Francisco, que carregou minha avó, meu pai de avô, minha vida, nossas vidas, quem não te deixa ver o mar? Quem te poda de avencas, arruda, guiné e guaco? Quem, Benjamin não te deixa subir no quebrado de Nazaré? Quem te censura, te expõe e não deixa ser o que você é? Vapor do São Francisco, quem não te deixa ver o mar?
Quando olho para todas essas pessoas, meu coração geme. Dói em mim, e dói por eles, e por todos aqueles que se penam e se danam em uma didática de erros eternos: Ondas eternas que brincam na areia da praia, que não se afogam, nem somem, se perpetuam na eterna existência de ser e estar. O resto é oceânico, é silêncio.
Me lembro que quando me afoguei, a doce suculenta água travou minha traquéia e meus olhos cingiram uma bruma esverdeada como que deixasse de ser, e o corpo leve que boaiava, simplesmente ficou suspenso pela água, como se Iemanjá o trancasseem seu reino. Ali eu desaprendi a ser, e a me reconstruir, ali eu vi que nunca me pertenci a ávida multidão, eu me pertenço. E rogo a tão estimada ávida multidão que se vigie: Pois quem é muito dono de si, e divulga a liberdade, paga contas a alguém.
A Lotus deixa seu cheiro impregnado em mim, e minha alma guarda um pouco da sua essência na minha, o implícito entre suas palavras, sorrisos, beijos, seu ser; E carrego a fragmentação da flor mais bela em minha alma, e ofereço o melhor de mim, todo santo dia para reconquistar, para vencer, para amar. Tal qual a futura Cecília, a tão mais linda, a mais bela, a mais amada, esperada e adorada, com as mãos sujas de terra, e com o sorriso mais belo do universo. E nada além disso. Com o peito aberto e chagas abertas, passo pela ávida multidão e mais um dia me resguardo, e guardo o melhor de mim pra Cookie, pra Leoa, pra Rainha, pro Chá Mate, pra quem realmente mereça.


E o resto são só palavras ao vento. São só coisas que a ávida multidão sabem. Coisas que eu sei.

Um comentário: