Eu sou o Capitão de minha alma, e acima de mim está apenas o Rei das Águas Fundas, e Ele me dirá se minha nau cai, vira, se rompe ou supera a ida em terras distantes. Não importa o que te digas, eu ainda serei o Capitão, e isso me basta na leiga ignorância da vida, para esta sociedade, para estas pessoas, para todo o resto do mundo, me basta esta patente.
Filho meu, Hoje é Dia de El Rey, e em algum lugar do mundo, alguém não irá se importar com isso, e em algum lugar do mundo, alguém continuará pescando seus peixes na velha tarrafa esverdeada, para sustento de sua família e livramento da fome - Milagre Contemporâneo dos Peixes; Filho meu, Hoje é Dia de El Rey, e ao menos pra alta sociedade que interpele e convive diariamente co'o ele, isto não nos significa nada. É só mais uma patente.
Minhas fardas, pensamentos, bordões, japona, anéis, corrente e vestes - tudo isso se mistifica e me diferencia ao andar ante a multidão ávida por nada, entre cada encosta, atracação e partida, a cada estivador que carrega e retira o que trago e levo, e a cada imediato e marinheiro que um dia ousou estar comigo. Chá Mate. A Matança do Porco, assado e deglutido por pessoas que sorvem da carne, vinho como se fosse a última coisa de suas vidas, eles não tem se queixado nem se cabido em nãoz e vivem uma espiral ilusória, e meu coração - chora.
Aqueles olhos negros eu nunca esqueci, enquanto minha viola morde o teu retrato, assim como nunca esqueci a dor que me causaram, minhas chagas e perder de vista quem um dia me mostrou suas riquezas naturais em troco de nada, apenas pelo bel prazer de ser feliz. Hoje eu carrego trinta quilos a mais de tristeza, Deus Vos Salve, Rainha. Obrigado por tudo, e pela vida cheia de aventuras. O mar atrai mas é denso, fundo, gélido e trás em si um mistério de uma vida toda, de uma eternidade que não cabe a mim questionar, mas me permite desmistificar a cada nó que deslizo sobre sua turva água. Coração americano, acordei de um sonho estranho...
Em cada passo que dei pelas ruas do porto, muito do que vi, nada me interessou, nem tal a verdade absoluta, que hibridamente se encontra na terra desconhecida que eu encontrei ou nas jóias dos reis de terras vizinhas. A relatividade do meu panorama geral apenas mostra mais ainda meu descontentamento; Não por adquirir bens, ou extrair recursos, ou navegar sem rumo e perdão, mas pelo simples fato de ter tomado tanto rumo, e hoje estar em plena deriva, esperando algo que nem sei o quê, alvoroço em meu coração.
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