quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Janeiro.

Deita-te sobre meu peito, e como quem não quer nada ouve o silêncio. Lá fora apenas o silêncio do vento batendo no vitral da sua sacada, da palmeira ventando forte, da chuva batendo na esquadrimetal alheia, e cá dentro, apenas a minha respiração, que na sua complexa humildade, serve pra te ninar.
Não que seja o que tu merece, mas, é o que posso lhe oferecer. E ainda digo que deveríamos curtir e aproveitar esse momento a cada segundo, cada momento, sem hesitar ou duvidar. A cama que é pequena hoje, aproxima nossos corpos, mas, quando a cama for grande, podemos ter mais espaço para ambos de nós, e para nossas crianças, cachorro, e o que vier, mas, a graça da vida é isso: Lembrar dos dias de namorados na cama de solteiro, se espremendo e comprimindo para poder sentir seu corpo cada vez mais contra o meu.
O amor existe quando existe você. Você existe porque Deus quis alguém para me completar.
Lembra-se de tudo aquilo que foi vivido, e das experiências, das receitas, dos beijos, do sofá, do cachorro, do edredon, e dos banhos. Por quê não manter tudo isso no futuro? Porque se cabe a Deus. Podemos planejar, mas, ter a sensação de certeza, é somente quando chegar lá, quando viver lá. Caso contrário, isto fica engavetado, engessado nas linhas de pensamento alheias e controversas.
Quando as coisas quiserem tomar sua forma, lembremo-nos de tudo aquilo que nos fez nos encontrar, nos ser, e nos estar aqui. Não é qualquer coisa, a qualquer momento que possa derrubar. Pessoas, caminhos, situações, passado, presente e futuro. Ninguém sabe ao certo a história de ninguém. Nem suas reais intenções, porém quando se abre suas chagas para uma pessoa, você está propenso a caminhar uma trilha de mãos dadas com tal pessoa até o fim. Fim este que é hipotético, porque, se for para ser um eternício, não há fim algum. Cabe a nós, nestes entreveros, ter paciência, e ver o passado, pois no que ficou você entende as atitudes, porque no passado foi forjado o agir de hoje, e porque no passado foi feita a base do que somos hoje.
E o resto, todo o resto, é silêncio.
Janeiro.

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