segunda-feira, 7 de julho de 2014

Maria.

Maria, me ouve. Desce dessas nuvens e me acode. Me leva pra junto de ti e me guarda embaixo da barra do teu sari e me vela, me deixa ao menos alimentar da migalha do teu pão e guardar meu amor no teu coração materno. Maria, nada sou sem ti, meu coração é teu, mais ainda minha alma, e sem ti, me nada sou, e nada existo. Meu pendão e minha glória tem teu signo. Louvado o Deus que te escolheu e mais ainda eu que te tenho como Advogada, Mãe, Rainha, Amiga, Defensora e Amante. Conforta meu coração na hora ruim, e não deixa o mal adentrar em mim. Não, nunca.
Maria, me livra da angústia. Guarda o grito preso na garganta, e me faz calar a boca cada vez mais, e me faça cada vez mais voltar a ser aquela criança estúpida e boba que você abençoou: Inocente e bobo, sentia medo de ver um Cristo crucificado e rezava para não ser o próximo. Maria, olha por mim e pelo meu coração tão bobo, tão ousado, incandescente e inocente, que cada vez que passa se joga louca e inocentemente a cada relacionamento, não vendo a queda, e sim o vôo livre e se alguém um dia - quiçá - o pegará em pouso (leve o forçado). Maria, me põe nos teus braços e me faça dormir, como fizeste dormir tantos homens, que hoje estão do seu lado, lado que eu almejo estar cada dia da minha vida.
Guarda meu caráter embaixo das tuas mãos, e que toda a minha sinceridade contenha tua mão, teu beijo, teu carinho, teu tato, teu afago e tua sensatez. Maria, me faça ter compaixão do próximo e fazer por ele o que poderiam ter feito por mim e não fizeram (e nunca hão de fazer em suas vernas mais silenciosas, a eles peço justiça por nunca me olhar com olhos do seu povo, Mãe Maria, olha por nós, filhos teus que morrem e padecem por esta terra bruta, maldita e fétida, que nunca tem reconhecimento, amor, e afago de quem mais se precisa e ama).
Mãe Maria, me ouve. Ajoelha-se pra me ouvir, mesmo não merecendo isto. Dá-me maturidade para não entender as coisas por um prisma errado. Forja em mim a luz que incandeia do teu candinheiro, e não deixa meu caminho escurecer, ou que quaisquer pessoas o escureçam. Maria, olha por mim aqui embaixo, e me dá uma resposta, um sinal, qualquer coisa pra dizer que você tá me ouvindo, e que este texto, de alguma forma há de chegar até ti. Me manda um raio, um Sol, uma palavra amiga, um comentário, um beijo, um acorde perfeito, um sorriso, um sim, não ou talvez, mas, peço que me cegue com tua graça, porque não aguento o silêncio. Você tem uma das melhores partes de mim, que é seu afilhado. Teu afilhado, Maria, pode não ter sido um bom homem, mas, foi o homem mais importante da minha vida, mesmo não prestando, bebendo, xingando, ofendendo, rindo, cantando, dançando e olhando o pôr-do-Sol fumando seu maço esmaecido de Hollywood (que dentro tinha cigarro "Vila Rica"). Maria, guarda ele no seu colo, e o ensina a dormir o sono que perturbado algum dorme. Ensina ele a tua dormição, e que é a mesma dormição a qual tanto amo, tanto quero, tanto anseio...Demora muito pra gente se ver?
Maria, as coisas não são como imagino, e disso já me sei até pro mês. Então, nada mais me resta além de sentar na bancada para ver emergir da lagoa o Monstro que come a virgem da aldeia. Protege ela, Mãe Maria, assim como me protegeu do Cão Da Bestafera, e me fez criança pra brincar na barra do seu vestido, mais de uma vez.  Tira de mim as idéias feas, as pessoas erradas, os caminhos incertos, os passos infalsos e o medo de cair em meio a rua movimentada. Segue comigo, e que tua mão aperte a minha, e que de mãos dadas nós vamos para todos os locais juntos, sem medo de tiro, bala, faca, corda ou alabarda. Maria, a morte é a maior alegria da minha vida, porque é na minha morte que vou te rever e que vou poder entender todos os porquês, sim's e não's. Maria, em ti está a minha salvação, carinho, medo, glória, raiva aflição, enfim...Sem ti, de nada sou.
Maria, me ouve. Desesperadamente, me ouça. A ti, ascendo essas palavras, e sei que há de me responsoriar, porque a ti Deus corou de estrelas e planetas, então, sei que apesar d'Eu não merecer teu carinho, mais ainda tua benção, tu como a Mãe Santa que é, há de ouvir minha palavra sobre Israel. E quando eu me pegar em tempos de aflição, aperreia: me leva pra junto de ti, e que d'um alto duma nuvem, nós fiquemos rindo de toda a confusão e toda essa cousa estranha que é a vida.
Maria, obrigado por ontem, por hoje, por sempre. Por tudo.

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