quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Parabién De La Paloma.

A rua estava deserta, mais deserta estava minha aurea. Eu estou até agora estatelado, preso e inano a uma meia dúzia de palavras que nem eu consigo digerir; Como diria minha velha e prenha de vida mãe: "tá é barrado aqui, ó!". E ficou.
Um pássaro apeou na minha casa, me honrou com seu canto, e eu o louvei lhe dando semente. O pássaro teve comigo. O pássaro voou, e não voltou por dias, e depois voltou, e perdurou mais. O pássaro ainda está aqui, mas, ele vai embora. Se eu cortar sua asa, ele não terá o vôo lindo pelo qual o admiro, e se eu o por numa gaiola d'angôro, ele esmaeciará e poderá até morrer. Eu não sou assim, e não fui nascido e criado para isso, meu caminho não diz ou condiz com a prisão e mandanças, eu nunca fui assim, nem tampouco agora eu serei. Dá é um medo de que eu tenha que abrir a janela e ir o pássaro embora, e o mais foda de tudo, pai, é saber que ele vai. Por mais que eu faça de tudo para lhe dar boas sementes e grãos.
Pai, se o pássaro for embora, eu vou ficar só. Isso não é queixa, nem má feitio, mas, é a realidade minha. Você sabe que eu tenho medo de cruzar uma ponte tanto quanto de ver o pendão na raja-fresna, então, o que fazer? Cadê você, e todas aquelas ligações no almoço e na faculdade, cadê tua aurea, tua luz, teus conselhos, me ajuda porra! Você era o único que ia me ajudar agora, e me mostrar como ir, e como fazer o pássaro ficar. Você não está aqui, e o pássaro vai embora. Pobre nunca tem sorte na vida, pobre tem é que se foder mesmo.
Vó me disse que os "humilhados serão exaltados e deles serão o reino dos Céus". Tenho medo disso. Sabe, pap, eu fui tão pisado, mastigado, encolhido, espezinhado, posto ao lado, enxotado, enganado, traído, substituído, fraudado, furtado, que nem sei mais se eu tenho direito a uma nuvem no Céu. Tenho medo de Deus e de sua Altíssima bondade. E só disso tenho medo.
Pai, hoje é dia 4. E eu queria é te dar aquele abraço com o cheiro do cigarro como se fosse teu perfume, e poder tocar Lô Borges contigo. Pai, eu tô me sentindo tão só e tão perto de qualquer coisa. Mas, tão só do que eu realmente quero, do que eu realmente preciso. Estou cada vez mais me auto-sabotando, auto-engalfinhando e me auto-machucando, como naquela história que me contavas quando eu era pequeno: Resfa, com medo de ser preso, e sendo contra a vontade de Deus, morreu no seu disfarce, dançando compulsivamente e rindo enquanto se auto-mutilava e vazava os olhos. Talvez seja meu dia de Resfa, pai. E me tenho em pensar, e pesar. Pai, aonde quer que você esteja, deixa a bruma pesar, e que nesse frio pré primavera, eu encontre as suas respostas para minhas questões, e que todo o resto se cale num ensurdecedor tino de Sino 3/16. Hoje eu queria apenas tocar Lô Borges com você.
"Espero um pouco mais;
Desse homem;
Espero um pouco mais;
Desse ódio;
E aprendi, a ser como meu gato;
Que descansa, com os olhos abertos..."

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