Quando você chegou, eu fiquei meio atordoado. Você meio que se assimilou em mim ou eu que me assimilei em você, Sinhá? Não consigo entender como você tem esse dom tão belo de me fazer ir para longe; Deixar meus pés longe do chão, e fazer minha voz fechar as ventas, e trazer os brilhos nos meus olhos. Você é o tipo de garota que arrota, bebe, anda no meio da multidão, tem o seu estilo, e ainda consegue ser meiga mesmo se colocasse um soco inglês entre os dedos, e se esvenchilhasse entre quatro em um aperreio de três ventas.
Saiu o Sol, é hora de acordar! Ver das janelas, a onda a beira-mar. O dia ainda pena, mais ele insiste em nascer, minha Sinhá, a Rosa desabrocha, e eu quero te saber. Sem erros, mentiras, acordes tortos ou abafados, sem enganos. E sem erros desta vez, um ré menor, um dó e um lá menor compõe a longa estrada que ainda caminharemos juntos.
E, de repente, nossos egos se esbarram, e a chuva cai. Sua juba de Leão se molha, e como que impossível, Deus lhe deixa mais linda ainda com seu vestido, e seu sorriso ladeado de dentes afiados e doídos pra quem sente das tuas mordidas. E, de repente, seu cafuné me lembra o cafuné da Dona Maria que fazia sempre meu Pão com Manteiga Aviação (TM) e meu chá mate. E, de repente, não sei se por meiguice ou por vontade, te tomas nas tuas mãos, e fico atado igual ao nó-da-madeira; Preso em um ponto fixo aonde me deixas e me encontras. Sua cara de nervosa, seu olhar de raiva, sua mordida forte e marcante, seu choro contido e sentido, a chuva que cai, e trás em cada gota uma benção, a sensação de paz quando afoga sua mão no mar do meu cabelo, ser a terça parte do novo Trio que se forma, ser um dos motivos que me faz ser alegre, e mais a toa...E porque não dizer, ser uma das novas musas que compõe o panteão deste escritor de bosta.
O abraço que dura meia hora, e faz qualquer pessoa da lama se sentir no Céu, sendo benzido e amado por um anjo. O cheiro do sabonete de uva nas mãos, o rosto colado ao meu, o seu abraço rente ao meu coração, e todo o vento e chuva fina possíveis de um Brumeio vindo em nossa direção, minha lã de carneiro nos esquentando, e tudo aquilo que poderia ser dito em um instante, com um abarrotado de palavras, se transformou em uns, sei lá...7, 8 minutos (ou menos) que me valeram todo o tipo de feelin' válido. Suas meias me lembram teu passado, teu jeito, pessoas que já se foram, e teus trejeitos comigo me lembram uma boa e linda parte da minha vida, e o que vejo e sinto em você, é tudo o que eu esperaria de uma pessoa, de uma menina, de uma mulher, que, ao meu ver, é o que você já é.
Quando eu era um menino, tive que agir como homem. Trabalhei, ajudei, vi, vivi, sofri, penei, e hoje estou aqui. E vejo que você trilha a mesma estrada qu'eu. Vejo nacos de mim em ocê, e isto me alegra horrores, por isto quero sempre estar contigo, ser teu arrimo, e dar-lhe conforto, e minha força. Quando precisardes, tenha comigo, e eu estarei aqui, eu penei sozinho, mais, eu que conheço como é esta tua luta, que ainda a vivo as vezes, lhe digo que você não precisa estar só. Tenha a fé, e guarde a foice. Estou aqui, estamos aqui, e a recompensa vem com o estio, e seja sempre assim: Uma Leoa sem medo de despedaçar qualquer medo em teu caminho.
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