domingo, 2 de dezembro de 2012

Paisagem Da Janela.

Eu estou sentado na janela, tocando meu violão. Da janela eu ouço pássaros, trovões, procissões e vendedores que passam, na rua de pedra-polida; Na parede, pregado, tem uma foto sua comigo, uma vaga e leve lembrança do que deveria ser o "nós". Eu estava bem arrumado com aquela camisa, e o seu riso despontava tão lindo, que foi até inútil não lembrar daqueles momentos a noite; Quando eu olhava para ti, e sentia teu corpo sobre o meu, o brilho dos teus olhos, e você me abraçando forte, depois de me fazer um chá forte.
Eu olho tua foto, e o teu vestido branco, decotado, quase transparente, tão lindo, e tão macio, que ficava entre o abraço de nós dois, pequena, e lembro do teu cheiro, quando se avinhas para mim me dando bom dia, com aquele beijo gostoso com gosto doce de toddy na minha boca. Eu lembro de cada segundo, enquanto toco a nossa música. A música fica, presa, impregnada e segurada nos meus dedos, mais, você não ficou; E tampouco vai ver como eu vou ficar....
Contemplo as rosas do jardim, mas, meu senhor! São apenas rosas, que tem a maciez da pele dela, o cheiro gostoso dela, e a calmaria dela. São apenas, pequenos repetecos de lembrança que me arrastam aos dias de glória, aonde fui mais que herói: Fui eu mesmo, e ganhei louros por isto.
Sentado na janela, eu toco a nossa música, mas, você não aparece na janela nem sequer para tocar em mim, e nem para ouvir eu tocar. Agora, só, e com a mente em você, e os dedos na "nossa" melodia, eu fico como um bobo a procurar você em acordes, na lira aonde faço meus cabroches. Pequena, cadê você que nem vem? Olhe para a janela, e veja: Eu estou aqui.

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