A chuva caiu nos meus ombros, e o vento me apeiou para o meio da rua. Eu não vou me importar, afinal de contas, basta apenas virar a cálgara (lapela, para os iniciantes) do meu casaco que você tanto acha gostoso, e já te protegeu de garoa e frio, e estou livre do frio, o mesmo frio que atacou você naquele dia frio de novembro. Pego me andando na chuva, e isso me deixa feliz, sabe? Porque eu sinto cada gota em mim, bagunçando meu cabelo, me fazendo sentir mais minha respiração, coisa que eu não sentia desde que você estava colada em mim, e beijando minha boca. Se você fosse um efeito natural, seria a chuva, água do teu signo, porque você cai sobre mim, me molha, e me cerca, me deixa indefeso. Logo, não tem mais jeito, eu sou teu, e você está sob mim.
Ainda está frio lá fora. Aqui dentro também está. Eu deixo a janela aberta, para ver se o vento trás para mim algo de você, algum beijo, abraço, amasso, riso, ou aquele olhar místico que me deixa tão hipnotizado, que nem eu sei dizer como ele é, como começa, ou quando termina, assim como tudo em você, me pegou de súbito, e me deixa sem ar, e a cada momento que estou contigo, e a cada coisa que vivo contigo, e a cada coisa que eu te falo, eu não sinto nada, eu apenas mecanicamente digo: Uau; E convenhamos, o que mais eu poderia dizer? Lembra dos dias frios na praia, que dormíamos juntos? Hoje está até um tiquinho mais frio que aqueles dias, e aí, cadê você para estar comigo?
Eu bati no meu casaco atrás do meu cigarro, para pensar em qualquer merda, menos em você. Mas, eu não fumo mais, e nem tenho mais isqueiro, lembra? E aí, eu me peguei na passagem de Deus falando com Judas, no apócifro de S. Judas: "Você me procura em tudo, e me tem em tudo. Mais, quando esquecer de mim, se lembras de minha face? Não esqueces de mim por um segundo, porque eu estou em ti.". E foi assim que eu vi, que no pouco tempo que estamos juntos, eu nunca fui tão intenso, tão ousado, tão inovador, tão romântico e tão bobo como atualmente, hoje, se eu evoluí mais um cadinho, é por sua causa, e obrigado por isso, Mulher do Mocotó.
Eu estou perto de casa, e a chuva vira aquela garoa fina e intensa, o vento fica mais forte, e agora eu não existo, graças a Deus. Assim como qualquer elemento químico maravilhoso e feito por algum homem, ou por algum deus desolado por deixar algo inacabado. Logo, o jovem de preto que sai encapotado para a chuva e brumeio, logo se funde a sua amada chuva, e ao seu amado vento, e o Santo Céu nublado. Logo a cruzar a esquina, não existirei mais, serei a música no ouvido da K, serei o ventre seco na namorada do meu amigo, e serei a música que toca no vinil do Possenti, serei o riso na cara de quem necessita o choro feo, e serei o grito de campeão solto na voz do pequenino (e audível) Robson. Não existe mais nada, agora, tudo está completo, e tudo se faz maravilhoso aos olhos de Deus.
Eu estou agora, em outro plano, outra rota, e num lugar mais forte que minha própria perna. Só me resta uma dúvida...Vens ou não?
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