quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Divina Dama.

Divina Dama, por quê me aprisionaste em teus braços? Por quê desejaste de mim - logo de mim - um amor sincero fulgoroso e verdadeira? Moça, me aperdoe, mais, sou burro, feo e bobo. Não tenho vocação para ser o comedor, ser o cara que todo mundo gosta, ou o carinha bronzeado e musculoso que come quem quiser no seu carro mais caro. Me aperdoe de meus modos, mais, eu ando de trem, eu tenho costeletas, eu creio num Deus maravilhoso (mais, as vezes injusto quando não entendo seus planos), e creio nas minhas coisas, nos meus conhecimentos, nos meus livros e discos, nos meus quatro quarteirões que ando a pé pensando em teu sozinho, pensando em nós. Divina Dama, me aperdoe se eu entendo tudo errado, e como já ouvi muitas vezes ela dizer para mim: "[...] Eu sou uma desgraça ambulante, que nada faz certo, e que deveria ter morrido no dia que nasci [...]"; De coração, me perdoe se um dia eu nasci, e fiz tudo isto. Não foi minha intenção. Juro.
Divina Dama, entrego-me de novo ao desgosto como me entreguei tantas outras vezes, por tantos outros motivos. Porque eu me fiz de bobo, quando pressenti e presumi erradices, quando ouvi vozes de lobos e achei que eram minguados de carneiros necessitando de socorro, e quando eu me entreguei para alguém, e este alguém tanto pisou, chacoteou e riu de mim, mesmo dizendo "me amar, me aceitar e estar comigo por tudo o que houvesse...". Talvez, a dor maior de um bobo, é ser justamente bobo. É iludir com a palavra vã, fea, é ter sonhos, planos, e querer dar forma a estes sonhos. O bobo tem medo da morte, Dama, por isto ele quer, e quer agora, e quer sempre, e tolamente, e idiotamente, ele é monogâmico, e faz de tudo para ser o melhor e ter sempre da companhia do teu. Se valeu, valeu, mas, algo martela na minha cabeça boba, dizendo o que eu sempre me convenci: "Deus é bom, mas, eu não mereço tudo isto".
Divina Dama, foi curto, mais, aproveitei cada segundo como se fosse um dia. Fui bobo? Fui. Fui idiota? Fui. Te fiz feliz? Creio que sim. Te ganhei em beijos e risos? Sim. Divina Dama, me perdoe, mas, eu acho que no justagora, eu irei perder você. Tenho pouco em minhas mãos (mãos novas, mais, calejadas pelo ofício e pela música que um dia lhe encantou...), e sei que existem tantos outros por aí com uma mão cheia, e esta mão é o dobro das minhas duas mãos juntas, com o pouco que tenho a lhe oferecer. Não, não entenda errado, por favor, lhe peço! Sei que tens um coração bom, e uma alma linda, mas, eu sei que os meus planos, meus sonhos, minha vida é uma coisa que talvez você não irá querer ter para ti, Dama. Diga-me de coração, e com o peito aberto, e me diga com toda a verdade, cara limpa, chaga aberta, sem medo: Você gostaria de ficar comigo? De ter um apartamento no centro da cidade, de ter um cachorro, um gato, e uma janela que mostre o lado bonito da cidade? Você gostaria de ir nos finais de semana ao Museu Do Ipiranga ao Pq. Da Água Branca fazer um pic-nic? Você gostaria de ter uma filha comigo? Você gostaria de ter comigo dias felizes, tristes, e o que Deus planejar para nós? Você estaria comigo na hora em que o barco virar, do mesmo jeito que eu estivesse contigo? Você faria carinho na minha cabeça, enquanto eu te tocasse uma música? Você gostaria de receber um bouquet de flores? Você viria comigo ver o Sol nascer? Você gostaria de estar comigo na praia, vendo o vento bater na janela, enquanto tudo continua calmo e lindo? Você viria para mim no dia em que nada fizesse sentido? Você poderia ser minha, em algum dia da sua vida, nem que fosse só um?

Se sua resposta for sim, apeia. Estou aqui.

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