segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Feira Da Renascança

Me encontro deitado agora, entre um jardim de acácias e limoeiros, pétalas de jasmim tocam minhas costas; De novo, eu estou na Feira Da Renascança. Tudo cheira a doce e ouro, nada é real.
Homens ricos passam pela João Mendes, e os mendigos se envolvem com o clima de multidão da Sé, São Paulo fica imóvel, olhando para o céu e com seu papiro nos dizendo algo realmente; Novo e chavão: "Senhor, que queres que vos faça?".
A chuva se confunde com as montanhas de vidro e concreto pelas ruas, e a Porto Geral parece até uma pequena cachoeira para as baratinhas indefesas do churrasco grego do João. Orientais usam em seu idioma nativo, palavras obscenas e feias para ameçar a chuva que mandou embora seus clientes (e revendedores também.).
Corro para as tendas, armadas em cetim e veludo, damas de vestido em relevo, e nordestinas quase peladas no Parque Da Luz, e na velha Júlio Prestes, flores em seus cabelos; Navalhas em vossas cinturas. Eu irei até onde a vista me alcança, até a Guapira ou mais além disso; Vila Galvão, porque eu acho que eu estou sonhando. Alquimistas fazem pedras virarem ouro, e políticos fazem regras virarem piadas, enquanto doces músicos mostram-me a batida da Dança dos Dias.
Sofrer;
Lutar;
Ganhar;
Perder;
Viver;
Tentei morrer uma vez, o destino me fez então cair nove vezes. Assim como, os alquimistas misturam água e fazem o vinho, eu me fiz em muitos, mesmo sendo um só. Assim como de todos nós provém o doce som do Um. Desde a Minas, com seus altares ostentados em beleza, assim como na simplicidade da oração do mendigo da Sé, tudo é muito relativo, muito real e muito verdade. Tudo é igual, somos nós que disnivelamos todo o resto.
As carruagens motorizadas, que me levam aonde quero, até a Moça Morena da Música, o respiro de cansaço da sexta, o feelin' dado ao vento, o amor, a graça de Deus sobre nós, abençoando nossa vida, tudo é muito relativo; Se temos, logo o recebemos.

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