sexta-feira, 12 de setembro de 2025

A Night Of Love.

Ao entrar no carro, as palavras caem como mísseis em minha mão. 
Mas, as evito. Olho a paisagem noturna apenas para passar o tempo, e esperar a virada da estação.
Algo ocorre dentro de mim, algo morre, a ser mais exato; e no fundo sei muito bem o que é, assim como você; mas cansei de fazer movimentos ou bandeiras acerca disso, apenas me mantenho em silêncio eliminando o parco fulgor que ainda provém de mim. Talvez amadurecer seja sempre isso, a eterna morte do ser.
Vale mais o seu sorriso que a minha lágrima, crianças dançam descalças a avenida, e alguns homens bebem nas mesas postas na calçadas; um cachorro tenta alcançar o que está no prato sendo petiscado. O semáforo abre. Garôa.
A música - Cecília de minha vida, musa primeira a qual devo amôr e respeito primeiro, única impassível de ida ou volta - me atraca ao pôrto de entender.
Mas o peito, este, não.
Apenas deixe ir, garôto - ela me sussurra.
Essa noite poderia ser uma nôite de amôr, mas não é; então boa noite e se cuide.
E com isso, começo a remoçar e remoer todos os sentimentos vívidos e translúcidos em mim, trazendo a tona tudo o que meu peito releva e a condição transpassa. Não sou ruim, e sei bem que não sou. Talvez eu nunca soubesse ao longo de minha vida o quão bôm sou, e que esta culpa franciscana me arrasta ao sopé do chão. Tento em vão buscar palavras que apenas em minha cabeça ecoam, e somente a mim fariam sentido.
Sentindo aonde me encontro, e aonde gostaria de estar, me pego mentalmente falando contigo de tudo aquilo que minha cabeça pesa e meu peito dói, mas que a bôca insiste em calar. E por um breve sentido da vida ser intríseca, nossa telepatia não funciona. Conversamos com o olhar muito bem, mas as vezes você perde o que o opaco de minhas íris esmeraldinas têm teimado tanto a lhe dizer e eu mesmo me censuro em verdade.
Então boa noite, e se cuide.
A água quente do banho não se compara a seu abraço, e a cama tão macia não me esmaece quanto ao seu eleio; e no alto da noite, não há duas cervejas; e a fumaça de um cachimbo não se equivale ao nosso defumado; olho os livros, os odeio. Quero rasgá-los tôdos - mas o anjo-de-guarda segura me veladamente, e as imagens não se quebram, apenas meu peito deságua por essas linhas por você não ver.
Dizia meu pae, que quem é fiel aos seus princípios, é fiel a si mesmo. Penso em quantas vezes me compensou ser fiel aos meus, e quantas vezes me foi perfídio e vão os princípios dos outros, e mais além - quntas vezes não foe por mim. Aquela lágrima virou um desgôsto - engôdo preso na bôca que nem o tabaco desamarra e tampouco a cerveja ajuda a descer pro ventre - e minha mente vagueia pelos recôncavos que me estreito em raiva se lhe contasse. Nessa noite se encontra o amôr, e eu, só, apenas observo o que se passa. As ruas passam depressa, as luzes viram feixe, e o vento não acarinha meus cabelos, apenas jorra um ar gélido como quem refrigerasse algo em mim. Talvez fôsse melhor achar alguém quem se importa. Talvez fôsse útil fechar os olhos. Boa noite e se cuide.
Deita-se a cidade, e os olhos ficam enegreados. Amanhã acordo, mas eu sei que amanhã tudo mudou; e se você não percebeu, é que para você não faz a mínima diferença. Boa noite e se cuide.