quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Operator.

 O amôr, em suas três divisões, por ora pode ser demasiadamente lindo. Mas pode ser lancinante e cruel. Lembro quando olho para trás todos os sonhos que constitui e construí - alguns com rapidez, outros com cautela, e outros de qualquer jeito. E a sensação amarga do recomeço sempre me incomodou.
O amôr as vezes pode ser muito explicado, mas, quando torna-se frugal, torna-se melhor. E quando torna-se belo, deve-se ter cautela.  
Sei, também, que o amôr costuma ser vivaz com quem o sente, e que não se baseia apenas nas pernas grossas e olhos acastanhados das moças, mas no vento sagaz, na beleza das luzes do centro, dos cafunés nos Santos Cães da Rua, na feijoada na cumbuca de barro, o litrão na mesa de plástico e uma alegria de fim de festa...
Uma fumaça do cachimbo voando solitária pela noite, que por vezes no fornilho faz as vezes de lampião.
Talvez, há  uma grande chance do amôr nunca ser nada do que se quer, mas sim do que se precisa, mas, até no precisar deve existir um querer - seja de ordem de grandeza, ou da grandeza. Se ela usa salto ou all-star, se sorri ou franze a testa, se grita ou geme, se fala ou sente; que mal faz? É amôr, dentro do sacrário do peito d'ela reside parte de mim, e parte d'ela carrego atado a mim. E ao porto, digo não. Acosto, acocho e me atraco a marina de seu porto, fazendo-me saber de dela, e que ela se saiba de mim.
Haverão dias escuros e noites claras. Medos e incertezas, raivas abruptas e carinhos sem fim. Sei disso, é o mesmo esquema de maneiras diferentes em cenários iguais, mas, não compete a mim fazer toda a vez ser a última vez? Disse um velho senhor que conheci no passado que o "verdadeiro amôr, é o último amôr" (sic). Eu não discordo em parte, mas sei que não é apenas isso. Só o que excede, transgressa, urge e faz ser visto é notável e deliberadamente tangível no alto do ser.
E do resto? Que lá sei.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Last Summer Whisper.

 Este poderia ser o dia de nossas vidas.
Mas você tem o direito de transformar em algo comum... e não serei eu que tomarei a dianteira; a mim, basta o caminho. 
Dou o meu sorriso na graça do dia e do que o envolve, com todos os seus sins e nãos, com suas vontades e nuances, por isso sei que não posso pedir algo de direito a escolha. Se quiser, é o benfeito, e sem bem fazes, bem terá. Talvez não entenda, mas só quem toma as decisões diárias sabe como pode ser penoso e doloroso ter que escolher para outrém. Cabe, talvez, um consenso; mas não o direito de derrubar contra a outra pessoa um querer ou um gostar forçado.
Você pode mandar uma mensagem, você pode abrir uma cerveja, você pode sentir o vento mexer nos seus cabelos -  tudo isso faz parte de um momento e de uma síncope da vida, de perfeição tão bela que até nos atordoa. O que queres fazer, bem o podes; desde que estejas preparada para a consequência ou para o desfecho de suas ações. O que fizerdes, faça bem feito, pois o retorno há de ser bem feito para você também. E isso é o básico da sentença.
Fazer as coisas com carinho e afeto, mesmo que cotidianamente, nos alegram, mesmo que não parecendo. O que nos vale desse caminho a seguir, é como o fazemos, e se não ferimos quem está ao nosso redor pelas nossas atitudes e dizeres.

O que vale, é que este poderia ser o dia de nossas vidas, mas para você não é nem dia, e nem vida.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Up The Junction.

 Dizem, os sábios, que o amor é loucura.
Das mais atrozes, que dilacera e faz os sentidos se tornarem ridículos. 
Crendo nisso, logo me entendi enquão amante - seja da vida, da nostalgia, do tempo e do têmpo antes do tempo (importante dizer) e etc. Sou apaixonado por n coisas que me fazem gemer em ais e perder o fôlego das razões. Logo, se sou assim, desconheço e ojerizo o amôr em face de ser racional. Não existe. Amôr que pensa é lógico, e assim, não existe o imediatismo, a ensandecida vontade de demonstrar o sentimento para quem se ama ou para o mundo em geral - logo, o amôr enquanto racionalidade, é uma falha grave e alcova de pessoas que usam as outras. Caso encontre um ser desses, fuja para longe e peça a Deus que esse ser tenha um belo caminhar.
Pessoas que racionalizam o amôr na verdade tem uma grande falha em se entregar, e por isso acham que calcular a rota e racionalizar aquilo que apenas se sente vai mudar algo... e o que muda na verdade é como nós as vemos: de pessoas incríveis, para bichos. Rasteiros. De coração frio, estômago baixo e olhos acobertados. 
E eu, pessoa pequena de pensamentos e habilidades, creio que o desespero que emprega no amôr é o que rege, evolui e demonstra violentamente o mesmo; que aliás também reside nos cuidados silenciosos, nos pratos favoritos feitos, nos abraços em horas de dor, das noites de bebedeiras, e dos carinhos velados somente para a madrugada afã e perfeita. O amôr, como mãe que possui e provém todas as habilidades, logo se mostra prolífero de cuidados, quereres e coisas boas. Sem esse amor, a vida não posssui ter ou querer.
É como trabalhar com o que não se gosta, e ao sair do labor encontar livre e desimpedido aquilo que te rege como grã alegria e motivação - e sim, eu sei, e Deus sabe que eu sei que existe a alegria oculta, que nem todos os nomes são capazes de dizer, nem todos os pensares são capazes de elaborar e nem todo nome é capaz de lograr. 
Aliás, o meu é uma Antarctica. Gelada. 
Geladinha. De trincar.
Meu Santo Antônio, com uma dessa eu danço até com os Santos Cães da Rua!
E, enfim, me ponho a pensar, no que ouvi hoje sobre os amôres e os gostares, e percebo que as pessoas mudam os cenários, as faces, as fases, as ruas, mas a grã maioria dos seres humanos ainda tem o mesmo problema (possivelmente de fábrica): Eles não sabem - e talvez nunca vão saber - amar. 

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Silence Is Easy.

Dizia para mim um velho senhor, de hábito preto e olhos fechados enquanto esfregava suas mãos para esquentá-las: "Se te arrancam um pedaço, menino - segue."
Ah, a sabedoria dos mais velhos, quão fulgurosa é! 
Por mais que doa, por mais que aflige... por mais que pareça que não há o que ter depois do não-ter. Há quem busca, e há quem o tem. Vida é troca, e nem todas são de fato justas ou iguais - porquanto, sei que há muitas mãos que nunca deveríamos soltar e tampouco sei das mãos futuras que tocarão a minha quando a cingir no Aqueronte da vida. 
Só sei de mim, dos meus versos, de minha viola, e do sorriso daquela mulher que com a fumaça que sai da boca, me faz sentir melhor - mais vivo, mais inteiro. No demais, sei das desaprovações, dos erros, da peste, da morte, e daquilo que se oculta a cada passo; da infindável e formosa verdade, nunca pude a ter, apenas ouvi falar, e dizem-me os sábios que ela é boa. Que ela é linda. Que é a matrona de todas as bonanças. Sei também que as ruas estão mais policiadas e de alguma maneira não há mais tantos irmãos de rua aonde moro - parece estranho, mas é a pura verdade.
Pelo visto, ao contrário de tantos sábios e heróis, percebo que até a verdade tem lá seus níveis e formas; coisas que predestinam ou prenunciam guerras, ou apenas um sim ou não. E em um silêncio abrupto ao me dar conta disso, olho a janela, vejo o vento, penso em mim. Só sei de mim. Só sei dessa cidade que come e destroça sonhos e esperanças. E das mãos que toco - as seguro firmemente contra a minha - e não as quero soltar. Só sei de mim.
Não quero fumar. Agora não. Deixo-me esvanecer com o momento tão íntimo e particular. 
Ai de mim, se achasse que em algum tempo antes do tempo as coisas pudessem melhorar ou ter-se-lá alguma esperança, e se ouvissem como me presto a dignar os ouvidos a cada ouvir. Ai de mim, se vejo a vida como é, e não crio tanto caso; apenas tento fazer o que cabe dentro de mim como ser humano. Mas sei lá eu, que até a bondade tem preço, e que as represas se quebram. E lá eu, mantenho, aquilo que nem as paredes confesso, e em um espaço estreito de um navio, confio somente a mim; pois lá no fundo só (eu) sei de mim, e sei que algumas coisas não se competem a dividir, mesmo que pareçam terem ser feitas para tal situação.
Algumas vezes, o mais fácil a ser feito; é justamente a parte mais difícil de toda uma vida.