Queria falar do Céu, e da têz da noite que envolve. E, dizendo assim do Céu, da noite, do vento e dos uivos, queria era falar de mim, de você, de nós. Queria falar de mais uma volta, um compasso que desce e sobe no contratempo desse segundo chamado vida - e mais do que falar de mais uma volta, queria ter a sapiência de realmente saber de mim, e das coisas que se passam em meu coração.
Crônica de ordem social - essa é a minha forma de letra; mas atualmente elas todas parecem recortes de jornal que contam coisas que vi, vivi e senti. Um caderno de viagem que evoca pessoas, dias, glórias, saudades, e decisões que pesam na alma. De todos os cânceres, a saudade é a maior e mais desleal metástase.
Queria viajar uma última vez, descer até a praia e molhar os pés cansados na água salgada. Comer um camarão na praia tomando cerveja ouvindo Evinha, e com uma (tua) companhia do lado - um sorriso para casar com o sorriso, um corpo para dividir a cama, uma mão que alcança a mão. Queria talvez passar as serranias e ir para as interiorâneas, cidadelas pequenas, distintas, de café moído na hora e aonde pudéssemos entrar naquelas igrejas clássicas e centenárias, com uma praça na frente, e o Sol ornaria em teu vestido, e teu riso seria uma verdade a ser prenunciada a quem lhe visse. Gostaria das noites de vinhos e rosas com minha jaqueta em seus ombros após o jantar, teu braço dado ao meu enquanto a noite faz força para danar as luzes elétricas que incandeiam teu sorriso - e para me ajudar a andar, dos corações que derramados depois de um rango e caminhar, se incubem de se cuidar e se amar, e que talvez fosse essa a minha viagem favorita - a amiga, a moça, a mulher, a amante, a rainha, a irmã, a musa, a juíza, a conselheira, a amada; a você.
Fecho os olhos, e a minha mente traiçoeira desenha tua silhueta na minha escuridão. Abro os olhos e perco o sonho que estava tão perto de mim do qual senti até o perfume; como disse o escriba naquela música tão bem-elaborada para a musa: "Foi tão triste o dia em que eu vi você ir embora". E de fato, ainda o é. E ainda q'o eia os olhos, a perspectiva não é e nem se torna tão boa - é só mais uma música, mística forma, aonde se dança o corpo para frente e para trás, e que os dedos entrelaçam com a madeira e as cordas, que solfejam um arfejar com a lágrima que cai na madeira ressonante.
É noite. É dia. É tempo todo tempo.
Dá a mão e vem comigo, mulher. Dá mais uma volta comigo antes que eu durma, antes que a cidade acorde. Segura meus olhos no seu corpo, e amplifica minha surdez com tua voz. Deixa ao menos nessa última corrida llèguera eu descansar meu corpo tão cansado e demasiado por essa peleja no teu rincão, e que no silêncio de minha voz, meus olhos ao te fitarem, denunciem tudo o que tenho passado e planejado. Me entrega um sorriso no teu Céu, e afaga com tuas mãos minha barba, e olhando-me, encontre-me. E achando-me, eternize-me; dá certeza e razão. E eleva.
E de fato, que sua alegria seja a minha, e que o mundo em que eu vivo e habito seja aquele em que você está. Tem um local vago no ônibus em que estou. É só chegar.
Epitáfio do Marcus Queiroz. Apoia esse blog, faz um pix pra nózes: marcusvini15@hotmail.com
quarta-feira, 26 de outubro de 2022
Una Vuelta Más.
segunda-feira, 24 de outubro de 2022
Disco Eterno.
Achei uma foto tua na minha carteira.
Enquanto eu olhava os documentos geraes, achei uma 3x4 tua. Vi seus olhos, sua boca, e seu cabelo. Foi inevitável sentir um tipo de arrepio pela espinha, e mais ainda foi difícil sentir algo que fugia a realidade terrena de um momento. Um momento incrível, clichê do clichê.
Que que se há de fazer, afinal? Apenas suspirei e ri por um momento, e me amarguei. Lembrei do Bôm Tempo.
Assusto-me (de fato) com a distância e paradoxalmente a presença, e estando tão longe me encontro aqui, agindo então entre o silêncio e o oculto da mão, abro os dedos então para tocar um canto novo nas cordas de meu violão; e os pássaros, pousando no beiral da minha janela, cantam comigo um solfejo e brincam com as migalhinhas que deixei para eles se fartarem; faço então o mirar pela janela enquanto dedilho uma nota menor, e dou uma risada enquanto o bemol das cordas me seduz. A vida, enfim, se faz presente em cada recôncavo; e olhando para mim, ainda eu com o oldre vazio - e com uma pequena dor - deixo o meridiano para depois para enfim (fingir) sorrir. Entre nossas vidas, cruzam-se linhas, algumas se acertam, e outras se delimitam. Umas se tangem, outras são paralelas.
A vida torna se oca, vazia, ainda com tonturas, ainda com tristeza, mas ainda sim é a vida. Sigo, mas não sigo por mim. Sigo pelos meus, e aos que amo e estimo como se fossem meus; ainda que por pouco tempo. Por mim, não seguiria e ouso no tanger não querer mais, e de fato, mantenho-me pelos peixes, pelos olhos, mãos, Cecília, flores, incenso e azuis. E qualquer coisa além do que eu digito aqui é mentira; assim como a saudade que sinto aqui expressada é a pura verdade. O prazer que tenho em viver é vão e inútil, pois quando perde-se uma parte grã e vital do querer, não se pode ser reposto ou transposto em outro qualquer. E quando se perde a esperança, desmorona-se. E por isso decidi parar de me tratar ou cuidar. Quero deixar de ver o Sol nascer, pois apesar dos motivos de ir, me cabem mais os motivos de ficar.
Quero aquela velha praia nublada, a chuva, os trovões, e os gritos no saveiros ornados com porres homéricos de coca-cola com rum montilla. Quero a lira, a pena, a glosa e o pendão. Quero, finalmente, deixar as lindas garôtas ouvirem, e deixar os Céus turvarem. Espero a vida depois da vida como quem aguarda com esperança a batida de maracujá antes da feijoada dos heróis.
Dada a mão aberta contra a brisa suave do tempo, no estio das passagens do ar corrente entre os dedos, seguro o tempo e a razão, e o peito, não - deságuo como herói, já sei ser verdadeiro como o que Habita em meu peito ensinou - e não troco ou denuncio aquilo que meu peito guarda em Glória e Excelsa verdade, pois antes de mim O era, e antes de O ser, Se fez. E aos que se dizem reis, a estes cabem a terra temporã, pois quem carrega um Verdadeiro tesouro, divide; e estes, tão donos da verdade e de razões, se perdem. Graças a Deus, eu vou morrer, e eles, infelizmente vão morrer.
Se realizo minha sorte, faço de mim casa e estrela. E estando em mim, permaneço de copo e cruz. Abro os braços em riste, enquão funde-se em mim as chagas e os bálsamos e a vida. Abro os braços em forma de rendição e deixo o Sol queimar a pele alva que me faz casca, e quando vejo os primeiros goteijos da chuva, me sinto vivo, ou talvez safo - principalmente esguio. Lírios na mão, estrêlas no Céu, e descalço, vejo a imensidão de uma cidade que desce e sobe aos olhos pela sua imensidão.
E chove pela madrugada. A dor não me deixa dormir.
quinta-feira, 20 de outubro de 2022
Summer.
Bem, raramente eu tive desses contatos, mas, todas as pessoas que tive esse presente foram mui categóricas pois eram pessoas de tenacidade ímpar, daquelas que são decisivas e fazem-se valer por ser quem são, e de uma força incrível. As pessoas que conversam com os olhos verdadeiramente estão em um outro nível, patamar, e gostar...
E é sobre isso, disse-me ela. E irrompeu na mesa com um riso verdadeiro, daqueles que não se vê há tempos; abriu-se e brindou a nós na mesa com um riso verdadeiro, sincero, ornado com os lábios e ornando a silhueta de seu rosto de tal forma que não o via há tempos, sendo-se verdade, e trazendo-nos genuína alegria de um riso apesar das abobrinhas demasiadas infames que dizíamos na mesa - de fato nós da mesa sentimos um tipo de êxtase, mas guardamos um pouco para mais tarde pois atualmente está raro termos momentos assim, aonde podemos ser felizes sem um peso da existência.
A noite, extensa e tão curta, denuncia a troca de olhar. Conversa-se pelo olhar. É lindo, belo, lírico, cínico e as tenazes sobrancelhas que arquejam com fechar-e-abrir de pálpebras, desfloram num riso; gargalhada, telepatia prevista - comunhão de pensamento, alinhamento cósmico, ou qualquer bobagem dessa forma. E quando ostento de mim o riso em comum com a alegria mantida de um gol, denuncio veemente com o olhar a vulgaridade que senta conosco a mesa - e iremos rir mentalmente e fazer um comentário ligeiro com os olhos; a essa altura, já íntimos e cumplices de comentários e formas de pensar.
E é afã com o cuidado e com o zêlo, tal qual ditosa mulher ou como no cristianismo primitivo, aonde as pias moças eram zelosas sem ter porquê, com o quê, como quê - permaneciam de fé em fé e de caridade em verdade para apenas existir, fazer-se ser e ter aquilo que não se Nomina; Excelsa alegria, ditoso É. É sobre um riso ligeiro entre risos, brindes e copos de água, sobre conversas e fofocas, gritos estrondosos que arruídam o ouvido em lembrar: a emoção de um pênalti, a perca de um título, a briga no fim da noite, a sabedoria em ser humilde e se resignar de uma possível contenda, o valor de ser quem é, ou até mesmo uma conversa que poderia durar por horas e horas e horas e horas...
Ou, que pode até mesmo durar mais essa noite, se o vento e a direção das estrêlas forem-nos favoráveis.
sábado, 15 de outubro de 2022
Quanto Vale Um Poema?
mas pode também,
remoçar um tempo de
dias, meses ou da década passada.
Pode falar da fumaça do tabaco;
da cidade que anoitece,
da falta de ter com quem se abraçar,
de uma esperança e fé cega no futuro
até, pode conter uma mensagem encravada.
Também pode ser de milady's e milordes;
reis e profetas, assuntos e permanecidos,
de um chão translúcido e de primeiros beijos,
flôres, incensos, e azuis tão belos
que tangem o céu, e os olhos cromáticos vívidos.
entre um espaço de sim e não,
há o talvez de se entender errado e certo,
assim como pode ser a certeza de
ter, ser e viver como se manda o roteiro.
das crônicas sociais eu lido,
mas sobre poemas não os sei,
pois sei que custam muito, tal
como amor, saudade, palavras e verdade.
quinta-feira, 13 de outubro de 2022
Sem Título #59.
Algumas vezes,
me pego pensando,
no oculto de meu coração,
sobre minha ferida oculta;
Translúcida e perene,
jorra sem pedir licença.
No solitário andar,
cabe a mim apenas sentir,
e guardar num baú meu,
todas as belas coisas do mundo;
Do teu sorriso e teus olhos,
sentir talvez um tanto de alegria.
E os olhos meus que tangem,
não encontram vista alguma,
tampouco perspectiva,
ou alguma satisfação relevante;
Remo em alguma maneira,
de vã filosofia de manter o movimento dos barcos.
Outro dia numa rua dessas,
após uma garrafa de vinho infiel,
olhei a Lua e as estrelas,
lembrei de um bom tempo;
Um sorriso e um abraço com mãos dadas,
que descompassou até a batida de meu coração.
Dentro de mim,
tenho os sinos e ressonos,
guardado a voz altiva,
resto a mente em oração;
Ademais tendo a fé,
sorrio e guardo em mim uma esperança.
Fraca. Claudicante. A nível de morte. Passível de um atentado terrorista.
E de esperança,
crio a vida,
invento ânimo,
ressignifico a alegria;
Transmuto tudo o que há de triste,
para (te) escrever (em) coisas belas.
Assim, ao menos, amenizo a tua falta.