Ok, vamos lá!
A questão toda do Brasil atualmente se designa em 13 x 17. Esquecemos da cerveja pendurada no boteco, das orações que fazemos em nossa comunidade, ou se temos um trocado para comprar um pão, é tudo resumido como "O bem contra o mal", coisa que deveria ser mais simples.
Aqui do lado de fora, vejo amigos se limitando a degladiar ofensas, e até mesmo eliminar-se da vida um do outro - tudo bem um ser corinthiano e o outro palmeirense, mas votar diferente de mim, nunca! - a cabeça do brasileiro no último ano atrofiou de maneira incrivelmente assustadora.
Eu, por escolha, decidi viver o carisma franciscano, e por isso tenho sido taxado de "comunista", "amigo de vermelho" e "passível de corrupção", sendo que escolhi viver de maneira ampla, geral e irrestrita viver o evangelho do Cristo Pobre e Crucificado, mas Vivo e Rei!
"A terra é bôa e rica, e nela há espaço pra tôdos".
Vivemos num Brasil plural, cheio de riquezas e coisas boas, e pessoas de índole boa, vivemos em unidade, mesmo quando desgarrados, nós somos o povo que depois da briga no futebol de rua nos sentávamos e dividíamos a tubaína no saquinho. Até onde a estrada vai dar para perceber que a tal briga por lado político não é uma briga, e sim birrinha?
Independente do voto, é necessário a votar com sabedoria - não por candidatos indicados por sacerdotes, parentes, ou "arautos da verdade". E sim, pela leitura, reflexão, indagações e conhecimentos acerca do seu candidato e o plano de governo dele; Nenhuma aliança política é 100% puro-sangue, e nenhum governo tem um plano de governo 100% bom. Nem nós, enquanto seres humanos, somos 100% dotados da graça de Deus.
Vejo jovens agindo como velhos senhores, conhecedores de virtude e sabedoria (até a página 3), e pessoas velhas, que retornaram a infância e julgam uma inocência que no tempo deles houve quando eram crianças, mas, que ninguém nunca provou que realmente houve inocência, ou justiça - apenas o contrário. Profetizo (e não em tôm de profeta) em meu tempo a loucura do tempo abaixo dos Céus de Deus, aonde tudo se mostra estranhamente reverso, nascendo velho e morrendo novo, e os que detectam o torque certo da engrenagem da máquina são os loucos, irracionais, marginalizados pelo que carregam no peito.
Os mesmos jovens conservadores que vão na missa de véu, fazem petição por missa tridentina e tem padre de estimação que vai contra o Santo Padre de Roma, falam de proclamar as "novas cruzadas" (sic), são as mesmas pessoas que estimam uma melhora no Brasil (como o outro lado).
Sinto, e vejo nestes meus contemporâneos que eles não aprenderam nos livros de história, e sim querem provar o amargo, para saber que não é bom.
Pessoalmente (e agora sinto as pedras, a benção, Glorioso Santo Estevão), para mim, votar no 17 é ignorar todo o trabalho da Igreja Católica no Brasil, pisar na memória de Dom Paulo Cardeal Arns, e dos Frades Dominicanos (e isso, só os casos mais conhecidos), que abertamente cuidaram e estiveram de pronto a lutar contra um regime ditatorial que nos extinguiu de alguma liberdade, verdade ou senso de vera justiça. Gostaria de não votar no 13, mas, ainda sim o prefiro. Vejo famílias se destruindo, intolerâncias efervescendo, e pessoas se tornando animais peçonhentos, por um assunto que deveria ser discutido com sabedoria, e não fanatismo e loucura.
Que Deus tenha misericórdia de nós, e o Glorioso Pae Francisco olhe por nós e nos dê a chance de obter a graça divina de paz nos desaventos - que as amizades retomem, que os amigos se abracem, que os sinos dobrem, que os Céus turvem, e as garotas ouçam.
Kyrie Eleison.
Nm 6; 24-26.
Jo 16;33.
1 Pe 3;11