Passado:
Não me sei ao certo, mas, hoje não me sinto mais o mesmo. Me sinto avoado, perdido em alguma fenda na qual se encontra o passado e o futuro, e no fim das contas é como se eu já soubesse o que vai acontecer...E isso me assusta. Muito. Sinto perto e distante de tudo ao mesmo tempo, e que consigo tocar todas as coisas, me sinto no topo do mundo, mesmo que só. Encontro numa casa de mobília pouca, janela aberta que dá pra avenida movimentada, que quando olho vejo o Ipê Roxo florescer, e isso me deixa hipnotizado. Tenho essa mesma vida a uns 22 anos. Esse é meu passado e presente, e, ocorre o risco de ser meu futuro. Quero ter medo da morte, mas, infelizmente, não consigo. Feio, burro, e bobo; Trafego na rua. E quando o sinal fica vermelho, eu passo. Antigamente eu não era assim...
Como um soldado de chumbo, estou preso a uma arma nas minhas mãos, e eu sou só um rapaz ordinário, que mal sabe atirar, tampouco em armas ou granadas. Eu estou no abrigo, e poucos me vêem sobre a neblina. Com um tiro posso morrer, ou entrar na glória. É tudo uma questão de manter a fé, ou tanger a situação no seu modo mais favorável (ou não). Esse sou eu do jeito mais comum na rua. Sou um soldado de Jorge, protegido por Cristóvão.
Antigamente importava ter alguém, importava a aprovação, o cabelo curto e a camisa e as coisas dando certo, e assim seguir sendo mais um na massa emoldurada e dada de presente e amor para morrer contra a terra batida, antigamente pensar na morte ou duvidar de algo era feio. Eu era assim. Quando olho pra trás vejo meu erros, minhas marcas, meus acertos e o pouco reconhecimento que foi me dado ao longo da vida - cousa que vez ou outra ainda me punge em dor por não ter. Ter que calar o choro, e não ouvir a conversa dos adultos, viver por viver, viver bem, ter para si só o que for melhor, viver a vida em volta de um copo de cerveja, e ciar no mesmo erro, cortar-se a carne com a navalha, e tanger a carne de um jeito tão profundo que não se sinta dor alguma, e depois ficar só, até o fim do dia.
As vezes dá vontade de não ser nada novamente. Ao menos assim teria alguns elementos do meu passado que perdi no presente, e talvez mal me recorde no futuro, sabe? Olha, eu não sei de onde venho, e de até onde me lembro, sei que é escuro e de lá poucos vieram até onde estou. Eu transcendi, deixei pra depois, e minhas chagas - marcas de vitória ante o flagelo da crueldade contra mim - estão todas aqui. Toque só se precisar, mas, não afunde o dedo, pois elas ainda doem, e muito. Dói saber que até hoje não tenho ninguém que não seja passageiro e dói mais ainda que já me conhecia neste vaticínio desde que era criança quando lia, ouvia e cantava com minha amiga imaginária, que tenho contato até hoje.
Desde sempre; Fui um mané.
Bom dia (ou boa madrugada), Centeeiro!
ResponderExcluirComo assinei o feed, só vi agora sua última postagem. minhas palavras não ousarão dizer como ficou lindo. E,pensa, não precisa ter medo do futuro, as coisas sempre se encaixam de alguma forma, só não perca as estribeiras. Perder você seria ruim para muitas pessoas...
Keep The Faith.