terça-feira, 10 de setembro de 2013

A Mente Sionita (II)

E infelizmente, mais uma vez, eu estou aqui. E vivo. Dói-me saber que ainda tenho que suportar o mundo nas minhas costas, sabendo que há pessoas em situação pior que eu. O carro arranca, e solta o cheiro de gasolina queimada no ar, e eu levanto a gola da minha blusa. A garoa teima em descer, e o sinto tina em me chamar, as velas queimam a cera, e eu me encontro a pensar: Como um cometa, me sinto caindo, e zunindo eu vou, dentre a flor de espinhos.
Eu não corro, porque não tenho onde correr, então espero ansiosamente por aquilo que vem, me toma, agita-me entre seu estômago, me cospe e me deixa morrer a reia da arena. Muitos me olham, poucos me percebem, e mais poucos os me ouvem, e só alguns raros me entendem, pousam tua mão no ombro e dizem: Lhe entendo, há de ficar bem. 
Não existe nada que tire o que está entrelaçado em mim, e atrelado a mim está a minha bobice, meu jeito de olhar com os olhos baixos, a voz baixa entre tantas outras, e o incrível medo das ondas do mar, dos olhos que magoam só de olhar, e da mente maldita e perturbada, e os conselhos, ordens, pedidos, que se confrontam uns aos outros, e me deixam sem reação alguma; Volta e meia penso que esse mundo não é pra mim.
Assusta-me o fato de que lá fora exista um lugar lindo que eu conheça, e mais ainda assusta o fato de que exista alguém que pensa em mim e reza por mim. Magoa o fato de alguém não ouvir o que eu tenho a dizer, e que na hora que eu digo, dizem que é mentira, balela, e quando acontece, dizem que é praga, mal-feitio, ou coisas assim. 
Eu vivo andando na rua, burro, feio e bobo, mantenho meus olhos no céu, e os pés no chão em coração em Jesus, no copo o mate, nos olhos o cinza, na blusa a garoa, e na minha alma uma dor, minh'alma geme, e não sei até mais aonde ela vai aguentar, será que eu consigo viver mais uns cinco anos assim?
Talvez eu deveria ter morrido em cada chance, e as pessoas que foram deveriam ter ficado, eu já me acostumei com o fato de nunca fazer nada certo, e só foder com a vida alheia, sabe? Mais, o que me magoa e mata aos cadinhos é quando tacam isso e esfregam na minha cara, e ainda mais quando complementam com o clássico: "Sem você aqui minha vida é melhor", ou o épico: "Você não passou de um objeto", aí é pra matar o peão de choro e ódio. Quem já viveu ou passou por isso - fazer de tudo e ter nada em troca, sofrer or amor e só ser usado e traído com a torcida do Flamengo - sabe do que eu estou falando, constantemente eu vivo essas situações, e tão rotineiras são que me faz acreditar que realmente, a culpa seja minha, mesmo quando eu me permaneço austero ao máximo. estranhão, não?
Se eu calar a minha boca, ficar omisso e submisso a tudo e todos, matar o pouco da minha alegria, e viver como um robô psicomotor, eu vou ter a "boa vida" na "casa forte" regado a "sucesso"? Eu não almejo isso, eu sou da América do Sul, sou do metrô me picos de rush, sou do riso fraco e abraço forte, eu sou de Deus e do Amor, meus olhos tangem a ti tristes, mas, por trás da tristeza, eu lhe desejarei e rezarei toda a alegria do mundo.

4 comentários:

  1. Para com isso, nego. Respira que amanhã será um dia melhor. E se não o for, eu faço ser. Só não esquece que eu to aqui fazendo de tudo pra arrancar um sorriso de ti, e só encontrando muxoxos em troca.

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  2. Filhão...
    O ajudará em algum belo dia
    Seja um homem simples
    Leve seu tempo
    Não viva tão rápido
    Dificuldades virão e passarão
    Onde encontrará o amor
    Há alguém lá em cima DEUS...
    Esculta com atenção
    Beijos no seu coração ...
    Edilley

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  3. Centeeiro, tenha força no barco.

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  4. Segui-lhe teu caminho, Milordy, tu és mais que isto, nós sabemos, estou longe, estou aqui na Aeronáutica, mas leio teus escritos para me lembrar do tempo bom de ser sua amiga, espero que logo passe esta maré e que venha um lindo dia para ti.

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